Assembleia de Deus

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Igreja Evangélica Assembleia de Deus
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Orientação evangélica
Política Episcopal, Presbiteriano e Congregacional
Líder Liderança descentralizada
Área geográfica 190 países
Origem Belém, Pará, Brasil, 19 de novembro de 1910 (110 anos)
Congregações 375.310
Membros 69 200 000
(12 314 410 no Brasil[1])
Site oficial worldagfellowship.org

Assembleias de Deus (AD) (em inglês: Assemblies of God), oficialmente a Assembleia Mundial de Deus, são um grupo de mais de 144 agrupamentos nacionais de igrejas autônomas, mas vagamente associadas, que juntas formam a maior denominação cristã evangélica pentecostal protestante do mundo.[2] Com 69,2 milhões de adeptos em todo o mundo, é o quarto maior grupo internacional de denominações cristãs.[3][4]

História[editar | editar código-fonte]

William Seymour, líder do avivamento da rua Azusa

O movimento pentecostal de hoje traça seus vestígios da sua comunidade a uma reunião de oração no Colégio Bíblico Betel em Topeka, Kansas em 1 de janeiro de 1901.[5] Ali, muitos chegaram à conclusão de que falar em línguas era o sinal bíblico do Batismo no Espírito Santo. Charles Parham foi o fundador desta escola, que mais tarde iria para Houston, Texas. Apesar da segregação racial em Houston, William J. Seymour, um pregador negro, foi autorizado a assistir a aulas bíblicas de Parham. Seymour viajou para Los Angeles, onde sua pregação provocou o Avivamento da Rua Azusa em 1906.[6] Apesar do trabalho de vários grupos wesleyanos avivalistas, como Parham e D. L. Moody, o início do movimento pentecostal difundido nos Estados Unidos, é geralmente considerado como tendo começado com Seymour no avivamento da rua rua Azusa.[7]

As Assembleia de Deus originaram-se em à fundação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos em 1914.[8][9]

Com o tempo, denominações autônomas foram formadas em vários países ao redor do mundo, seja de movimentos pentecostais locais ou de missões do Conselho Geral das Assembléias de Deus nos Estados Unidos. [10]

Não foi até 1988, no entanto, que a comunidade mundial se formou. Como uma comunhão pentecostal, as Assembleias de Deus acreditam no distintivo pentecostal do batismo no Espírito Santo, com a evidência de falar em línguas.

Estatísticas de nº de fiéis contemporaneamente[editar | editar código-fonte]

Segundo um censo da denominação publicado em 2019, ele teria 144 associações nacionais de membros em 190 países, 375.310 igrejas e 69.200.000 membros.[11]

Organização[editar | editar código-fonte]

As Igrejas Assembleias de Deus se organizam de modo em Convenções, como a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil e a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, seguindo apontou o teólogo Ricardo Bitun, mestre em ciências da religião pela Universidade Metodista de São Paulo[12], em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, tal estruturação favorece as formação de rachas. [13]. Samuel Câmara, pastor que era importante líder da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil fundou a Convenção da Assembleia de Deus no Brasil, meramente por discordar de José Wellington Bezerra da Costa em função de questões supérfluas. Eleito com 14.675 votos na votação realizada online no dia 9 de abril, Wellington Jr. teve a posse atrasada por conta de incontáveis batalhas judiciais, já que a CGADB realizou a eleição mesmo com uma liminar ordenando a suspensão do processo, já que haviam suspeitas de fraude na inscrição de aproximadamente 10 mil pastores. [14] [15]

Doutrina[editar | editar código-fonte]

Santa Ceia

Pré-milenarismo[editar | editar código-fonte]

O assembleanos acreditam no Pré-milenarismo (que é uma divergência dentro da Escatologia cristã), aguardando uma segunda vinda de Jesus Cristo em duas fases distintas: a primeira, invisível ao mundo, para arrebatar a Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação (Mateus 24:29-31); e a segunda, visível e corporal com a Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo por mil anos, sendo portanto dispensacionalista [16]

Tribunal de Cristo[editar | editar código-fonte]

