Associação das Guias e Escuteiros da Europa

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A Associação das Guias e Escuteiros da Europa - Portugal é uma associação de âmbito nacional fundada em Portugal por escritura pública no ano de 1979. Está registada no Registo Nacional de Associativismo Jovem.[1]

História[editar | editar código-fonte]

O tempo das instituições[editar | editar código-fonte]

No dia 1 de Novembro de 1956, em plena guerra-fria, e ao sair de uma imensa catástrofe da qual foram testemunhas e por vezes vítimas, algumas dezenas de jovens cristãos alemães encontraram-se em Colónia. São católicos, protestantes, e ortodoxos, sem mandatos das suas respectivas Igrejas e do movimento escoteiro internacional e querem fundar uma comunidade escoteira internacional sob o nome de “Federação do Escutismo Europeu” (FSE), cujo objectivo é “praticar o Escutismo de Baden-Powell no quadro da idéia européia e sobre as bases cristãs que postula a idéia da Europa Unida”.

Um ano mais tarde, no dia de Todos-os-Santos, em 1957, estes mesmos jovens reuniram-se, ainda em Colónia, para redigir um texto intitulado “Directório Religioso”.

De 1958 a 1963, as Guias e Escuteiros da Europa desenvolvem-se na Alemanha, na Bélgica, em Inglaterra e em França. Em cada país, a FSE seria representada por uma associação nacional. O estilo de Escutismo, adaptado pelo Padre Sevin, para as associações católicas, é adoptado pelo conjunto das associações da FSE.

Os Conselhos Federais de 1961 e de 1962 fixaram as modalidades de educação diferenciadas de rapazes e raparigas numa mesma associação nacional.

O tempo de crescer[editar | editar código-fonte]

Em 1978 são feitos os primeiros contactos para a filiação de uma associação portuguesa na UIGSE e em Julho de 1979 são publicados no Diário da República os Estatutos da Associação das Guias e Escuteiros da Europa – Portugal. Nos primeiros anos a AGEEP vai-se implementando por todo o país criando Unidades de ambos os sectores em vários distritos de Norte a Sul de Portugal.

A crise da juventude[editar | editar código-fonte]

Em 1984, com a necessidade de dar um passo em frente na prática da pedagogia escutista/guidista, surge a primeira dissidência interna, apoiada pelo então Comissário Federal Pierre Géraud-Kéraod, que leva ao afastamento da AGEEP do seio da União Internacional das Guias e Escuteiros da Europa.

Apesar da falta de apoio dos organismos internacionais da UIGSE, a Associação das Guias e Escuteiros da Europa – Portugal consegue manter-se fiel aos princípios documentados da FSE, continuando a praticar o mesmo tipo de escutismo, seguindo a mesma metodologia de educação paralela e mantendo a mesma estrutura hierárquica e pedagógica.

O tempo da maturidade[editar | editar código-fonte]

Em 1994, cerca de 10 anos volvidos, a AGEEP sente que tem capacidade para voltar a representar Portugal na UIGSE e recomeça-se os contactos para que no nosso país haja uma só voz a defender o lema das Guias e Escuteiros da Europa. A luta não é contra ninguém, mas apenas por um ideal comum de educação e de formação global dos jovens. As barreiras vão cedendo e sai vencedor o verdadeiro espírito escutista.

O tempo de um novo milênio[editar | editar código-fonte]

O ano 2000 trouxe as últimas batalhas. Em Portugal o Escutismo Europeu passa a ter uma única voz. Uniram-se todos os que acreditam na pedagogia da FSE. Juntaram-se todos os que defendem uma Europa unida pela mesma fé. Aliaram-se os que acreditam na fraternidade e na reconciliação.

No início de um novo século, a Associação das Guias e Escuteiros da Europa – Portugal prepara-se para participar, ao lado dos outros países que compõem a UIGSE, nas novas batalhas que o Escutismo/Guidismo Europeu, vai continuar em defesa de uma verdadeira educação global dos jovens (corpo, carácter e alma).

Em conclusão[editar | editar código-fonte]

O aumento do individualismo, a rarefacção do voluntariado, o enfraquecimento do mundo associativo não podem senão preocupar um Movimento como o nosso que não vive numa torre de marfim. O Escutismo é uma oportunidade dada aos jovens, então é preciso que se mantenha um Escutismo livre.

