Atalaia do Norte

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Atalaia do Norte
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Atalaia do Norte
Bandeira
Brasão de armas de Atalaia do Norte
Brasão de armas
Hino
Gentílico atalaiense
Localização
Localização de Atalaia do Norte no Amazonas
Localização de Atalaia do Norte no Amazonas
Atalaia do Norte está localizado em: Brasil
Atalaia do Norte
Localização de Atalaia do Norte no Brasil
Mapa de Atalaia do Norte
Coordenadas 4° 22' 19" S 70° 11' 31" O
País Brasil
Unidade federativa Amazonas
Municípios limítrofes Benjamin Constant, Ipixuna, Guajará
Distância até a capital 1 136 km
História
Fundação 23 de fevereiro de 1955 (67 anos)
Administração
Prefeito(a) Denis Linder Rojas de Paiva (UNIÃO [1], 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [2] 76 354,985 km²
População total (estimativa populacional - IBGE/2021[3]) 20 868 hab.
 • Posição AM: 42
Densidade 0,3 hab./km²
Clima equatorial (Af)
Altitude 65 m
Fuso horário Hora do Acre (UTC-5)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4][5]) 0,450 muito baixo
PIB (IBGE/2018[6]) R$ 142 480,54 mil
PIB per capita (IBGE/2018[6]) R$ 7 330,00

Atalaia do Norte é um município brasileiro do interior do estado do Amazonas, Região Norte do país. Pertencente à Região Geográfica Intermediária de Tefé e Região Geográfica Imediata de Tabatinga, localiza-se a sudoeste de Manaus, capital do estado, distando desta cerca de 1 136 km.

Ocupa uma área de 76 354,985 km²[2] e sua população, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2021, era de 20 868 habitantes,[3] sendo assim o quadragésimo segundo município mais populoso do estado do Amazonas e o oitavo de sua microrregião.

O município de Atalaia do Norte é mundialmente conhecido por abranger grande parte da Terra Indígena Vale do Javari, a qual é a maior reserva de índios isolados do mundo,[7] além de ter sido o local de uma das maiores quedas cósmicas da história moderna, que ficou conhecida como Evento do Rio Curuçá.

História[editar | editar código-fonte]

Os habitantes originais da região eram os índios matsés, ticunas e marubos.[8]

Entre os anos 1864 e 1874, ocorreram confrontos na região entre os indígenas e o pessoal das comissões mistas brasileiro-peruanas encarregadas das demarcações de fronteiras.[9]

Em 1938 foi criado o distrito de "Remate de Males", subordinado ao município de Benjamin Constant. Foi elevado à categoria de município com a denominação de Atalaia do Norte pela lei estadual nº 96 de 19 de dezembro de 1955.[10]

Um acontecimento ocorrido em junho de 2022 tornou o município de Atalaia do Norte mundialmente famoso: o assassinato dos ambientalistas e indigenistas Bruno Pereira e Dom Phillips.

Assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips[editar | editar código-fonte]

2022 - CTENORTE - Comissão Temporária Externa para investigar, "in loco", as causas do aumento da criminalidade e de atentados na região Norte (52185121648) (cropped).jpg

Em 5 de junho de 2022, o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados durante uma viagem pelo Vale do Javari, segunda maior terra indígena do Brasil, no extremo-oeste do Amazonas.[11]

Bruno e Dom visitaram o Lago do Jaburu, uma localidade próxima da Base de Vigilância da Fundação Nacional do Índio (Funai) no rio Ituí, para entrevistar indígenas e ribeirinhos para um livro sobre a Amazônia.[12][13][14] Mais tarde, com a expedição praticamente concluída, eles se deslocaram para a comunidade São Rafael, onde fariam uma reunião com um pescador local.[12] O crime ocorreu no trajeto entre a comunidade e o município de Atalaia do Norte.[13] Após 10 dias de buscas, um dos suspeitos presos pela Polícia Federal (PF) confessou o envolvimento nos assassinatos e indicou a localização dos corpos.[15][16] Os restos mortais encontrados foram levados a Brasília,[17] periciados e confirmados como pertencentes a Bruno Pereira[18][19] e Dom Phillips.[20][21]

O crime gerou repercussão na imprensa internacional[22][23][24] e críticas ao enfraquecimento de instituições ambientais promovido pela gestão de Jair Bolsonaro.[25][26] O governo brasileiro reagiu tarde ao desaparecimento e não adotou medidas de buscas suficientes.[27][28][29][30]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2016

População Total: 18 549

  • Urbana: 10 175
  • Rural: 8 374
  • Homens: 5 229
  • Mulheres: 4 820

Desenvolvimento humano[editar | editar código-fonte]

Índice de Desenvolvimento Humano: 0,450 (2010)

  • IDH-Renda: 0,493 (2010)
  • IDH-Longevidade: 0,665 (2010)
  • IDH-Educação: 0,518 (2010)

O mais recente IDH do município é um dos menores do país, semelhante a de países africanos como Zimbábue e Ruanda.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Possui uma área de 76 355 km² representando 4,8611% do estado, 1,9815% da região e 0,8987% de todo o território brasileiro. Localiza-se a uma latitude 04º22'19" sul e a uma longitude 70º11'31" oeste, estando a uma altitude de 65 metros.

