Bacia do Cunene

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Principais rios da bacia do Cunene.

A bacia do Cunene, é uma bacia hidrográfica africana, que tem seu principal flúmen de escoamento o rio Cunene, sendo uma mais importantes bacias da África Austral. Abrange aproximadamente 106 500 km²,[1] atravessando regiões áridas e com relativa densidade populacional.[2]

A área de drenagem da bacia abrange o centro, sul e sudoeste de Angola e o norte da Namíbia, sendo a principal fornecedora de água doce, energia elétrica e peixes para as populações das referidas regiões. Com notável exceção do rio Cunene, a maioria dos demais rios componentes sofrem com secas prolongadas.[3]

Seu curso navegável principal é pelo rio Cunene, sendo o tramo da foz no oceano Atlântico até cerca de 10 km após esse ponto, ainda no deserto da Namíbia, não ligando nenhuma localidade relevante.

Sub-bacias[editar | editar código-fonte]

Alto Cunene[editar | editar código-fonte]

As cabeceiras que formam a bacia do Cunene estão localizadas no Planalto Central de Angola, a altitudes entre 1700 e 2000 m, a leste da cidade do Huambo. Na divisão das águas ao norte há elevações de cinturão geológico com orientação leste-oeste e parte da drenagem direcionada para as micro-bacias do Atlântico e para a bacia do Cuanza.[4]

Na sub-bacia do Alto Cunene os principais afluentes do rio Cunene são os rios Cussava, Catapi e Que.

O aproveitamento hidroelétrico nesse ponto é feito principalmente nas centrais hidroelétricas de Cuando e Gove.

Médio Cunene[editar | editar código-fonte]

O Médio Cunene, de Matala a Calueque, consiste em colinas ao norte e terreno plano em direção ao sul. O rio corre em áreas menos íngremes do que nos trechos superiores, passando de 1300 m a 1000 m ao longo de seus 430 km de extensão. Devido ao terreno plano, existe uma enorme planície de inundação, de até 15 km de largura, contendo numerosos lagos e lagoas. No Médio Cunene, a bacia é irrigada por rios perenes que drenam grandes planícies de inundação.[5]

Na sub-bacia do Médio Cunene os principais afluentes do rio Cunene são os rios Catonga, Chitanda, Mucope e Caculuvar.

O aproveitamento hidroelétrico nesse ponto é feito principalmente nas centrais hidroelétricas de Colui, Chamutete, Tundavala, Neves e Gandijelas, havendo ainda o controle hídrico na barragem de Matala.

Baixo Cunene[editar | editar código-fonte]

O fluxo relativamente plano e mais lento do Médio Cunene a montante das corredeiras de Calueque, muda para um mais íngreme do rio no Baixo Cunene. Neste ponto há declives acentuados (em média 1400 m), corredeiras e um canal em leito rochoso. Após as corredeiras de Calueque, a trilha da planície de inundação termina e o rio se estreita consideravelmente, com seu perfil mudando abruptamente após uma série de cinco corredeiras num trecho de 37 km até as Quedas do Ruacaná.[6]

Na sub-bacia do Baixo Cunene os principais afluentes do rio Cunene são os rios Techive, Okangwati e Otjindjangi, os dois últimos do lado namibiense.

O aproveitamento hidroelétrico nesse ponto é feito pela Central Hidroelétrica do Ruacaná, havendo ainda o controle hídrico na barragem do Calueque.

Referências

  1. The River Basin. Kunene River Awareness Kit. [s/d].
  2. Pereira, Álvaro. De que Vale Tanta Água? O Papel do Sistema Institucional na Governação dos Recursos Hídricos em Angola. Brasília: IV Encontro Nacional da Anppas, 4, 5 e 6 de junho de 2008.
  3. Pereira, Álvaro. A governação da água em Angola: riscos e oportunidades. Lisboa: Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 2009
  4. The Upper Kunene River. Kunene River Awareness Kit. [s/d].
  5. The Middle Kunene River. Kunene River Awareness Kit. [s/d].
  6. The Lower Kunene River. Kunene River Awareness Kit. [s/d].