Educação diferenciada para rapazes e raparigas[editar | editar código-fonte]

Há já dezenas de anos que a educação mista foi imposta no domínio escolar: actualmente, faz parte da paisagem diária das crianças e dos jovens. Esta situação apresenta incontestavelmente aspectos positivos: os rapazes e raparigas não são mais educados na ignorância do outro sexo. Mas no que diz respeito à educação, torna mais difícil reconhecer a identidade plena de cada um. A mistura generalizada não permite o recolhimento necessário para que cada jovem se situe e descubra a sua identidade própria. Para além disso, verifica-se actualmente uma forte tendência para sexualizar todos os comportamentos e todas as relações homem/mulher. Sob o efeito poderoso da imagem normalizadora veiculada pelos média, favorece-se a generalização de atitudes baseadas nas relações sexuais dos adultos, onde a emotividade e afectividade, que não podem ser senão mal dominadas nesta idade, são as únicas regras de conduta propostas aos jovens. Numerosas vozes se fazem hoje ouvir para sublinhar a importância de uma educação diferenciada para rapazes e raparigas. As Guias e Escuteiros da Europa praticam esta diferenciação desde a origem do Movimento. Numa sociedade totalmente mista, nós propomos hoje um espaço específico para rapazes e outro para raparigas.

O objectivo educativo é:

  • permitir aos rapazes e raparigas a expressão e afirmação da sua identidade própria: as necessiades físicas e psicológicas, os centros de interesse, os modos de afirmação da personalidade são diferentes; num grupo misto, a tendência é mais de impor a norma masculina (linguagem, vestuário), o que é pouco respeitoso da identidade feminina.
  • respeitar as diferenças de maturidade psicológica: especialmente na idade escolar e mesmo liceal; a maturidade precoce das raparigas tem um efeito desvalorizador nos rapazes.
  • as actividades escutistas são assim, espaços de liberdade onde os rapazes e raparigas podem desempenhar cada um o seu papel, o que lhes permite descobrir progressivamente a riqueza e harmonia das suas vocações pessoais no plano divino e a sua complementaridade: "Deus criou o Homem à sua imagem... Ele os criou, homem e mulher."
  • é por isso que, ao favorecer e respeitar a formação de uma identidade própria no quadro de Unidades homogéneas e separadas, o Movimento procura igualmente levar á descoberta desta complementaridade: a criação de uma organização com duas secções, separadas nas suas actividades mas partilhando as mesmas regras, objectivos e o mesmo ideal, e reunidas na igualdade de poder e de responsabilidade ao nível dos mais velhos e dos adultos, é uma intuição notável de modernidade.

Em todos os níveis, os responsáveis, homem e mulher, agem conjuntamente. Na idade de Caminheiros e Guias-Mais-Velhas, as actividades de formação e de serviço comuns aos rapazes e raparigas são frequentemente organizadas no quadro do Clã ou do Fogo. No respeito da sua identidade e das suas qualidades, eles vivem, pela prática das suas responsabilidades, uma experiência de complementaridade que os prepara directamente para a sua vocação de colaboração harmoniosa na construção do mundo.

Posição nacional e internacional[editar | editar código-fonte]

Presentemente, existem em Portugal três tipos de Associações:

A AGEEP não faz parte da Federação Escutista Portuguesa. A OMME não pode reconhecer mais do que uma organização ou federação por país, que no caso de Portugal é a federação já citada.

Em contrapartida a AGEEP é membro da UIGSE-FSE. Esta União encontra-se espalhada por mais de uma quinzena de países da Europa. Para lá das fronteiras, propõe um mesmo Escutismo e organiza diferentes actividades de âmbito internacional: encontros, campos-escola europeus, Eurojam, etc...

A UIGSE-FSE está reconhecida como Organização Não Governamental (ONG) pelo Conselho da Europa, com estatuto consultivo, participando activamente através dos seus representantes nos trabalhos deste organismo no que diz respeito à juventude ou à família.

- A Associação reconhece a importância da dimensão internacional do Escutismo.

- Está profundamente ligada à UIGSE-FSE por laços fundamentais que nos unem numa mesma comunidade de ideal, de fé e de pedagogia.

- Concorda com os princípios fundamentais do Escutismo Mundial tal como estão definidos pela constituição e regulamento adicional de Julho de 1983 (Capítulo 1, art. 1, 2 e 3) da OMME, segundo o método escutista original que ela utiliza (educação diferenciada, três ramos de idade com a prática do sistema de patrulhas...).

- A dimensão espiritual e a ligação a uma religião não constituem causas de incompatibilidade: antes pelo contrário, são parte integrante da constituição da OMME. Apenas uma visão errada da laicidade (considerada como oposta ou indiferente a toda a religião e não como aceitando todas as religiões) permite julgar "incompatível" a nossa vontade de referência explícita a uma dimensão cristã do Escutismo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [www.dre.pt/pdfgratis2s/2004/03/2S053A0000S00.pdf «Instituto Português da Juventude»] Verifique valor |url= (ajuda) (PDF). DIÁRIO DA REPÚBLICA — II SÉRIE nº 53. 3 de Março de 2004. Consultado em 2 de Dezembro de 2013 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]