Auréolo

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Auréolo
Efígie de Auréolo segundo o Promptuarii Iconum Insigniorum
Usurpador do Império Romano
Reinado 268
Antecessor(a) Galiano
Sucessor(a) Galiano
 
Nascimento século III
  Dácia
Morte 268
  Mediolano, Itália
Religião Paganismo

Marco/Mânio Acílio Auréolo (em latim: Marcus/Manius Acilius Aureolus), melhor conhecido apenas como Auréolo, foi oficial e então usurpador do século III contra o imperador Galiano (r. 253–268), um dos Trinta Tiranos da História Augusta. De origem humilde, nasce em data incerta na Dácia. Logo decide mudar de vida e se alista no exército, onde opera como mantenedor dos cavalos imperiais. Sob Valeriano (r. 253–260), suprime Ingênuo e Regaliano (r. 260). Em 261, ajuda na supressão de Macriano e Macriano Menor (r. 260–261) e em 262 participa no ataque de Galiano contra Póstumo (r. 260–269). Em 267/268, estava na Récia, talvez como líder legionário, e se muda com suas forças para Mediolano, onde se rebela contra Galiano em nome de seu aliado Póstumo. Com o assassínio de Galiano no mesmo ano, Auréolo foi morto pelos guardas de Cláudio II (r. 268–270).

Nome[editar | editar código-fonte]

Esse oficial aparece na documentação sob os nomes M. Acílio Auréolo. Seu prenome é motivo de discussão e foi pensado que talvez seria Marco ou Mânio.[1]

Vida[editar | editar código-fonte]

Antoniniano de Galiano (r. 253–268)
Antoniniano de Cláudio II (r. 268–270)

Auréolo nasceu na Dácia em data incerta, tendo origens humildes. Era pastor e decidiu melhorar de vida ao entrar no exército. Por ser ambidestro e por suas habilidades manuais, tornou-se mantenedor dos cavalos imperiais (designado pelo título frontista por Zonaras, que no contexto em questão não parece empregá-lo como ofício).[2] No reinado de imperador Valeriano (r. 253–260), distinguiu-se na Batalha de Mursa de 260 contra os usurpadores Ingênuo e Regaliano (r. 260).[3] Então serviu sob Galiano (r. 261–267) na Ilíria como chefe de cavalaria. Em 261, envolveu-se na supressão dos usurpadores Macriano (r. 260–261) e Macriano Menor (r. 260–261) na Ilíria; [4][5] pessoalmente não participou, mas enviou seu subordinado Domiciano.[6] Em 262, Galiano lançou um ataque contra o imperador gálico Póstumo (r. 260–269), mas por descuido de Auréolo, ele fugiu;[7] John Bray propôs que estaria em acordo com Póstumo à época e a fuga do último teria sido facilitada por essa razão.[8]

No fim de 267 ou início de 268, segundo João Zonaras, escrevendo no século XII, era comandante de toda a cavalaria, o que parece improvável dada a sua inação em batalhas coetâneas relevantes nas quais o papel da cavalaria foi decisivo. Zósimo afirmou que ele, na verdade, era comandante de toda a cavalaria estacionada nos arredores de Mediolano, enquanto Sexto Aurélio Vítor, num relato mais provável, afirmou que estava no comando da legião da Récia. Bray sustenta a hipótese alegando que, se confirmada, explicaria a razão dos alamanos terem reinvadido o Império Romano a partir da Récia no início do reinado de Cláudio II (r. 268–270) mesmo depois de derrotados por Galiano oito ou nove anos antes.[9] David L. Vagi, a seu turno, pensa que foi enviado à Récia para recrutar mais tropas para só então ir para Mediolano.[10]