Ainda, nesse corolário de fé, assembleianos quando analisavam a humanidade e as suas relações sociais, sempre relacionavam os fatos com a esfera espiritual, não fazendo uma clara separação do transcendente e do material[16], neste sentido, esperam comparecer perante o Tribunal de Cristo, juízo em que haveria boa-fé, cooperação, isonomia, para receber a recompensa dos seus feitos em favor da causa do Cristianismo , nas decisões imparciais que seria providas neste tribunal, ficariam para os fiéis resguardadas a dignidade da pessoa humana e, conforme a proporcionalidade, o tormento seria destinada de modo razoável aos infiéis.[17]

Anticomunismo[editar | editar código-fonte]

Dilma Rousseff em encontro com os Presidentes das Assembléias de Deus no Brasil

É notável a ênfase escatológica ao comunismo, isto porque na doutrina dominante das Assembleais de Deus existem ideias associadas à guerra, à luta espiritual com relações diretas a um plano que Deus teria pré-estabelecido para a história, nesse discurso o comunismo era ligado as forças do demônio e precisaria recuar diante da força do bem representadas pelos fiéis liderados por Cristo, representado metaforicamente como um general. [16]

Sacramentos[editar | editar código-fonte]

Celebração da Santa Ceia de modo sistemático e continuado[editar | editar código-fonte]

A celebração, sistemática e continuada, da Santa Ceia é um sacramento da maioria das igrejas que compõe o chamado grupo das pentecostais, definindo a Ceia do Senhor como uma ordenança e a pratica principalmente como um ato cognitivo de lembrança. [18]

Batismo[editar | editar código-fonte]

Pentecostalismo
Pentecostalismo
Congresso Nacional Juvenil das Assembleias de Deus em Cancún, QR, México, em 2010

A denominação pratica o batismo em águas por imersão do corpo inteiro, uma só vez, em pessoas a partir de 12 anos, em nome da Trindade. O recebimento do batismo no Espírito Santo, seguido de outros dons do Espírito Santo (Mateus 7:22,23) é um sacramento das Assembleias de Deus.

Glossolalia[editar | editar código-fonte]

Geralmente, com a evidência inicial do falar em outras línguas, a chamada glossolalia.

Estudo mostram que as Assembleias de Deus possuem inerentemente uma cosmovisão sacramental em sua crença mais distinta da glossolalia, que fornece um ponto de partida para todas as outras discussões sacramentais na teologia pentecostal. [18]

Contudo, em 1916, o pastor americano F. F. Bosworth, um membro fundador da organização, criticou a Declaração das Verdades Fundamentais das Assembleias de Deus por sua postura excessiva sobre a glossolalia como um "sinal inicial" obrigatório de batismo do Espírito Santo e deixou-o em 1918.[19] Ao revisar a declaração de 1918, a declaração de fé foi qualificada pelos líderes para ser entendida como o "sinal físico inicial" do batismo do Espírito Santo.

Questões sociais e culturais[editar | editar código-fonte]

Conceitos sociais, éticos, legais e teológicos[editar | editar código-fonte]

Em vários momentos, o Conselho Geral das Assembleias de Deus publicou conceitos sobre vários fenômenos sociais e éticos na sociedade. Em tais publicações são refletidas:

Direito do crente de servir no exército e portar armas[editar | editar código-fonte]

Na visão das Assembleias de Deus o crente tem o direito de servir no exército e portar armas, o que diverge de outras denominações cristãs que consideram que um cristão não poderia matar nem mesmo se fosse solicitado por ordens estatais. [20]

Contracepção abortiva como pecado[editar | editar código-fonte]

Os assembleanos, em geral, são contra o aborto voluntário, defendendo a intervenção estatal perante o livre-arbítrio dos indivíduos. [21]

Rejeição completa da homossexualidade[editar | editar código-fonte]

À exemplo do aborto, a homossexualidade é vista como uma forma de impedir que crianças nasçam e os assembleanos a veem como forma de promiscuidade. [22]

Reconhecimento da eutanásia como uma forma de suicídio[editar | editar código-fonte]

A eutanásia é considerada uma forma de suicídio pelas igrejas assembleias, que assim como desencorajam os fiéis a assim proceder, politicamente, se esforçam para impedir que qualquer pessoa proceda desta forma. [23]

Doutrina visual[editar | editar código-fonte]

As igrejas assembleias prezam pela doutrina visual também,em que as mulheres usam saia para que não exiba seu corpo, pois é templo do Espírito Santo. Homens também entram na doutrina,usando especificamente calças e blusas que não contornam o corpo.

