Aspar

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Um detalhe do "Missório de Aspar" mostrando Aspar e seu filho Ardabúrio.

Flávio Ardabúrio Aspar (ca. 400 - 471) foi um patrício alano e mestre dos soldados (magister militum), do Império Romano do Oriente. A família de Aspar exerceu uma grande influência sobre os imperadores romanos orientais durante meio século, a partir dos anos 420 até sua morte em 471, sobre Teodósio II, Marciano e Leão I, o Trácio, que , no final, mandou matá-lo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do mestre Ardabúrio,[1] Aspar desempenhou um papel crucial na expedição de seu pai em 424 para derrotar o usurpador ocidental, João de Ravena, e para instalar Gala Placídia e seu filho, Valentiniano III, em seu lugar. Ele também ajudou a negociar um tratado de paz com Genserico, após a invasão dos vândalos da África Proconsular.

Aspar atingiu o consulado em 434, após a campanha na África.[2] No entanto, Aspar não poderia tornar-se imperador por causa de sua religião ariana. Ao contrário, ele desempenhou o papel de fazedor de reis com seus subordinados, Marciano, que se tornou imperador ao se casar com a irmão de Teodósio II, Élia Pulquéria.

Em 27 de janeiro de 457 Marciano morreu, e os personagens políticos e militares corte oriental levaram onze dias para escolher um sucessor. Apesar da presença de um forte candidato para a purpura, o mestre dos soldados e e cunhado de Marciano, Antêmio, a escolha foi bem diferente. Arpar, que nesta ocasião foi provavelmente oferecido ao trono pelo senado, recusou-se[3] podendo ter escolhido seu próprio filho Ardabúrio, mas em vez disso selecionou um tribuno obscuro, de uma de suas unidades militares, Leão I, o Trácio.[4]

Em 470, em um episódio da luta pelo poder entre Aspar e o general isáurio Zenão I, Aspar convenceu o imperador a nomear seu segundo filho, Júlio Patrício, como César e deu-lhe em casamento a sua filha Leôncia. No entanto, como para o clero e o povo de Constantinopla, um ariano não era elegível para se tornar um imperador, eclodindo motins no hipódromo da cidade, liderador pelo chefe dos Acemetas ("monges que não dormem"), Marcelo: Aspar e Leão tiveram que prometer aos bispos que Patrício se converteria a ortodoxia antes de se tornar imperador, e só após a conversão, ele se casaria com Leôncia.

Em 471 uma conspiração imperial causou a morte de Aspar e de seu filho mais velho Ardabúrio: é possível que Patrício tenha morrido nessa ocasião, apesar de algumas fontes relatarem que ele se recuperou de suas feridas.

Aspar foi o professor de Teodorico, o Grande, que mais tarde tornou-se rei dos ostrogodos. Aspar teve outro filho, Hermenerico, com a irmã de Triário, o pai de Teodorico Estrabão.[5] A esposa de Aspar foi uma ostrogoda, como o rei ostrogodo Teodorico era seu sobrinho.[2] A cisterna atribuída a ele ainda existe hoje em Istambul.

Referências

  1. Williams, p. 45.
  2. a b Bunson, 38.
  3. O episódio foi contado por Teodorico, o Grande em um sínodo realizado em Roma, em 501; Aspar recusou, dizendo enigmaticamente "Eu temo que iria lançar uma tradição imperial" (Croke, p. 150).
  4. Croke, p. 150.
  5. Wolfram 1990, p. 32

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Bunson, Matthew (1994). Encyclopedia of the Roman Empire. New York: Facts on File Inc.
  • Croke, Brian, "Dynasty and Ethnicity: Emperor Leo and the Eclipse of Aspar", Chiron 35 (2005), 147-203.*Williams, Stephen, and Gerard Friell, The Rome That Did Not Fall, Routledge, 1999, ISBN 0415154030.
  • Wolfram, Herwig, History of the Goths, trans. Thomas J. Dunlap. University of California Press, 1988, ISBN 0520069838.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]