Augusto Heleno

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Augusto Heleno
47.º Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Brasil
Período 1 de janeiro de 2019
até a atualidade
Presidente Jair Bolsonaro
Antecessor Sérgio Etchegoyen
Dados pessoais
Nome completo Augusto Heleno Ribeiro Pereira
Nascimento 29 de outubro de 1947 (72 anos)
Curitiba, Paraná
Nacionalidade brasileiro
Alma mater Academia Militar das Agulhas Negras
Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
Partido PRP (2018)[1]
Assinatura Assinatura de Augusto Heleno
Serviço militar
Serviço/ramo Coat of arms of the Brazilian Army Exército Brasileiro
Anos de serviço 1966–2011
Graduação General do Exército.gif General de Exército
Comandos
Condecorações

Augusto Heleno Ribeiro Pereira ORBOMMOMJM (Curitiba, 29 de outubro de 1947) é um general-de-exército da reserva do Exército Brasileiro. Filho de Ary de Oliveira Pereira e Edina Ribeiro Pereira, é casado com Sonia Pereira. Foi comandante militar da Amazônia e Chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia. Tem posições claramente críticas com relação às políticas oficiais, particularmente no que se refere à atitude da comunidade internacional com relação ao Haiti e à política indigenista do governo brasileiro.

Atualmente é o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, no governo Jair Bolsonaro.[2]

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Graduou-se aspirante-a-oficial de cavalaria em 1969, na Academia Militar das Agulhas Negras, sendo o primeiro colocado de sua turma de cavalaria. Foi também o primeiro colocado de sua turma de cavalaria na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO) e na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), recebendo por isso a medalha Marechal Hermes de prata dourada com três coroas. No posto de major, integrou a missão militar brasileira de instrução no Paraguai. Como coronel, comandou a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas, e foi adido militar da Embaixada do Brasil em Paris, acreditado também em Bruxelas. Como oficial-general, foi comandante da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e do Centro de Capacitação Física do Exército, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército e do Gabinete do Comandante do Exército.

De junho de 2004 a setembro de 2005, foi o primeiro comandante militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), constituída de um efetivo de 6250 capacetes azuis de treze países, dos quais sete latino-americanos. Da mesma forma que o embaixador chileno Juan Gabriel Valdés, representante especial do secretário-geral da ONU e chefe da missão, e dos governos de países latinos, o General Heleno expressou sua discordância quanto à estratégia adotada pela comunidade internacional em relação ao Haiti.[3] Sucedeu-lhe no comando da MINUSTAH o general Urano Teixeira da Mata Bacelar, que acabaria por suicidar-se em Porto Príncipe, quatro meses depois, em janeiro de 2006. Em 2006, deu uma palestra na polêmica Escola das Américas.[4]

Como comandante militar da Amazônia, o general Heleno contestou a política indigenista do governo Lula, que qualificou de "lamentável para não dizer caótica", durante palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, à época da demarcação da terra indígena de Raposa/Serra do Sol. Afirmou que os índios "gravitam no entorno dos nossos pelotões porque estão completamente abandonados". [5]

Sua última função no serviço ativo foi a de chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia. Em 9 de maio de 2011, numa cerimônia no Quartel General do Exército em Brasília, passou para a reserva,[6] após 45 anos de vida militar. Nessa mesma ocasião, defendeu o regime militar de 1964.[carece de fontes?]

Vida após a transferência para a reserva[editar | editar código-fonte]

Atuou como consultor de segurança e assuntos militares do Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde também colaborava com comentários na programação das emissoras.[carece de fontes?]

Exerceu o cargo de diretor de comunicação e educação corporativa do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).[7]

Em 18 de julho de 2018, circulou a notícia que seria indicado como candidato à vice-presidência da República, na chapa de Jair Bolsonaro.[8][9] O general negou a candidatura, por não ser de interesse de seu partido,[1] mas continuou a apoiar a candidatura do deputado à presidência da República e foi chamado para ser seu ministro da Defesa.[10] No entanto, dez dias depois confirmou que Bolsonaro o havia escolhido para o comando do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.[2]

Embora negue ser eminência parda de Bolsonaro, é conselheiro político deste. Também rejeita ser um Golbery do Couto e Silva, general muito influente durante a ditadura militar.[11]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Massacre no Haiti[editar | editar código-fonte]

Em 2005, General Heleno liderou uma operação intitulada "Punho de Ferro" no bairro de Cité Soleil em Porto Príncipe, no Haiti.[12] O relatório oficial sobre a operação insinuou um saldo de seis mortes,[13] mas uma investigação jornalística da agência de notícias Reuters entrevistou diplomatas, trabalhadores de ONGs, autoridades do Haiti, e moradores do bairro de Cité Soleil, além de revisar relatórios da Organização das Nações Unidas, cabos diplomáticos dos Estados Unidos lançados pelo WikiLeaks, revelando que foram disparados 22 mil tiros, e que o número de mortos possivelmente chegou a mais de 70, dentre mulheres e crianças, levando grupos de direitos humanos a considerar o evento um massacre.[14]

