Aum Shinrikyo

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Aum Shinrikyo
Bandeira
Fundação 1984 (32 anos)
Tipo Novo movimento religioso japonês e antiga organização terrorista
Sede Tóquio
 Japão
Membros Cerca de 1.950 membros[1]
Línguas oficiais Japonês
Fundador Shoko Asahara
Sítio oficial www.aleph.to

Aum Shinrikyo (jap. オ ウ ム 真理 教), dividida entre os grupos Aleph e Hikari no Wa em 2007, é um culto apocalíptico fundado por Shoko Asahara em 1984 no Japão. A seita ganhou notoriedade internacional quando realizou o ataque com gás sarin ao Metrô de Tóquio em 1995 e também por um outro ataque de menor proporção com sarin no ano anterior.

O culto nunca confessou a autoria dos ataques. Aqueles que realizaram os ataques o fizeram secretamente, sem o conhecimento de seguidores comuns. Asahara transmitiu a sua pregação, insistindo em sua inocência, através de uma transmissão de rádio em um sinal de que eles compraram na Rússia e redirecionaram em direção ao Japão.[2]

A Aum Shinrikyo foi formalmente designada como uma organização terrorista por vários países, como Canadá,[3] Cazaquistão[4] e Estados Unidos.[5] O exame da Comissão de Segurança Pública do Japão considera a Aleph e a Hikari no Wa como "religiões perigosas"[6] e anunciou em janeiro de 2015 que tais cultos permanecerão sob vigilância por mais três anos.[7]

De acordo com um relatório de junho de 2005 da Polícia Nacional do Japão, a Aleph tem cerca de 1.650 membros, sendo que 650 vivem de maneira comunitária em instalações do culto.[1]

Doutrina[editar | editar código-fonte]

Aum Shinrikyo/Aleph é um sistema de crença sincrética que inspirou-se nas interpretações idiossincráticas feitas por Asahara de elementos do início do budismo indiano e do budismo tibetano, juntamente com o hinduísmo, tendo Shiva como imagem principal de culto e incorporando ideias milenaristas do livro cristão do Apocalipse, do yoga e de escritos de Nostradamus.[8][9] Seu fundador, Chizuo Matsumoto, alegou que ele procurava restaurar "o budismo original".[10] Em 1992, Matsumoto, que mudou seu nome para Shoko Asahara, publicou um livro fundamental e declarou-se "Cristo",[11] único mestre completamente iluminado do Japão e identificado com o "Cordeiro de Deus".[12] Sua missão seria tomar para si os pecados do mundo. Ele alegava que poderia transferir poder espiritual a seus seguidores e tirar os seus pecados e más ações.[13] Estudiosos muitas vezes se referem ao culto como um ramo do budismo japonês[14] e foi assim que o movimento geralmente se define.[15]

Asahara delineou uma profecia do fim do mundo, que incluiu uma Terceira Guerra Mundial que seria instigada pelos Estados Unidos.[16] Robert Jay Lifton, um psiquiatra e autor estadunidense, diz que Asahara "descreveu um conflito final culminando em um 'Armageddon' nuclear", tomando emprestado o termo do livro do Apocalipse.[17] A humanidade iria ser destruída, exceto a pequena elite que se juntar à Aum.[17] A missão do culto seria não só espalhar a palavra de "salvação", mas também para sobreviver ao "fim dos tempos". Asahara previu que o fim do mundo ocorreria em 1997.[17] Kaplan também observa que, em palestras de Shoko Asahara, ele se referia aos Estados Unidos como "Besta do Apocalipse", prevendo que o país acabaria por atacar o Japão.[17] Arthur Goldwag, autor de um livro Random House book on Conspiracies and Secret Societies, caracteriza Asahara como alguém que "viu conspirações sombrias em todos os lugares promulgadas por judeus, maçons, holandeses, a família real britânica e por religiões japonesas rivais.[18]

História[editar | editar código-fonte]

O movimento foi fundado por Shoko Asahara em seu apartamento de um quarto no bairro de Shibuya, em Tóquio, em 1984, começando como uma classe de yoga e meditação[19] conhecida como Oumu Shinsen no Kai (オ ウ ム 神仙 の 会 ) e foi crescendo nos anos seguintes. Ele ganhou o estatuto oficial de organização religiosa em 1989 e atraiu um número considerável de graduados de universidades de elite japonesas, assim sendo apelidada de "religião da elite".[20]