Novos conceitos a respeito de usos e costumes[editar | editar código-fonte]

Templo Salem de Cotonou, afiliado com as Assembleias de Deus, em Cotonu, em Benin, 2018

A Assembleia de Deus vem experimentando, nos últimos dez anos, grandes mudanças comportamentais no que diz respeito a usos e costumes. A IEAD, há algum tempo, tinha o hábito de inserir como doutrina os usos e costumes, por meio dos quais restringia mais a liberdade das mulheres em questões de vestimenta, cabelo e maquiagem. A igreja dizia que o uso de determinadas roupas e cortes de cabelos, por exemplo, era vaidade. No entanto, com o passar dos anos, percebeu-se que a adoção ou não de determinadas regras por parte das igrejas locais tratava-se mais de uma questão de costume do que de doutrina, pois não feria os fundamentos da fé cristã. Atualmente, a Assembleia de Deus passa por uma relativação dos usos e costumes, enquanto muitos pastores, ministérios e regiões do país se renovam, outros preferem manter as tradições assembleanas do passado. Contudo, a CGADB ratificou seu estatuto em 2011, e na seção de usos e costumes removeu diversos itens, dando mais liberdade as mulheres, não há mais restrições a calças, joias e bijuterias, mas recomenda o uso sem exageros.[24] Já a Convenção Nacional, nem sequer cita em sua resolução (na atualidade) usos e costumes, deixando clara a liberdade.[25]

Por país[editar | editar código-fonte]

Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Assembleias de Deus no Brasil

A Assembleia de Deus chegou ao Brasil por intermédio dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que aportaram em Belém, capital do Estado do Pará, em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos. A princípio, frequentaram a Igreja Batista, denominação a que ambos pertenciam na Suécia. Eles traziam a doutrina do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia — o falar em línguas espirituais — como a evidência inicial da manifestação para os adeptos do movimento.[26]

A nova doutrina trouxe muita divergência. Enquanto um grupo aderiu, outro rejeitou. Assim, em duas assembleias distintas, conforme relatam as atas das sessões, os adeptos do pentecostalismo foram desligados e, em 18 de junho de 1911,[27] juntamente com os missionários estrangeiros, fundaram uma nova igreja e adotaram o nome de Missão de Fé Apostólica, que já era empregado pelo movimento de Los Angeles, mas sem qualquer vínculo administrativo com William Joseph Seymour. A partir de então, passaram a reunir-se na casa de Celina de Albuquerque. Mais tarde, em 18 de janeiro de 1918 a nova igreja, por sugestão de Gunnar Vingren, passou a chamar-se Assembleia de Deus, em virtude da fundação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, em 1914 em Hot Springs, Arkansas, mas, outra vez, sem qualquer ligação institucional entre ambas as igrejas (pois a estrutura das AD's em sua forma de governo eclesiástico é congregacional).

Portugal[editar | editar código-fonte]

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Sede da Assembleia de Deus nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos surgiram várias congregações pentecostais independentes, desde o avivamento da rua Azusa, em 1906. Buscando unidade, comunhão entre si, trabalho missionário e organização legal, o Rev. E. N. Bell com a ajuda de outros líderes convocaram uma Convenção em Hot Springs, Arkansas, entre 2 e 7 de abril de 1914, surgindo ali pela primeira vez o nome Assembleia de Deus. Como resultado, houve a adesão de quase 500 ministros e a criação do General Council of the Assemblies of God (Concílio Geral das Assembleias de Deus), mais tarde sediado em Springfield, Missouri, lugar sede do terceiro Concílio, onde foi feita a Declaração das Verdades Fundamentais,[28][29] compartilhada até hoje com a maioria das Assembleias de Deus no mundo.

