Babalosaim

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Casa branca engenho velho.jpg Ilê Axé Iyá Nassô Oká - Terreiro da Casa Branca - a casa de candomblé mais antiga de Salvador, na Bahia

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Na África o Babalosanyin ou Olosanyin da mesma forma que o Babalawo e o Babaogé não conhece o transe, é a pessoa encarregada de colher as ervas, também chamada de folhas sagradas usadas tanto na religião de Òrisà, na de Orunmila-Ifa e no Culto aos Egungun.

Para ser um Babalossanyin a pessoa precisa de muitos anos de dedicação no aprendizado, ter memória privilegiada para guardar os nomes das plantas, formatos, horário da colheita, cântigas de cada folha, segredos, efeitos e aplicações. Kosí Ewé, Kosí Òrisà Não tem folha, não tem Orixá.

O babalosanyin aqui mencionado não é um babalorixá, é um cargo específico, é o Sacerdote de Osanyin, não se refere ao Elegun ou à iaô de Osanyin, que caso tenha o cargo de babalorixá ou iyalorixá terá a função diferente por entrar em transe.

No Brasil, poucas casas tem seu próprio babalossain ou olossain. Normalmente essa função é dada a um filho de Ossain, a um Ogan ou o próprio babalorixá a executa.

Ferramenta de Osanyin

Etnobotânica yoruba[editar | editar código-fonte]

A cultura yoruba assim como qualquer outra dos povos ditos primitivos possuem um sistema próprio para classificação das plantas. De acordo com Levi-Strauss em Pensamento Selvagem, em muitas culturas esse saber é dominado por todos os integrantes da tribo e relaciona-se diretamente com os sistemas de parentesco e nomeação. Naturalmente na medida em que aumenta sua complexidade formam-se os especialistas, a existência deste, representado pelo Babalossaim na referida cultura expressa a multidimensão do uso de folhas na medicina, alimentação, rituais religiosos, ou simplemente descrição da natureza.

Segundo Verger o sistema iorubá de classificação botânica, por ser diverso do elaborado por Lineu (1707-1778) usa diferentes características para identificação e classificação das plantas, sua nomeação leva em conta, seu cheiro, sua cor, a textura de suas folhas, sua reação ao toque e a reação provocada por seus contatos, entre outras.

Bastide, baseado na interpretação do mito em que Yansan espalha com o vento as folhas que Ossain guardava e estas, a partir desse instante ficam de posse dos diversos Orisás, propõe a utilização da características dos orixás (relações com as partes do corpo, cores, elementos da natureza, etc.) como critério para o sistema etnobotânico de classificação iorubá incluindo entre estas as propriedades farmacológicas e medicinais de cada espécie.

O referencial simbólico sobre cada planta contudo não se limita a ser uma versão mítica de um conjunto de características botânicas e farmacológicas, os cânticos e palavras associados a estas podem modificar o seu efeito e mesmo trazer o seu efeito sem a sua presença física. É preciso não esquecer que estamos numa encruzilhada entre a fé (religião, intuição) e a ciência (percepção, explicação lógica).

Referências[editar | editar código-fonte]

BASTIDE, ROGER. O Candomblé na Bahia: rito nagô. SP Companhia das Letras, 2001.

BARROS, JOSÉ F.P.; NAPOLEÃO, EDUARDO. Ewé Òrisà, Uso litúrgico e terapêutico dos vegetais nas casas de candomblé Jêje-Nagô. RJ, Bertrand Brasil, 1999

CABRERA, LIDIA. El Monte, Igbo-Finda; Ewé Orisha; Vititi Nfinda. Miami, Florida, Ediciones Universal, 1992

LEVI-STRAUSS, Pensamento selvagem. SP, Companhia Editora Nacional, 1976

VERGER, PIERRE. Ewé, o uso das plantas na sociedade iorubá. SP, Companhia das Letras, 1999

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

ÈWÈ - as folhas e suas propriedades medicinais

Azevedo, SHEILA K. S.; SILVA, I. M. Plantas medicinais e de uso religioso comercializadas em mercados e feiras livres no Rio de Janeiro, RJ, Brasil

CARVALHO, ALEXANDRE M. T. Um estudo sobre as religiões afro-brasileiras e a Saúde Coletiva - SUS. RJ, MS - Fiocruz, 2004