Atividades[editar | editar código-fonte]

Embora Aum sempre fosse considerada controversa no Japão, antes dos ataques em Tóquio ainda não era associada a crimes graves. Foi durante este período que Asahara se tornou obcecado com profecias bíblicas. As atividades de relações públicas da Aum incluíam quadrinhos e desenhos animados que tentaram amarrar suas ideias religiosas populares a temas de animes e mangás, como missões espaciais, armas poderosas, conspirações mundiais e busca pela "verdade final".[21] A Aum publicou várias revistas, como a Vajrayana Sacca, onde adota uma atitude missionária.[20]

O culto começou a atrair controvérsia no final dos anos 1980 por acusações de fraude ao recrutar novos membros, por manter seguidores na seita contra a sua vontade e por forçar membros a doar dinheiro; o grupo matou um membro da seita que tentou sair em fevereiro de 1989.[22][23]

Ataque ao metrô de Tóquio[editar | editar código-fonte]

Na manhã de 20 de março de 1995, membros da Aum lançaram gás sarin em um ataque coordenado em cinco trens do sistema de metrô de Tóquio, matando 13 passageiros, ferindo gravemente 54 pessoas e afetando outras 980. Algumas estimativas dizem que mais de 6 mil pessoas ficaram feridas pelos efeitos do sarin. É difícil obter números exatos uma vez que muitas vítimas preferiram não se identificar.[24] Os promotores alegam que Asahara foi avisado sobre batidas policiais planejadas nas instalações do culto por um membro e ordenou um ataque no centro de Tóquio para desviar a atenção da polícia para longe do grupo. O ataque, evidentemente, foi ineficaz e a polícia acabou por realizar enormes incursões simultâneas em locais de culto em todo o país.[25]

Durante a semana seguinte, a escala completa de atividades de Aum foi revelada pela primeira vez. Na sede do culto em Kamikuishiki, província de Yamanashi, no sopé do Monte Fuji, a polícia encontrou explosivos, armas químicas e um helicóptero militar russo Mil Mi-17. Embora tenha havido alegações de agentes de guerra biológica, como antraz e ebola, parece ter havido algum exagero.[26] Havia estoques de produtos químicos que poderiam ser usados ​​para a produção de sarin suficiente para matar quatro milhões de pessoas.[27]