Declarações sobre a imprensa[editar | editar código-fonte]

O general Heleno se diz descrente com a imprensa atual. Em entrevista ao telefone com o O Estado de S. Paulo no dia 31 de outubro de 2019, declarou sobre as recentes manifestações no Chile e sobre a recente controvérsia do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

O que a imprensa noticia normalmente não é a verdade. Isso a gente já se acostumou no Brasil. A imprensa não está acostumada a falar a verdade. Ela torce para o lado que ela quer. Notícia de jornal, televisão, é toda manipulada [...] Estou fora há 10 dias. Não tenho ainda informações seguras sobre o que houve no Chile. Hoje em dia não acredito em nada da imprensa.[15]

Comentário sobre ditadura militar[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2019, Augusto Heleno discutiu com Sâmia Bomfim (PSOL-SP) em uma audiência pública na Câmara dos Deputados. Segundo ele, a ditadura militar brasileira evitou que o país virasse uma "grande Cuba" e que a anistia "levou uma terrorista à Presidência da República (…) Há duas visões da História do Brasil. Para mim, não foi golpe, foi contrarrevolução. Se não houvesse contrarrevolução, hoje seríamos Cuba. A sua posição é a posição que a esquerda adotou. Essa radicalização política não interessa a ninguém."[16]

Exame de coronavírus[editar | editar código-fonte]

Sob a suspeita de estar contaminado com coronavírus, Augusto Heleno se apresentou no Hospital DF-Star para se submeter a dois exames: o primeiro, realizado no dia 17 de abril, havia dado positivo, e o segundo, no dia 30 de abril, deu resultado negativo. No dia seguinte, o general postou o resultado no seu Twitter, mas esqueceu-se de apagar os dados pessoais como RG e CPF. Isso fez com que vários comentários fossem postados nas redes sociais, de internautas que utilizaram os dados para verificar a situação de Augusto Heleno junto à Receita Federal e afirmando que iriam filiá-lo ao PSOL, entre outros memes e comentários.[17] Algumas horas depois, ele apagou o post original e republicou o exame, desta vez sem as informações pessoais.[18]

Referências

  1. a b Fernandes, Talita (18 de julho de 2018). «General Augusto Heleno afirma que não será vice de Bolsonaro». UOL. Consultado em 18 de julho de 2018 
  2. a b Amaral, Luciana; Temóteo, Antonio (7 de novembro de 2018). «General Heleno troca ministério da Defesa no governo Bolsonaro pelo GSI». UOL. Consultado em 6 de janeiro de 2018 
  3. «Haiti: um grande desafio». Folha de S.Paulo. 11 de setembro de 2005. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  4. «O Brasil na academia da repressão». ISTOÉ Independente. 26 de março de 2008. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  5. Nogueira, Ítalo (17 de abril de 2008). «Política indigenista é lamentável e caótica, diz general». Folha de S.Paulo. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  6. «General Heleno volta a defender golpe de 64 ao passar para reserva». Folha de S.Paulo. 10 de maio de 2011. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  7. Merguizo, Marcel (16 de julho de 2015). «Além de atletas-militares, COB tem general que liderou missão no Haiti». Folha de S.Paulo. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  8. Dias, Marina; Carvalho, Daniel (18 de julho de 2018). «Bolsonaro deve anunciar general como vice». Folha de S.Paulo. Consultado em 18 de julho de 2018 
  9. «Ex-chefe militar no Haiti, provável vice de Bolsonaro defendeu mandados coletivos no Rio». UOL. 18 de julho de 2018. Consultado em 18 de julho de 2018 
  10. «Bolsonaro confirma astronauta e mais 3 ministros do governo». Terra. Consultado em 6 de janeiro de 2019 
  11. Gielow, Igor (29 de dezembro de 2018). «Conselheiro de Bolsonaro, general Heleno vai enfrentar uma nova guerra». Folha de S.Paulo, de 29 de dezembro de 2018 
  12. «General Augusto Heleno, futuro ministro, liderou missão polêmica no Haiti». EXAME. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  13. «Alvo de críticas, operação no Haiti virou glória de ministro de Bolsonaro». UOL. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  14. «General behind deadly Haiti raid takes aim at Brazil's gangs». Reuters (em inglês). 29 de novembro de 2018 
  15. «'Se ele falou, tem de estudar como vai fazer', diz Heleno sobre AI-5 - Política». Estadão. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  16. «General Heleno defende ditadura militar brasileira e bate boca com deputada do PSOL». IstoÉ. Editora 3. Consultado em 8 de novembro de 2019 
  17. Soares, Ingrid (31 de março de 2020). «Ao postar exame, general Heleno esquece de apagar dados pessoais». Correio Braziliense. Consultado em 17 de maio de 2020 
  18. «General Heleno posta exame de coronavírus e vira piada na web». Catraca Livre. 31 de março de 2020. Consultado em 17 de maio de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Francisco Ronald da Silva Nogueira
Comandante da EsPCEx
19941996
Sucedido por
Mário de Oliveira Seixas
Precedido por
Sérgio Etchegoyen
47º Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República
2019–atual
Sucedido por