Argentina[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Assembleia Cristã na Argentina

Austrália[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Assembleias de Deus na Austrália

Itália[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Assembleias de Deus na Itália

Japão[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Assembleia de Deus no Japão


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Censo IBGE 2010» (PDF) 
  2. "Assemblies of God". The Oxford Dictionary of the Christian Church. Ed F. L. Cross and E. A. Livingstone. Oxford University Press Inc. Oxford Reference Online. Oxford University Press. Acessado em 22 de junho de 2011.
  3. List of World Religious Bodies http://www.adherents.com/adh_rb.html
  4. Barrett, David. World Christian Encyclopedia. Oxford University Press: London, 2001. Table 1-5, pages 16–18
  5. Randall Herbert Balmer, Encyclopedia of Evangelicalism: Revised and expanded edition, Baylor University Press, USA, 2004, p. 37
  6. Randall Herbert Balmer, Encyclopedia of Evangelicalism: Revised and expanded edition, Baylor University Press, USA, 2004, p. 47
  7. Blumhofer. As Assembleias de Deus: Um Capítulo na História do Pentecostalismo Americano, Volume 1—To 1941. pp.97-112
  8. John Stephen Bowden, Encyclopedia of Christianity, Oxford University Press, Royaume-Uni, 2005, p. 88
  9. Edith Waldvogel Blumhofer, Restoring the Faith: The Assemblies of God, Pentecostalism, and American Culture, University of Illinois Press, USA, 1993, p. 142
  10. William W. Menzies, Robert P. Menzies, Spirit and Power: Foundations of Pentecostal Experience, Zondervan Academic, USA, 2011, p. 28
  11. Assemblies of God World Missions, Vital statistics 2019, agwm.org, USA, 2019
  12. https://www.escavador.com/sobre/7191436/ricardo-bitun
  13. https://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/04/1259449-analise-forma-de-organizacao-das-assembleias-de-deus-favorece-surgimento-de-rachas.shtml
  14. https://veja.abril.com.br/blog/radar/eleicao-racha-a-igreja-assembleia-de-deus/
  15. https://noticias.gospelmais.com.br/jose-wellington-jr-posse-cgadb-samuel-camara-recorrera-91242.html
  16. a b c Lindolfo Anderson Martinelli. «Escatologia e Anticomunismo nas Assembléias de Deus do Brasil na primeira metade do século XX» (PDF) 
  17. https://escoladominical.assembleia.org.br/licao-6-o-tribunal-de-cristo-e-os-galardoes/
  18. a b «Além da ordenança: Pentecostais e uma compreensão sacramental da Ceia do Senhor». 10 de setembro de 2017. Consultado em 20 de setembro de 2021 
  19. Daniel Castelo, Pentecostalism as a Christian Mystical Tradition, Wm. B. Eerdmans Publishing, USA, 2017, p. 132
  20. Commission on Doctrinal Purity and the Executive Presbytery. «War and Conscientious Objectors» (em inglês). Assemblies of God, USA. Consultado em 27 de abril de 2013. Cópia arquivada em 30 de abril de 2013 
  21. «Sanctity of Human Life: Abortion and Reproductive Issues» (PDF) (em inglês). Assemblies of God, USA. 9 de agosto de 2010. Consultado em 27 de abril de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 30 de abril de 2013 
  22. Assemblies of God, USA (6 de agosto de 2001). «Homosexuality» (PDF) (em inglês). Consultado em 27 de abril de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 30 de abril de 2013 
  23. «Sanctity of Human Life: Suicide, Physician - Assisted Suicide, and Euthanasia» (PDF) (em inglês). Assemblies of God, USA. 9 de agosto de 2010. Consultado em 27 de abril de 2013. Cópia arquivada (PDF) em 30 de abril de 2013 
  24. «Assembleia de Deus ratifica resolução da decência para usos e costumes». 11 de julho de 2011 
  25. [1]
  26. Medcraft, John P. (1987). «The Roots and Fruits of Brazilian Pentecostalism» (PDF). Vox Evangelica. 17: 68 
  27. Corten, André; Echalar, Mariana N. R. (1996). Os pobres e o Espírito Santo: o pentecostalismo no Brasil. Título Original: Le pentecôtisme au Brésil: émotion du pauvre et romantisme théologique. Petrópolis, RJ: Vozes. p. 66. 285 páginas. ISBN 85-326-1713-1 
  28. A Declaração de Verdades Fundamentais da Assembleia de Deus (em inglês)
  29. 16 Verdades Fundamentais – Texto Condensado (em inglês)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Clarke, Peter B. «Assemblies of God». In: Clarke, Peter B. Encyclopedia of New Religious Movements. Londres: Routlege. pp. 48–49. ISBN 9780415267076. Consultado em 6 de dezembro de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]