Audiodescrição

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Audiodescrição é uma faixa narrativa adicional para pessoas com deficiência visual, intelectual, dislexia e idosos, consumidores de meios de comunicação visual, onde se incluem a televisão, o cinema, a dança, a ópera e as artes visuais. Consiste num narrador que fala durante a apresentação, descrevendo o que está a acontecer no ecrã durante as pausas naturais do áudio e por vezes durante diálogos, quando considerado necessário.[1]

As artes performativas (teatro, dança, ópera) e para os meios de comunicação (televisão, cinema e DVD), a descrição é uma forma de tradução audiovisual, usando as pausas naturais no diálogo ou entre elementos sonoros cruciais para inserir a narrativa, que traduz a imagem visual de uma forma que a torna acessível a milhões de indivíduos que de outro modo não teriam um acesso pleno à televisão e ao cinema.

Em museus ou em exposições de artes visuais, visitas com audiodescrição (ou em circuitos concebidos universalmente que incluem descrição ou a extensão dos atuais programas gravados em áudio ou em vídeo) são utilizados para proporcionar acesso aos visitantes que são cegos ou possuem uma visão reduzida. Professores ou guias podem ser instruídos no sentido de utilizar a audiodescrição nas suas apresentações. A audiodescrição de eventos desportivos está a tornar-se cada vez mais comum, especialmente em estádios de futebol.

Investigadores estão a trabalhar no sentido de demonstrar como a descrição, através do uso de variadas escolhas de palavras, sinônimos, metáforas e comparações, beneficia não só as crianças que são invisuais e/ou com dificuldade de aprendizagem, mas poderá também impulsionar a literacia para todas as crianças.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O maior repositório de informações sobre a audiodescrição no Brasil é o Blog da Audiodescrição, criado em 2009 por Paulo Romeu Filho.[2]

O percurso jurídico da luta pela implementação da audiodescrição na TV no Brasil foi descrito em detalhes no artigo “A Saga da Audiodescrição no Brasil”, publicado no primeiro livro lançado no Brasil sobre o tema, Audiodescrição, transformando imagens em palavras, de Livia Maria Villela de Mello Motta e Paulo Romeu Filho.[3] [4]

A primeira audiodescrição realizada no Brasil ocorreu no Rio de Janeiro, no dia 12 de agosto de 2003, no Festival Assim Vivemos – Festival International de Filmes sobre Deficiência, no Centro Cultural Banco do Brasil. [5] Durante 6 dias, todos os 29 filmes exibidos no festival foram audiodescritos ao vivo por dois atores e os usuários da audiodescrição acompanharam os filmes por meio de fones de ouvido durante as sesões regulares do festival. A segunda ocorrência de audiodescrição no cinema foi nos dias 16 a 21 de setembro de 2003 em Brasília, no mesmo festival de cinema, apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília. [6] [7] [8]


A partir de 1º de julho de 2011 foi instituída no Brasil a obrigatoriedade de pelo menos duas horas semanais de conteúdo com audiodescrição para as emissoras com sinal aberto e transmissão digital, na condição de faixa de áudio adicional.[9]

Referências

  1. Planeta Educação. Audiodescrição – recurso de acessibilidade para a inclusão cultural das pessoas com deficiência visual. Acesso em 6 de maio de 2011
  2. Romeu Filho, Paulo (2009). «Blog da Audiodescrição» 
  3. Romeu Filho, Paulo. «A Saga da Audiodescrição no Brasil» 
  4. Motta & Romeu Filho, Livia Maria Villela de Melo, Paulo (2011). Audiodescrição, Transformando Imagens em Palavras. São Paulo: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. pp. 43–66 
  5. Machado, Flávia Oliveira. «"ACESSIBILIDADE NA TELEVISÃO DIGITAL: ESTUDO PARA UMA POLÍTICA DE AUDIODESCRIÇÃO NA TELEVISÃO BRASILEIRA"» (PDF) 
  6. Gilbert, Ana Cristina Bohrer. «Narrativas sobre síndrome de Down no Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência Assim Vivemos» (PDF) 
  7. «Audiodescrição é ferramenta de inclusão, diz especialista da área - Notícias da UFMG». UFMG. Consultado em 20 de março de 2021 
  8. Villela & Stamato, Lucinéa Marcelino & Ana Beatriz Taube. «"Recursos de Tradução Audiovisual aplicados à área de educação e acessibilidade"» (PDF) 
  9. Agência Brasil - EBC (1 de julho de 2011). «Emissoras de TV são obrigadas a transmitir programas adaptados para pessoas com deficiência visual». 01/07/2011. Consultado em 6 de julho de 2011