Clima[editar | editar código-fonte]

Organização Político-Administrativa[editar | editar código-fonte]

O Município de Atalaia do Norte possui uma estrutura político-administrativa composta pelo Poder Executivo, chefiado por um Prefeito eleito por sufrágio universal, o qual é auxiliado diretamente por secretários municipais nomeados por ele, e pelo Poder Legislativo, institucionalizado pela Câmara Municipal de Atalaia do Norte, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composto por vereadores também eleitos por sufrágio universal.[32]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Em 2009 o município possuía um total de 3 estabelecimentos de saúde, sendo todos estes públicos municipais ou estaduais, entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos. Neles havia 31 leitos para internação.[33] Em 2014, 99,87% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia. O índice de mortalidade infantil entre crianças menores de 5 anos, em 2016, foi de 34,21 indicando um aumento em comparação a 1995, quando o índice foi de 32,26 óbitos a cada mil nascidos vivos. Entre crianças menores de 1 ano de idade, a taxa de mortalidade reduziu de 32,26 (1995) para 26,68 a cada mil nascidos vivos, totalizando, em números absolutos, 187 óbitos nesta faixa etária entre 1995 e 2016. No mesmo ano, 27,11% das crianças que nasceram no município eram de mães adolescentes, uma das maiores incidências entre os municípios amazonenses, em se tratando de planejamento familiar. Conforme dados do Sistema Único de Saúde (SUS), órgão do Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade devido a acidentes de transportes terrestres registrou 5,38 óbitos em 2016, revelando um aumento comparando-se com o resultado de anos anteriores, quando não se registrou nenhum óbito neste indicador. Ainda conforme o SUS, baseado em pesquisa promovida pelo Sistema de Informações Hospitalares do DATASUS, não houve internações hospitalares relacionadas ao uso abusivo de bebidas alcoólicas e outras drogas, entre 2008 e 2017.[34]

A taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 30,02 para 1 000 nascidos vivos, sendo a sexta maior no Amazonas, com apenas Amaturá, Nhamundá, Ipixuna, São Paulo de Olivença e São Gabriel da Cachoeira registrando índices maiores. Em 2016, 44,44% das mortes de crianças com menos de um ano de idade foram em bebês com menos de sete dias de vida. Óbitos ocorridos em crianças entre 7 e 27 dias de não foram registrados. Outros 55,56% dos óbitos foram em crianças entre 28 dias e um ano de vida. No referido período, houve 11 registros de mortalidade materna, que é quando a gestante entra em óbito por complicações decorrentes da gravidez. O Ministério da Saúde estima que 50% das mortes que ocorreram em 2016, entre menores de um ano de idade, poderiam ter sido evitadas, especialmente pela adequada atenção à saúde da gestante, bem como pela adequada atenção à saúde do recém-nascido. Cerca de 99,8% das crianças menores de 2 anos de idade foram pesadas pelo Programa Saúde da Família em 2014, sendo que 0,2% delas estavam desnutridas.[34][35][36]

Atalaia do Norte possuía, até 2009, estabelecimentos de saúde especializados em clínica médica, obstetrícia e pediatria e nenhum estabelecimento de saúde com especialização em cirurgia bucomaxilofacial, neurocirurgia, psiquiatria e outras especialidades médicas. Dos estabelecimentos de saúde, apenas 1 deles era com internação.[33] Até 2016, havia 14 registros de casos de HIV/AIDS, tendo uma taxa de incidência, em 2016, de 0 casos a cada 100 mil habitantes, e a mortalidade, em 2016, de 0 óbitos a cada 100 mil habitantes. Entre 2001 e 2012 houve 97 casos de doenças transmitidas por mosquitos e insetos, sendo as principais delas a leishmaniose e a dengue.[34]

Educação[editar | editar código-fonte]

