Aeronave experimental

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Uma aeronave experimental é uma aeronave que não está certificada para uso regular, seja militar ou civil. Geralmente implica a pesquisa de aspectos relacionados com a atitude de voo e ou a experimentação de novas tecnologias aeroespaciais. Também designados como demonstradores de tecnologia, a sua construção destina-se especificamente a um único propósito, relacionado com um ou mais programas de pesquisa usualmente de carácter militar, patrocinados ou construídos por agências publicas ou privadas, para uso militar, comercial ou simplesmente por uma questão de hobbie.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Após os primeiros passos da civilização, egípcios, gregos e chineses começaram a conceber pequenos objectos voadores[2] , porém, nenhum pode ser considerado uma aeronave. Por volta do séc. VI d.C. os chineses, por exemplo, já construíam asa-deltas robustas o suficiente para suportar o peso de um homem de médio porte.[3] A primeira pessoa a dedicar-se à concepção de uma aeronave foi Leonardo DaVinci,[4] contudo os seus desenhos não foram materializados em verdadeiras máquinas voadoras. No séc. XVIII d.C. deu-se o primeiro voo de um aerostato, obra do português Bartolomeu de Gusmão, que o apresentou à corte portuguesa e o baptizou de "Passarola".[5]

Contudo, só a partir do final do século XIX é que um grupo de pioneiros, um pouco por todo o mundo, dedicaram-se a construir aeronaves experimentais, numa corrida para ver quem seria o primeiro a conceber o primeiro aeródino.[4]

Havendo frequentemente uma "explosão" de aeronaves experimentais em períodos de guerras, como por exemplo na Primeira Grande Guerra, na Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria, muitos pioneiros e construtores de aeronaves têm focado-se ao longo da história a criar aeronaves experimentais para bater recordes de velocidade, como o X-15 ou o X-45,[6] alcance máximo, peso máximo de descolagem e, mais recentemente, a experimentação tem sido usada para testar novos componentes tecnológicos, materiais de maior durabilidade e sustentabilidade, como o experimental Solar Impulse.[7]

Depois de efectuarem diversos testes, é comum aeronaves experimentais receberem o certificado de aeronavegabilidade, e algumas chegam a tornam-se verdadeiros ícones, como o protótipo Concorde F-WTSS que se tornou no Concorde ou o Boeing N747001 que se tornou no primeiro Boeing 747, o Jumbo Jet.[8]

Importantes aeronaves experimentais[editar | editar código-fonte]

O X-15, uma das mais famosas aeronaves experimentais tripuladas.

Tipologia[editar | editar código-fonte]

Militar[editar | editar código-fonte]

As aeronaves militares experimentais, frequentemente, são demonstradores de tecnologia e/ou aeronaves de pesquisa, proporcionando investigação tecnológica e/ou estrutural sobre diferentes aspectos da performance do aparelho, que mais tarde poderá reflectir também nas aeronaves de uso exclusivamente civil. Num destes casos, por exemplo, a tecnologia fly-by-wire, usada e testada no cancelado Avro CF-105 Arrow,[17] é actualmente uma tecnologia padrão na aviação militar, comercial e executiva e também começa a ser usada nos helicópteros militares.[18]

Civil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Aviação experimental

Mais recentemente, começaram também a ser designados como aviões experimentais aqueles de construção amadora (não industrial), destinados ao voo de recreio e conhecidos como ultraleves.[19] No entanto, precisam de ser homologados pela respectiva entidade nacional responsável e a sua construção está devidamente regulamentada, nomeadamente os seus requisitos mínimos e de voo, processo de fabricação e habilitação dos pilotos:

