Bacia do rio Doce

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Bacia do Rio Doce.

A bacia do rio Doce situa-se na região sudeste brasileira, compreendendo uma área de drenagem de 83.400 km², sendo que 86% pertencem ao estado de Minas Gerais e 14% ao Espírito Santo. A região abrange cerca de 222 municípios.[1]

As nascentes do rio Doce estão em Minas Gerais, nas serras da Mantiqueira e do Espinhaço, sendo que suas águas percorrem 853 km até atingir o oceano Atlântico no povoado de Regência, no Espírito Santo.[1]

Os principais afluentes do rio Doce são os rios do Carmo, Piracicaba, Santo Antônio, Corrente Grande, Suaçuí Pequeno, Suaçuí Grande, São José e Pancas (margem esquerda); rio Casca, Matipó, Caratinga/Cuieté, Manhuaçu, Guandu, Santa Joana e Santa Maria do Rio Doce (margem direita). As vazões médias na bacia são maiores nos afluentes de margem esquerda, nos trechos alto e médio (15 até 35 l/s km²). Por outro lado, a região de menores vazões médias específicas (05 a 10 l/s km²) corresponde à bacia do Suaçuí Grande.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Apesar de descoberta em 1501 pelos navegadores portugueses, a bacia hidrográfica do rio Doce teve a sua ocupação iniciada, já em fins do século XVII, em suas cabeceiras. Os bandeirantes, partindo de São Paulo, pelos sertões, descobriram ouro nas cabeceiras dos rios Piracicaba e rios do Carmo.

Ribeirão do Carmo e Vila Rica, hoje Mariana e Ouro Preto, foram a porta de entrada para a ocupação da bacia. Mas, com o intuito de evitar os "descaminhos do ouro", a Coroa Portuguesa proibiu a navegação no rio Doce. Além da proibição, a mata fechada, a malária e os índios Botocudos, conhecidos por sua hostilidade, fizeram da região uma das últimas a serem ocupadas em Minas Gerais. Até o início do século XX, o vale do rio Doce permanecia amplamente coberto pelo complexo da Mata Atlântica.

A efetiva ocupação da região somente se deu a partir de construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM). Iniciada em 1903 em Vitória, em 1910 chegava ao então pequeno entreposto comercial de Porto de Figueiras, hoje Governador Valadares.

Na primeira década do século XX, com a chegada dos imigrantes estrangeiros, em sua maioria Italianos e alemães, em território capixaba, a instalação dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas e a construção da ponte Florentino Avidos sobre o rio Doce, na cidade de Colatina, Espírito Santo, em 1928, marcam definitivamente o processo de colonização e urbanização da região norte capixaba.

Na década de 30, a EFVM chegou a Itabira, na bacia do rio Piracicaba, de cujas minas seriam extraídas o minério de ferro a ser exportado via o Porto de Vitória. Em 1937 foi instalada a primeira siderúrgica às margens do rio Piracicaba, a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira. Em 1942 foi criada a Companhia Vale do Rio Doce, em Itabira.

A década de 30 marcou ainda a introdução do capim colonião na região de Porto Figueiras, o que possibilitou a expansão da pecuária. A introdução das pastagens e a forte demanda por carvão para as siderurgias e madeira - tendo na Europa pós-guerra, Estados Unidos e Japão seus grandes consumidores - fez surgir na bacia um importante processo de devastação.

No início da década de 50 foi inaugurada a rodovia Rio-Bahia, que passa por Governador Valadares, fazendo dali um corredor migratório para as populações da região Nordeste. Além disso, como as terras após a derrubada da mata não se prestavam a muito mais que a pecuária, a cidade de Governador Valadares viveu um inchamento demográfico, chegando a uma taxa de crescimento de 13,3% na década (IBGE).

Em 1953, também às margens do Piracicaba, foi inaugurada a Companhia de Aços Especiais Itabira - ACESITA. Dez anos mais tarde, poucos quilômetros a jusante, entra em operação a Usina Intendente Câmara - USIMINAS.

A instalação das siderúrgicas propiciou o surgimento do Aglomerado Urbano do Vale Aço, envolvendo as cidades de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo.

Na década de 40 foi introduzido na região o eucalipto, como forma de aliviar a pressão sobre as florestas naturais.

Seguindo o curso de sua história, as fazendas instaladas nas cabeceiras da bacia do Doce, ainda no ciclo do ouro, permanecem sobrevivendo do que produzem.

Os maciços florestais de eucaliptos na região viabilizaram a instalação, em 1975, da Companhia Nipo-Brasileira - CENIBRA, produtora de celulose, localizada às margens do rio Doce, a jusante da foz do rio Piracicaba, no município de Belo Oriente. [2]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima na bacia do rio Doce é, em sua grande maioria, considerado como tropical, e ainda pode ser dividido em: clima tropical de altitude com chuvas de verão e verões frescos presentes nas vertentes das Serras da Mantiqueira e do Espinhaço e nas nascentes do rio Doce; clima tropical de savana com chuvas de verão e verões quentes, presentes nas nascentes dos seus afluentes; e clima quente com chuvas de verão, presente nos trechos médio e baixo do rio Doce e seus afluentes.[3]

A precipitação média anual da bacia varia de 1500 mm, nas nascentes do rio Doce, a 900 mm na região da divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, voltando a crescer na região do litoral capixaba. Boa parte desse acumulado anual ocorre entre outubro e março, período das cheias no rio Doce. O período chuvoso na bacia do rio Doce, assim como em toda região Sudeste do Brasil, é caracterizado pela entrada frequente de sistemas extra tropicais provindos do sul do continente. Muitas vezes essas frentes formam uma banda de nebulosidade de orientação NW/SE, estendendo-se desde o sul da região Amazônica até a região central do Atlântico Sul. Esse sistema atmosférico é chamado de ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul). A passagem desse sistema na região faz aumentar a umidade do ar e a nebulosidade, favorecendo a formação de sistemas convectivos e ocorrência de chuvas.[3]

Desastre ambiental[editar | editar código-fonte]

No dia 5 de novembro de 2015, ocorreu o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração no subdistrito de Bento Rodrigues, no município de Mariana, Minas Gerais, causando uma enxurrada de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, que foram lançados no rio Doce, percorrendo centenas de quilômetros até chegar à sua foz, no litoral do Espírito Santo, provocando enormes danos aos ecossistemas da bacia do rio Doce. O evento foi considerado como o maior desastre ambiental da história do Brasil e o pior acidente com barragens de rejeitos já registrado no mundo.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c SIMGE (Sistema de meteorologia e recursos meteorológicos do estado de Minas Gerais) - Enchentes históricas no rio Doce. «Bacia Hidrográfica do Rio Doce». Consultado em 12 de julho de 2010. 
  2. «Breve Histórico da Ocupação e Desenvolvimento». CBH - Doce. 2001. Consultado em 2 de agosto de 2013. 
  3. a b «Relatório Técnico do Período de Operação de dezembro de 2003 a março de 2004» (PDF). CPRM - Serviço Geológico de Brasil. 2004. Consultado em 12 de julho de 2010. 
  4. «Acidente em Mariana é o maior da História com barragens de rejeitos». O Globo. plus.google.com/+JornalOGlobo/. Consultado em 24 de novembro de 2015.