Na noite de 5 de Maio, um saco de papel em chamas foi descoberto em um banheiro na movimentada estação de Shinjuku, em Tóquio. Após um exame, foi revelado que era um dispositivo de cianeto de hidrogénio que, se não tivesse sido extinto a tempo, teria lançado gás suficiente no sistema de ventilação para, potencialmente, matar 10 mil passageiros.[28]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b [1]
  2. VI. Overseas Operations. Global Proliferation of Weapons of Mass Destruction: A Case Study on the Aum Shinrikyo. Retrieved 24 December 2015.
  3. "Order Recommending that Each Entity Listed as of 23 July 2004, in the Regulations Establishing a List of Entities Remain a Listed Entity", Canada Gazette Part II, Vol. 138, No. 24
  4. "East Turkistan Liberation Organization (ETLO)", Globalsecurity.org
  5. Fletcher, Holly (19 de junho de 2012). «CFR Backgrounder: Aum Shinrikyo (archived)». Council on Foreign Relations [S.l.: s.n.] 
  6. National Police Agency (Japan) (2009), "The White Paper on Police 2009 (平成21年警察白書, Heisei Nijūichi nen Keisatsu Hakusyo?)), GYOSEI Corporation, English p. 160.
  7. Kyodo, Jiji (24 de janeiro de 2015). «Surveillance of Aum successor cults extended three more years». Japan Times [S.l.: s.n.] 
  8. Jackson, Brian Anthony; John C. Baker (2005). Aptitude for Destruction: Case Studies of Organizational Learning in Five Terrorist Groups RAND Corporation [S.l.] p. 11. ISBN 978-0-8330-3767-1. 
  9. Ian Reader (2000). Religious Violence in Contemporary Japan: The Case of Aum Shinrikyō University of Hawaii Press [S.l.] pp. 66–68. ISBN 978-0824823405. 
  10. Richard Danzig, Marc Sageman, Terrance Leighton, Lloyd Hough, Hidemi Yuki, Rui Kotani and Zachary M. Hosford (2000). Aum Shinrikyo Insights Into How Terrorists Develop Biological and Chemical Weapons (PDF) Center for a New American Security [S.l.] p. 10. 
  11. Snow, Robert L. (2003). Deadly Cults: The Crimes of True Believers Greenwood Publishing Group [S.l.] p. 17. ISBN 978-0-275-98052-8. 
  12. Partridge, Christopher Hugh (2006). The Re-Enchantment of the West: Alternative Spiritualities, Sacralization, Popular Culture, and Occulture Continuum International Publishing Group [S.l.] p. 300. ISBN 978-0-567-04133-3. 
  13. Griffith, Lee (2004). The War on Terrorism and the Terror of God William B. Eerdmans Publishing Company [S.l.] p. 164. ISBN 978-0-8028-2860-6. 
  14. Terror in the Mind of God: The Global Rise of Religious Violence by Mark Juergensmeyer, University of California Press 2003, p.103 ISBN 0-520-24011-1
  15. Poisonous Cocktail: Aum Shinrikyo's Path to Violence by Ian Reader, NIAS Publications 1996, p.16 ISBN 87-87062-55-0
  16. Cronin, Audrey Kurth (2009). How Terrorism Ends: Understanding the Decline and Demise of Terrorist Campaigns Princeton University Press [S.l.] p. 23. ISBN 978-0-691-13948-7. 
  17. a b c d Lifton, Robert Jay, Destroying the World to Save It: Aum Shinrikyo, Apocalyptic Violence, and the New Global Terrorism. New York: Macmillan (2000).
  18. Goldwag, Arthur (2009). Cults, Conspiracies, and Secret Societies: The Straight Scoop on Freemasons, the Illuminati, Skull and Bones, Black Helicopters, the New World Order, and Many, Many More Random House [S.l.] p. 15. ISBN 978-0-307-39067-7. 
  19. Shupe, Anson D. (1998). Wolves Within the Fold: Religious Leadership and Abuses of Power Rutgers University Press [S.l.] p. 34. ISBN 978-0-8135-2489-4. 
  20. a b Lewis, James R.; Jesper Aagaard Petersen (2005). Controversial New Religions Oxford University Press [S.l.] p. 162. ISBN 978-0-19-515683-6. 
  21. Macwilliams, Mar Wheeler (2008). Japanese Visual Culture: Explorations in the World of Manga and Anime M. E. Sharpe [S.l.] p. 211. ISBN 978-0-7656-1602-9. 
  22. «Aum member tells of 2 deaths at compound». The Daily Yomiuri (Tokyo: The Japan News). 24 September 1995. p. 1. 
  23. «Asahara rearrested in 1989 cultist murder». The Daily Shimbun The Japan News [S.l.] 21 de outubro de 1995. p. 2. 
  24. Haruki Murakami, Alfred Birnbaum, Philip Gabriel, Underground Vintage International 2001.
  25. Danzig, Richard, Marc Sageman, Terrance Leighton, Lloyd Hough, Hidemi Yuki, Rui Kotani and Zachary M. Hosford, "Aum Shinrikyo: Insights Into How Terrorists Develop Biological and Chemical Weapons", Center for a New American Security, Julho de 2011.
  26. Smitheson, Amy E. (9 de outubro de 2000). Ataxia: The Chemical and Biological Terrorism Threat and the US Response (PDF) [S.l.: s.n.] p. 77. Consultado em 24 de junho de 2015. 
  27. Townshend, Charles (2011). Terrorism : a very short introduction 2nd ed. (Oxford [u.a.]: Oxford Univ. Press). p. 116. ISBN 9780199603947. Consultado em 7 de agosto de 2012. «(... enough Sarin in Aum's possession to kill over 4 million people).» 
  28. «Chronology: Events involving Aum Shinrikyo». The Nikkei Weekly (New York: The Nihon Keizai Shimbun, Incorporated). 22 de maio de 1995. p. Issues & People, page 3. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Shimazomo, Susumu "Aum Shinrikyo". Encyclopedia of New Religious Movements. Ed. Clarke, Peter B. Londres: Routlege. 50-52. ISBN 9780415267076 Consultado em 2015-12-06. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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