Ataque com ácido

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Vítima no Camboja

Ataque com ácido[1]  é uma forma agressão[2][3][4] definida como o ato de jogar ácido ou uma substância corrosiva contra o corpo de outro", com a intenção de desfigurar, mutilar, torturar ou matar."[5] Autores destes ataques jogam ácido em suas vítimas, geralmente em seus rostos, queimando e danificando a pele, muitas vezes expondo e, por vezes, dissolvendo os ossos.[6] Os tipos mais comuns de ácido utilizado nestes ataques são o ácido sulfúrico e o ácido nítrico. O ácido clorídrico é por vezes utilizado, mas é muito menos prejudicial.[7] as consequências desses ataques a longo prazo podem incluir cegueira, bem como cicatrizes no rosto e  corpo,[8][9][10] além de dificuldades social, psicológica e econômicas.[5]

Atualmente, os ataques com ácido são relatados em muitas partes do mundo. Desde a década de 1990, Bangladesh tem vindo a reportar o maior número de ataques e as mais altas taxas de incidência contra mulheres,[11][12] com 3,512 pessoas ácido atacadas entre 1999 e o ano de 2013.[13] Embora os ataques com ácido ocorrem em todo o mundo, inclusive na Europa e nos Estados Unidos, esse tipo de violência está concentrada principalmente no Sul da Ásia.[14][15]

Efeitos na saúde[editar | editar código-fonte]

O efeito mais notável de um ataque de ácido são as deformações físicas e estéticas. De acordo com a Fundação Acid Survivors Foundationn o Paquistão, tem uma elevada taxa de sobrevivência entre as vítimas de ataques com ácido. Consequentemente, a vítima é confrontada com desafios físicos, o que a longo prazo, exige tratamento cirúrgico, bem como desafios psicológicos, que exigem profunda intervenção de psicólogos e conselheiros em cada fase da recuperação física.[16]

Médico[editar | editar código-fonte]

O efeitos médicos de ataques com ácido são extensos. Como a maioria dos ataques com ácido visam o rosto,[12] vários artigos avaliam criteriosamente as implicações médicas para estas vítimas. A gravidade do dano depende da concentração do ácido e o tempo antes que o ácido é cuidadosamente lavado com água ou neutralizado com um agente neutralizante. O ácido pode rapidamente corroer a pele, a camada de gordura abaixo da pele e, em alguns casos, até mesmo o osso subjacente. As pálpebras e os lábios podem ser completamente destruídos, o nariz e as orelhas severamente danificados.[17] 

Além dos danos diretamente no tecido da área afetada, as vítimas enfrentam a possibilidade de septicemia, insuficiência renal, despigmentação da pele e até mesmo a morte.[18]

Psicológico[editar | editar código-fonte]

Os sobreviventes enfrentam muitos problemas de saúde mental após a recuperação. Um estudo mostrou que quando comparado com normas para o bem-estar psicológico do Ocidente, as vítimas não Caucasianos relataram níveis mais elevados de ansiedade, depressão e pontuaram mais alto na escala Derriford que mede o sofrimento psicológico devido a uma preocupação com sua aparência. Além disso, as mulheres relataram auto-estima reduzida de acordo com a escala de Rosenberg e aumento de autoconsciência em geral e na esfera social.[19]

Em alguns países, como a Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait, as vítimas de ataque com ácido são psicologicamente perseguidas após o ataque. A mídia evita relatar o ataques com ácido; quando relatados, a descrição do ataque implica, muitas vezes, que o ato era inevitável, ou mesmo justificável.[20]

Referências

  1. "Cambodian victim on her acid attack".
  2. Karmakar, R.N. (2003).
  3. "World Now".
  4. "Man Who Threw Acid at Woman Blames 2 Others". latimes.
  5. a b "Breaking the Silence: Addressing Acid Attacks in Cambodia" (PDF).
  6. Swanson, Jordan (2002).
  7. Welsh, Jane (2009).
  8. Bandyopadhyay, Mridula and Mahmuda Rahman Khan, 'Loss of face: violence against women in South Asia' in Lenore Manderson, Linda Rae Bennett (eds) Violence Against Women in Asian Societies (Routledge, 2003), ISBN 978-0-7007-1741-5
  9. "CNN.com - Bangladesh combats an acid onslaught against women - November 11, 2000".
  10. Bahl, Taru; M.H. Syed (2004).
  11. Taylor, L. M. (2000).
  12. a b Mannan, Ashim; Samuel Ghani; Alex Clarke; Peter E.M. Butler (19 May 2006).
  13. Acid Attack Trend (1999-2013) UN Women, United Nations (2014)
  14. "Q&A: Acid attacks around the world".
  15. "How many acid attacks are there?"
  16. Khan, Adnan (Apr 21, 2012).
  17. Keerthi Bollineni.
  18. Olaitan, Peter B.; Bernard C. Jiburum (January 2008).
  19. Mannan, A.; S. Ghani; A. Clarke; P. White; S. Salmanta; P.E.M. Butler (August 2005).
  20. Sarah Halim andMarian Meyers (2010), News Coverage of Violence Against Muslim Women: A View From the Arabian Gulf, Communication, Culture & Critique.