Atentado em Saná em 2012

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O atentado em Saná em 2012 foi um ataque suicida ocorrido em 21 de maio de 2012 contra soldados do exército iemenita que ensaiavam para o desfile militar anual do Dia da Unidade em Saná, no Iêmen. A cerimônia é realizada todos os anos em 22 de maio desde 1990 para marcar a unificação do Iêmen do Norte e do Iêmen do Sul como República do Iêmen.[1] A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada pela al-Qaeda na Península Arábica (AQAP), afiliada da Ansar al-Sharia.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O atentado suicida aconteceu dez dias depois do inicio de uma ofensiva do exército iemenita contra a al-Qaeda na província de Abyan, no sul do Iêmen, onde a AQAP (al-Qaeda na Península Arábica) havia assumido o controle de várias cidades em ataques lançados desde maio de 2011.[2] De acordo com testemunhas e autoridades iemenitas, o governo do Iêmen intensificou sua ofensiva contra a al-Qaeda no sul do Iêmen na semana anterior ao ataque, com ataques aéreos e terrestres combinados deixando dezenas de baixas, entre elas civis.[3] A AQAP usou instabilidade decorrente da Revolução Iemenita de 2011-2012 para assumir o controle de faixas do sul do Iêmen.[4] O ataque também seguiu-se aos bombardeios com drones estadunidenses no Iêmen, no qual a AQAP declarou que o atentado foi uma retaliação.

Ataque[editar | editar código-fonte]

O ataque aconteceu na Praça Sabin, perto do palácio presidencial do Iêmen, enquanto os soldados se organizavam para um ensaio para as cerimônias do Dia da Unidade.[5] De acordo com oficiais de segurança iemenitas, o homem-bomba era um soldado desonesto participando do ensaio usando um cinto de explosivos. Os primeiros relatórios sugeriram algumas dezenas de baixas, mas no início da tarde o número de mortos confirmados era de noventa, com pelo menos 222 feridos.[1] As autoridades de segurança afirmaram que o atacante havia detonado seus explosivos pouco antes do ministro da Defesa Muhammad Nasir Ahmad e do chefe do Estado-Maior Ali al-Ashual serem esperados para saudar as tropas.[1] O ataque resultou numa "terrível carnificina", com uma testemunha descrevendo "braços e pernas espalhados no chão... os feridos estavam amontoados uns sobre os outros, cobertos de sangue".[3] Outro soldado que estivera presente durante o ataque o chamou de um "massacre".[6] A Al Arabiya relatou 96 mortos e mais de 300 feridos na explosão.[2] No final do dia, o número de vítimas foi aumentado novamente, desta vez para mais de 120 mortos e quase 350 feridos, alguns deles gravemente.[6]

Um médico em um hospital de Saná descreveu as instalações médicas da cidade como sobrecarregadas e afirmou que o ataque deixou dezenas paralisadas.[1] A maioria das vítimas seriam da Organização Central de Segurança - uma grande força paramilitar comandada por Yahya Saleh, sobrinho do ex-presidente Ali Abdullah Saleh. Poucas horas depois do ataque, Saleh foi demitido de seu cargo por decreto presidencial.[1]

Referências

  1. a b c d e «'Al-Qaeda attack' on Yemen army parade causes carnage». BBC News. 21 de Maio de 2012 
  2. a b «Al-Qaeda claims bombing that killed nearly 100 Yemeni soldiers». Al Arabiya. 21 de Maio de 2012 
  3. a b Robert F. Worth and Eric Schmitt (21 de maio de 2012). «Qaeda Link Seen in Deadly Blast in Yemen Capital». The New York Times 
  4. «Al-Qaeda do Iêmen assume atentado que matou dezenas; ministro era alvo». G1. 21 de maio de 2012 
  5. «Al-Qaida Says Yemen Suicide Bombing Was 'Revenge'». Voice of America. 21 de Maio de 2012 
  6. a b «Death Toll Rises to over 120 after Yemen Parade Bombing». Yemen Post. 21 de Maio de 2012 
  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «2012 Sana'a bombing».