Ayres Campos
Ayres Campos
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| Nome completo | Ayres Kruger da Senna Campos |
| Nascimento | 26 de maio de 1923 Uberaba, MG |
| Morte | 6 de julho de 2003 (80 anos) São Paulo, SP |
Ayres Kruger da Senna Campos ou Ayres Campos (Uberaba, MG - 26 de maio de 1923 - São Paulo, 6 de julho de 2003) foi um empresário, ator, cantor e pugilista brasileiro, com atuação no rádio, cinema e televisão. Tornou-se nacionalmente conhecido durante a década de 1950 ao interpretar o super-herói Capitão 7, personagem da TV Record.
Carreira
[editar | editar código]Ayres Campos nasceu em Uberaba, no estado de Minas Gerais. Era um dos cinco filhos de Francisco Kruger, adido militar em Bombaim, na Índia.[1] Kruger trouxe gado indiano para Uberaba, mas os negócios não deram certo, e, após perder tudo, a família se mudou para Santos, onde Francisco trabalhou nas docas do porto.
Ayres começou a cantar na igreja. Alto e loiro, se parecia com o ator Errol Flynn, e herdou os hábitos atléticos de seu pai. Foi pugilista e chegou a ser campeão mineiro de boxe.[2] Iniciou o curso de odontologia, mas interrompeu os estudos e mudou-se para São Paulo aos 17 anos para seguir carreira musical.[2] Na capital paulista, cantou nas rádio PRC-6, Bandeirantes e Panamericana (atual Jovem Pan), e se apresentou no Teatro Municipal de São Paulo, com César Fronzi[2]. Interpretava músicas italianas, americanas e até japonesas.
Estreou no cinema em 1949, no filme Também Somos Irmãos.[2] Depois disso, atuou em diversos filmes da Companhia Cinematográfica Vera Cruz na década de 1950, entre eles o drama Tico-Tico no Fubá (1952) e as comédias de Mazzaropi Sai da Frente (1952), Nadando em Dinheiro (1953), Candinho (1954) e O Gato de Madame (1956).
'Capitão 7' e sucesso na TV
[editar | editar código]Em 1954, Ayres Campos candidatou-se a uma vaga na série infantil de ação Capitão 7, produzida pela TV Record e criada por Rubem Biafora.[3] O programa estreou em 24 de outubro do mesmo ano, com Campos no papel-título: um super-herói oriundo do "Sétimo Planeta", em alusão ao número do canal em São Paulo. Sua parceira na trama, inclusive, era interpretada por Idalina de Oliveira, então garota-propaganda da Record.
A TV Record lhe concedeu os direitos sobre o personagem e, a partir daí, Ayres passou a licenciá-lo para diversos produtos, como a marca de leite Vigor. O programa de TV permaneceu no ar até 1966. Com o sucesso na televisão, Campos expandiu a presença do herói para os quadrinhos, licenciando-o à Editora Continental. Em 1959, foi publicada a primeira edição revista em quadrinhos Capitão 7, inspirada em títulos norte-americanos como Buck Rogers e Flash Gordon. O personagem é considerado o primeiro super-herói brasileiro a contar com um fã-clube, formado por crianças que reproduziam seu uniforme.[3] Com isso, Ayres fundou uma empresa de fantasias que tinha o Capitão 7 como mascote, chegando a lançar em 1983, uma nova revista em quadrinhos promocional do personagem ilustrada por Douglas Galindo.[4]
Vida pessoal
[editar | editar código]Ayres fez curso de aviação nos Estados Unidos. Viajou para a Europa, se fixando em Paris, quando se interessou por perfumaria, essências e cosméticos. De volta ao Brasil, montou um laboratório de fragrâncias, que vendia para farmácias da capital paulista.
Casado, Ayres Campos teve quatro filhos e cinco netos. Morreu em julho de 2003, aos 80 anos, vítima de pneumonia. Foi sepultado no cemitério do Morumbi.[5]
Filmografia
[editar | editar código]- 1958 - Escravos do amor das amazonas
- 1957 - A lei do sertão
- 1957 - Curucu, o terror do Amazonas
- 1956 - O Gato de Madame[6]
- 1956 - A Pensão da D. Stela
- 1954 - É proibido beijar
- 1954 - Candinho
- 1953 - Sai da frente
- 1952 - Veneno
- 1952 - João Gangorra
- 1952 - Meu Destino É Pecar
- 1952 - Tico-tico no fubá
- 1949 - Também somos irmãos
- 1949 - Quase no céu
Referências
- ↑ «AYRES CAMPOS». MBRTV - Museu Brasileiro de Rádio e Televisão. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b c d «Biografia - Elizabeth Hartmann». Museu Mazzaropi. 23 de junho de 2021. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b FRANCFORT, Elmo (2022). A História da Televisão Brasileira Para Quem Tem Pressa. Rio de Janeiro: Valentina. p. 80. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ Roberto Guedes (2005). A saga dos Super-Heróis Brasileiros. [S.l.]: Opera Graphica. p. 52. ISBN 8589961230
- ↑ «Folha de S.Paulo - Memória: Morre o ator Ayres Campos, de "O Capitão Sete" - 08/07/2003». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 3 de setembro de 2025
- ↑ Cinemateca Brasileira O Gato de Madame [em linha]