A Secretaria de Estado da Educação e Qualidade do Ensino (SEDUC) mantém no município cinco escolas, ministrando ensino médio e fundamental.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Representantes». União Brasil. Consultado em 29 de setembro de 2022 
  2. a b IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (27 de agosto de 2021). «Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1º de julho de 2021». Consultado em 28 de agosto de 2021 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 31 de agosto de 2013 
  5. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). «Perfil do município: Atalaia do Norte, AM». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Consultado em 28 de fevereiro de 2015 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios (2018)». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 13 de junho de 2021 
  7. Funai confirma existência de novo grupo de índios isolados no Vale do Javari (AM)
  8. Atalaia do Norte - Histórico
  9. Atalaia do Norte - Histórico
  10. Atalaia do Norte - Histórico
  11. Fontes incluem, mas não se limitam a
  12. a b «Dom Phillips estava escrevendo um livro sobre a Amazônia; Bruno Pereira auxiliava o jornalista». Jornal Nacional. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  13. a b Narley Resende (16 de junho de 2022). «Mapas mostram trajeto feito por criminosos após morte de Bruno e Dom». Rede Bandeirantes. Consultado em 16 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  14. Ana Luiza Albuquerque (9 de junho de 2022). «Entenda o que se sabe sobre desaparecimento de indigenista e jornalista no AM»Subscrição paga é requerida. Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 13 de junho de 2022 
  15. Tainá Andrade (16 de junho de 2022). «Caso Bruno e Dom: o trágico fim de defensores da Amazônia». Correio Braziliense. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  16. «Bruno Pereira e Dom Phillips: a cronologia do caso, desde o início da viagem». G1. 15 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 16 de junho de 2022 
  17. Julia Duailibi (16 de junho de 2022). «Caso Bruno e Dom: Avião com restos mortais chega a Brasília na noite desta quinta». G1. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 16 de junho de 2022 
  18. Vladimir Netto (18 de junho de 2022). «PF confirma que restos mortais encontrados na Amazônia são do indigenista Bruno Pereira». G1. Consultado em 19 de junho de 2022. Cópia arquivada em 19 de junho de 2022 
  19. Mirelle Pinheiro; Carlos Carone (18 de junho de 2022). «PF confirma que restos mortais encontrados são de Bruno Pereira». Metrópoles. Consultado em 19 de junho de 2022. Cópia arquivada em 19 de junho de 2022 
  20. Naiara Galarraga Gortázar (17 de junho de 2022). «La policía confirma que uno de los fallecidos en la Amazonia es el periodista británico Dom Phillips». El País (em espanhol). Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 18 de junho de 2022 
  21. Vladimir Netto; Mara Puljiz (17 de junho de 2022). «Perícia da PF confirma que restos mortais encontrados na Amazônia são do jornalista Dom Phillips». G1. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 18 de junho de 2022 
  22. «Desaparecimentos de Bruno e Dom geram repercussão na imprensa internacional». CNN Brasil. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 18 de junho de 2022 
  23. «'Coração despedaçado': Imprensa internacional repercute caso Dom e Bruno». Veja. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 17 de junho de 2022 
  24. «Morte de Dom e Bruno repercute na imprensa internacional». Terra. 16 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 16 de junho de 2022 
  25. «Enfraquecimento da Funai agrava violência a indígenas e servidores». Extra. 12 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 13 de junho de 2022 
  26. «O que o desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips revela sobre disputas na Amazônia»Subscrição paga é requerida. O Globo. 14 de junho de 2022. Consultado em 17 de junho de 2022. Cópia arquivada em 15 de junho de 2022 
  27. «Brazil: Authorities must not waste another second in search for Dom Phillips and Bruno Pereira» (em inglês). Anistia Internacional. 9 de junho de 2022. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 9 de junho de 2022 
  28. Pepita Ortega (8 de junho de 2022). «Justiça aponta 'omissão' do governo federal e manda reforçar buscas por Dom Phillips e Bruno Pereira». Terra. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 10 de junho de 2022 
  29. «Justiça determina que governo reforce buscas a Bruno Pereira e Dom Phillips». Jornal Nacional. 8 de junho de 2022. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 9 de junho de 2022 
  30. João Gabriel (7 de junho de 2022). «Governo Bolsonaro é cobrado por omissão e minimiza desaparecimento enquanto anuncia ações»Subscrição paga é requerida. Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de junho de 2022. Cópia arquivada em 8 de junho de 2022 
  31. Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). «Climatologia de Atalaia do Norte - AM». Jornal do Tempo. Consultado em 28 de janeiro de 2014 
  32. MEIRELLES, Hely Lopes. Direito municipal brasileiro. 18. ed. São Paulo: Malheiros, 2017.
  33. a b Cidades@ - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Serviços de saúde - 2009». Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  34. a b c Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (2014). «ODS 03: Saúde e bem-estar». Relatórios Dinâmicos. Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  35. Portal ODM (2015). «1 - acabar com a fome e a miséria». Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  36. @Cidades. «Saúde». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 21 de dezembro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]