Ataque militar

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O ataque (também chamado de assalto) é uma operação ofensiva destinada a conquistar um objectivo claramente definido e que deve ser cuidadosamente planeada, preparada e executada. A coordenação exigida entre os meios de manobra (infantaria e cavalaria), apoio de fogos (artilharia) e apoio de combate (engenharia, comunicações) leva a que se refira muitas vezes esta operação como ataque coordenado.

Formas de manobra empregues no ataque[editar | editar código-fonte]

O ataque pode ser orientado sobre a frente ou sobre o flanco do inimigo. Para atingir o seu objectivo pode utilizar três formas de manobra no ataque:

  • A penetração;
  • O ataque frontal;
  • O envolvimento.

Estas formas de manobra aplicam-se a todos os escalões de comando mas, normalmente, o ataque frontal só é empregue quando estão em presença forças de grande dimensão e que ocupam extensas frentes. Na maior parte das operações ofensivas a força atacante recorre a uma combinação das formas de manobra.

Esquema das fases em que se emprega a modalidade de manobra penetração num ataque coordenado.

A penetração é a forma de manobra ofensiva que visa romper uma posição defensiva inimiga para atingir um objectivo na retaguarda desta. É criada uma brecha no dispositivo defensivo inimigo que perde, assim, a sua continuidade. Em primeiro lugar é necessário criar uma rotura na posição defensiva inimiga. Em segundo lugar é necessário alargar a brecha criada naquela posição. Finalmente, é necessário conquistar ou destruir o objectivo por forma a desarticular a continuidade da defesa.

O ataque frontal é a forma de manobra ofensiva em que se ataca o inimigo ao longo de toda a frente. É utilizado perante uma força inimiga francamente mais fraca, quando a situação não está bem esclarecida, quando há necessidade de reagir de imediato à acção inimiga ou para fixar uma força inimiga com a finalidade de apoiar uma outra forma de manobra a ser executada por outra força. Durante um ataque frontal, o comandante procurará criar ou tirar partido de condições que lhe permitam efectuar a penetração ou envolvimento da posição inimiga. Esta forma de manobra ofensiva é frequentemente empregue na exploração do sucesso e na perseguição. Também é frequentemente utilizada pelas forças que executam um envolvimento, um movimento torneante, um ataque secundário, um contra-ataque ou um reconhecimento em força. A menos que se disponha de um potencial de combate esmagador ao longo de toda a frente, o ataque frontal raramente é decisivo e, por isso, são preferíveis outras formas de manobra.

Esquema de uma ofensiva lançada por um Corpo de Exército em que uma das divisões executa o movimento de envolvimento.

O envolvimento é uma forma de manobra ofensiva em que o ataque principal evita as forças principais inimigas atacando um flanco descoberto ou passando sobre aquelas forças (com meios aéreos - envolvimento vertical) tendo em vista conquistar um objectivo situado na retaguarda inimiga e que, uma vez na posse do atacante, corte ao inimigo os seus eixos de retirada e facilite a destruição das suas forças. O ataque principal é conjugado com um ou mais ataques secundários com a finalidade de fixar o inimigo, reduzir as suas possibilidades de reagir contra o ataque principal por obrigá-lo a combater simultâneamente em duas ou mais direcções ou iludi-lo quanto à localização ou existência de um ataque principal. Esta forma de manobra, não considerando o emprego de meios aéreos, exige que o inimigo apresente um flanco que possa ser abordado e ultrapassado sem necessidade de um empenhamento importante. O seu êxito depende fundamentalmente do grau de surpresa conseguido e da eficácia dos ataques secundários em fixar o inimigo.

O duplo envolvimento é uma variante do envolvimento e é executado por duas forças envolventes e por uma força que executa um ataque secundário. Para este tipo de manobra é necessário dispor de mobilidade e um potencial de combate superior e precisão na coordenação e ritmo de execução. A não ser assim, a força que executa o duplo envolvimento corre o risco de ser batida por partes.

Esquema de uma ofensiva lançada por uma Divisão em que duas das suas brigadas executam o movimento torneante.

No movimento torneante, a força que executa o ataque principal contorna ou passa sobre (utilização de meios aéreos) a força principal do inimigo, a fim de conquistar um objectivo vital situado profundamente na sua retaguarda e, assim, forçá-lo a abandonar as posições que ocupa ou a desviar forças importantes para enfrentar a ameaça criada pelo movimento torneante. O ataque principal é conjugado com ataques secundários destinados a fixar o inimigo e evitar que este possa dificultar a acção da força torneante. Enquanto o envolvimento visa a destruição do inimigo nas posições que ocupa, o movimento torneante não é dirigido contra a posição defensiva principal inimiga. Pelo contrário, evita atacar os flancos ou retaguarda dessa posição e procura conquistar áreas vitais profundamente na retaguarda inimiga. Desta forma tanto impede a sua retirada como a possibilidade de receber reforços.

O cerco é uma variante do envolvimento que proporciona a melhor possibilidade de fixar o inimigo nas suas posições e de o aprisionar ou destruir. É uma manobra de difícil execução porque exige uma grande superioridade numérica e uma mobilidade muito além do normal. A surpresa é essencial para a concretização desta manobra.

Ataque principal e ataque secundário[editar | editar código-fonte]

Nem sempre é possível dispor do potencial de combate tão forte quanto o desejável. Além disso, é um desperdício empregar um excesso de forças indiscriminadamente. O potencial de combate disponível deve ser distribuído por forma a obter superioridade onde se prevê obter o resultado decisivo e que tenha maiores probabilidades de sucesso.

O ataque principal é dirigido contra o objectivo decisivo e para a sua execução é atribuído o potencial de combate que permita criar uma superioridade decisiva sobre o inimigo. Isto implica, frequentemente, reduzir o potencial de combate nos restantes pontos da zona de acção o que se traduz numa atribuição dos meios mínimos, se bem que adequados, para a realização do(s) ataque(s) secundário(s). Estes devem contribuir para o sucesso do ataque principal.

Por vezes não há razões para definir um ataque principal e secundário e recorre-se a um ataque equilibrado em que todas as forças têm um potencial de combate equivalente. Pressupõe-se que a todas as forças atacantes são atribuídas missões de igual importância ou que qualquer dos eixos de ataque oferecem iguais oportunidades de sucesso.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Estado-Maior do Exército, Regulamento de Campanha - Operações, volume 1, Portugal, 1971.