Nos Estados Unidos (e na Austrália também) existem leis mais flexíveis sobre aviões experimentais do que nos restantes países, o que induziu uma grande quantidade de aviões de montagem caseira e ex-militares aptos a voar, regulados no entanto pela Administração Federal de Aviação.[22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FAA.gov - Aeronaves Experimentais
  2. «A história da aviação». Consultado em 2015-09-18. 
  3. «Top 10 Ancient Chinese Inventions». Consultado em 2015-09-21. 
  4. a b «History of Flight». www.grc.nasa.gov. Consultado em 2015-09-18. 
  5. «Bartolomeu Lourenço de Gusmão». www.reservaer.com.br. Consultado em 2015-09-21. 
  6. Cain, Fraser (31 de Agosto de 2014). «X-43 Receives Guinness World Record» (em inglês). Consultado em 18 de Setembro de 2015. 
  7. DiStasio, Cat (3 de Julho de 2015). «Sun-powered Solar Impulse lands safely in Hawaii after longest solo flight in aviation history». Consultado em 18 de Setembro de 2015. 
  8. The original Jumbo Jet gets a 21st century update Visitado em 18 de Setembro de 2015
  9. «AVRO Car». www.virtuallystrange.net. Consultado em 2015-09-21. 
  10. «Focke-Wulf Fw 61/ Focke-Achgelis Fa 61». www.historyofwar.org. Consultado em 2015-09-21. 
  11. «Heinkel He 178 - Development and Operational History, Performance Specifications and Picture Gallery - Military Aircraft». Consultado em 2015-09-21. 
  12. «Horten Ho IX / Horten Ho 229 - Development and Operational History, Performance Specifications and Picture Gallery - Military Aircraft». Consultado em 2015-09-21. 
  13. 13:14, 22 Sep 2006 at. «In search of the Caspian Sea Monster». Consultado em 2015-09-21. 
  14. «NASA Armstrong Fact Sheet: X-38 Prototype Crew Return Vehicle». Consultado em 2015-09-21. 
  15. «NASA - Faster Than a Speeding Bullet: Guinness Recognizes NASA Scramjet». www.nasa.gov. Consultado em 2015-09-21.  line feed character character in |título= at position 8 (Ajuda)
  16. «NASA Armstrong Fact Sheet: X-15 Hypersonic Research Program». Consultado em 2015-09-21. 
  17. Whitcomb, Randall L. (2008). Cold War Tech War. Politics of America's Air Defense (em inglês) (Burlington, Ontario, Canada: Apogee Books). p. 134. ISBN 1894959773. 
  18. Valduga, Fernando (25 de Agosto de 2011). «Tecnologia de controle fly-by-wire está sendo implantada em helicópteros Black Hawk do Exército dos EUA». Consultado em 18 de Setembro de 2015. 
  19. ABRAEX. «FAQ - aeronaves experimentais». Consultado em 18 de Setembro de 2015. 
  20. Governo português (2 de Maio de 1990). «Portaria n.º 332/90, de 02 de Maio de 1990». Consultado em 18 de Setembro de 2015. 
  21. «RBHA 103A, Veículos Ultraleves» (PDF). Consultado em 18 de Setembro de 2015. 
  22. FAA. «Advisor Circular» (PDF). 26 de Setembro de 2006. Consultado em 18 de Setembro de 2015. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Miller, Jay (2001). The X-Planes: X-1 to X-45. Hinckley, Reino Unido: Midland ISBN 1-85780-109-1.
  • Jackson, Paul, ed. (2000). All the World's Aircraft: 2000–2001. Coulsdon, Surrey, Reino Unido: Jane's Information Group, ISBN 0-7106-2011-X.
  • Jenkins, Dennis R. e Tony R. Landis. Experimental & Prototype U.S. Air Force Jet Fighters. North Branch, Minnesota: Specialty Press, 2008. ISBN 978-1-58007-111-6.
  • Rose, Bill. Secret Projects: Flying Wings and Tailless Aircraft. Hinckley, Reino Unido: Midland Publishing, 2010. ISBN 978-1-85780-320-4.
  • Pace, Steve. X-Fighters: USAF Experimental and Prototype Fighters, XP-59 to YF-23. St. Paul, Minnesota: Motorbooks International, 1991. ISBN 0-87938-540-5.