Nesse momento, dirigiu-se para Mediolano com sua legião, deixando a Récia desprotegida e vulnerável ao futuro ataque alamano, e obteve o comando da cavalaria estacionada nos arredores da cidade. Por muito tempo, pensou-se que teria reivindicado o império para si, mas hoje acredita-se que estava agindo como representante de Póstumo, pois a casa da moeda de Mediolano emitiu moedas em nome de Póstumo. Se reivindicou a púrpura para si, o fez nos últimos tempos de sua ocupação do norte da Itália na tentativa de reordenar suas destroçadas forças e então moedas foram emitidas em seu nome.[11] Michel Polfer sugeriu que teria se declarado imperador, mas logo em seguida aliado-se a Póstumo.[12]

Sexto Aurélio Vítor alegou que Auréolo teria usurpado o poder por desgostar da inatividade de Galiano. Galiano, que estava em campanha contra os godos que atacaram os Bálcãs, entregou o comando da campanha a Marciano e imediatamente partiu à Itália com o grosso do seu exército de campo. O exército rebelde foi encontrado em Pontirolo, como é hoje chamada a Ponte de Auréolo sobre o Ada a algumas milhas de Mediolano. O exército rebelde foi decisivamente derrotado e repelido à cidade, onde foi sitiado.[13] Durante o cerco, Galiano foi morto em conspiração. Auréolo parece ter tentado se render, mas ao fracassar decidiu lutar e foi morto pelos homens de Cláudio II ou seus próprios homens.[14][15][16] Para John Bray, Auréolo foi figura central no destino de Galiano, um brilhante e confiável general, muito confiável e por muito tempo, que foi esquecido por um ato de traição apenas para trair novamente.[17]

Antoniniano de Mediolano cunhado por Auréolo em nome de seu aliado Póstumo

Numismática[editar | editar código-fonte]

Áureos com o nome de Auréolo são tidos hoje como falsificações, enquanto emitiu em Mediolano áureos e denários duplos em nome de Póstumo. Suas moedas distinguem-se das emitidas por Póstumo em Lugduno e Colônia Agripina por sua gravura final "compacta" e suas pranchetas (placas para fazer moedas) grossas e curtas. Também distinguem-se pelo uso comum de um P, S ou T no exergo para indicar as oficinas em uso em Mediolano (Prima, Secunda e Tércia). Outra característica das moedas é a inscrição do reverso, pois a maioria delas termina com Aequit, Equit ou Equitum, termos que aludem aos equestres (cavaleiros), o corpo de cavaleiros sob comando de Auréolo.[18]

Referências

  1. Vagi 2000, p. 389.
  2. Bray 1997, p. 65.
  3. Potter 2004, p. 256.
  4. Potter 2004, p. 259.
  5. Weigel 1998.
  6. Bunson 1995, p. 48.
  7. Polfer 2000.
  8. Bray 1997, p. 136-137.
  9. Bray 1997, p. 290.
  10. Vagi 2000, p. 353.
  11. Bray 1997, p. 290-291.
  12. Potter 2004, p. 263.
  13. Bray 1997, p. 292.
  14. Martindale 1971, p. 138.
  15. Nicholson 2018, p. 182.
  16. Potter 2004, p. 264.
  17. Bray 1997, p. 65-66.
  18. Vagi 2000, p. 391.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bray, John (1997). Gallienus : A Study in Reformist and Sexual Politics. Kent Town: Wakefield Press. ISBN 1-86254-337-2 
  • Bunson, Matthew (1995). A Dictionary of the Roman Empire. Oxônia e Nova Iorque: Oxford University Press 
  • Martindale, J. R.; A. H. M. Jones (1971). The Prosopography of the Later Roman Empire, Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Nicholson, Oliver; Casey, P. J. (2018). «Aureolous». In: Nicholson, Oliver. The Oxford Dictionary of Late Antiquity. Oxônia: Oxford University Press 
  • Potter, David Stone (2004). The Roman Empire at Bay AD 180–395. Londres/Nova Iorque: Routledge. ISBN 0-415-10057-7 
  • Vagi, David L. (2000). Coinage and History of the Roman Empire, c. 82 B.C.– A.D. 480. Chicago: Fitzroy Dearborn. ISBN 9781579583163