Avenida Arriaga (Funchal)

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Avenida Arriaga
Funchal,  Madeira, Portugal Portugal
Início da Avenida Arriaga no Largo D. Manuel I
Nomes anteriores Terreiro da Sé, Rua dos Frades, Rua do Mercado ou do Mercado de S. João, Praça da Constituição, Praça Real, Passeio Público, Praça da República, Rua Hermenegildo Capelo, Avenida Oeste e Rua Dr. Manuel de Arriaga (até 1932)
Inauguração 1916
Extensão 417 m
Início Largo D. Manuel I (Largo da Sé)
Fim Rotunda do Infante

A Avenida Arriaga é o centro e uma das mais importantes e históricas artérias do Funchal. Esta via liga a Rua do Aljube e o Largo Dom Manuel I, mais conhecido por Largo da Sé, à Rotunda do Infante.

História[editar | editar código-fonte]

Na segunda metade do século XV, em parte da zona onde agora é a Avenida, existia um terreno de canaviais conhecido por Campo do Duque, do qual um chão foi doado ao concelho do Funchal em 1485, pelo duque D. Manuel, o donatário do arquipélago, para construção de uma igreja (a Sé Catedral), uma praça e a Casa do Concelho.

No século XIX, o Largo da Sé era comummente denominado de Passeio Público ou simplesmente de Passeio. Este largo foi também chamado de:

Entre o Passeio e a cerca do antigo Convento de São Francisco (atual Jardim Municipal), localizava-se o Jardim Pequeno, anteriormente designado de Largo do Chafariz.

Entre a Calçada de São Lourenço e a margem esquerda da Ribeira de São João (Rua Serpa Pinto), ficava a Rua de Hermenegildo Capelo, que foi também conhecida por Rua dos Frades ou do Mercado de São João.

Em 1914, principiaram os trabalhos de construção desta avenida, inicialmente denominada de Rua Dr. Manuel de Arriaga e, a partir de março de 1932, de forma abreviada, Avenida Arriaga.

O primeiro troço desta avenida, entre a Catedral e o Jardim Pequeno, ficou concluído em maio de 1916, enquanto o prolongamento até à Ribeira de São João, aprovado pela Junta Geral do Distrito em 1930, foi terminado nos anos quarenta.

Manuel de Arriaga (1840-1917) foi o primeiro presidente da República Portuguesa e primeiro deputado republicano pelo círculo do Funchal, eleito em 1882 e cujo mandato terminou em 1884. Foi novamente eleito deputado pela Madeira em 1911.

Testemunha das transformações urbanas desta zona da cidade do Funchal, a escritora Luzia (1875-1945) deixou-nos a seguinte observação nostálgica:

Não esqueceste, decerto, aquele velho passeio da Constituição, onde se festejavam com música e iluminações de vidrinhos de cores, todas as nossas datas gloriosas e à sombra de cujas lindas, frondosas árvores, era moda sentarem-se as elegantes do bom velho tempo… Pois o fino gosto dos nossos governantes não pôde suportar velharia tão inútil, incómoda, atravancadora e, ainda por cima, atentatória do regime… Árvores que ouviram o hino da Carta, onde, porventura tremularam bandeiras azuis e brancas, são árvores suspeitas, criminosas. E as grandes figueiras da Índia e as nobres magnólias tiveram o destino de tudo o que, no nosso país, é grande e nobre… Caíram assassinadas. Defronte da velha Sé escancara-se agora uma larga avenida, género modernismo, género grande cidade! – Estás a ver como diz bem com o resto… A pobre igreja tem o ar arrepiado, envergonhado de alguém que os malfeitores deixaram nu em plena rua…

Luzia, Cartas do Campo e da Cidade. Lisboa: Portugália, 1923[1][2]

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Paulo Camacho. «Avenida Arriaga». Ruas do Funchal. Consultado em 11 de dezembro de 2014 
  2. Nelson Veríssimo. «Avenida Arriaga». Passos na Calçada. Consultado em 11 de dezembro de 2014