Baphomet

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Existem referências trifaciais do Baphomet, mas esta se refere tão somente a Hermes Trismegisto. Ela pode ser encontrada na copa do refeitório no Convento de Cristo, em Tomar, Portugal. Também há referência sua no livro Templários em Tomar, de José Armando Vizela Cardoso.
A figura de Hermes Trismegisto, representando o Baphomet numa Pedra angular no Convento de Cristo, na cidade de Tomar, Portugal.

Baphomet, Bafomete ou ainda Bafomé ( /ˈbæfɵmɛt/; do latim medieval Baphometh, baffometi, ocitano Bafomé) é um termo originalmente usado para descrever uma divindade supostamente adorada pelos Templários e, posteriormente, incorporado a tradições místicas ocultas desiguais. Ele apareceu a "Maomé",[1] mas depois apareceu como um termo para ídolo pagão em transcrições do julgamento da inquisição dos Cavaleiros Templários no início do século XIV.[2] O nome apareceu pela primeira vez na consciência popular inglesa, no século XIX, com debates e especulações sobre as razões da supressão dos Templários.

Muito embora várias tenham sido as suas supostas representações, a única possível imagem de Baphomet encontrada em um santuário templário consta de uma cabeça humana com três ou quatro faces, cada uma representando uma face de Deus ou de Hermes, como está no Convento de Cristo de Tomar. Sua origem é pagã, no paganismo o Baphomet representa o deus Pã, sendo posteriormente adotado pelo ocultismo e satanismo.

História do Baphomet[editar | editar código-fonte]

Cartaz referente a uma das fraudes de Léo Taxil.

A história em torno do Baphomet foi intimamente relacionada com a da Ordem dos Templários, pelo Rei Filipe IV de França e com apoio do Papa Clemente V, ambos com o intuito de desmoralizar a Ordem, pois o primeiro era seu grande devedor e o segundo queria revogar o tratado que isentava os Cavaleiros Templários de pagar taxas à Igreja Católica.

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, também conhecida como Ordem do Templo, foi fundada no ano de 1118. O objetivo dos cavaleiros templários era supostamente proteger os peregrinos em seu caminho para a Terra Santa. Eles receberam como área para sua sede o território que corresponde ao Templo de Salomão, em Jerusalém, e daí a origem do nome da Ordem.

Segundo a história, os Cavaleiros tornaram-se poderosos e ricos, mais que os soberanos da época. Segundo a lenda, eles teriam encontrado no território que receberam documentos e tesouros que os tornaram poderosos. Segundo alguns, eles ficaram com a tutela do Santo Graal dentre outros tesouros da tradição cristã.

Em 13 de outubro de 1307, sob as ordens de Felipe, o Belo e com a conivência do Papa Clemente V, os cavaleiros foram presos, torturados e condenados à fogueira, acusados de diversas heresias.

O rei francês, nessa altura, acusava os templários de adorarem o diabo na figura que na realidade se chamava Baphomet. O Baphomet tornou-se o bode expiatório da condenação da Ordem pela Igreja Católica e da morte de templários na fogueira que se seguiu a isto.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Imagem de uma série de figuras esculpidas ou gravadas que foram encontradas em um número de supostos artefatos Templários do século 13. Como (copos, taças, cofres...), Ela é associada a o ídolo Baphomet.

Não existe consenso quanto à etimologia da palavra "Baphomet". Segundo o arqueólogo austríaco Joseph von Hammer-Purgstall, um não simpatizante do ideal templário e que em 1816 escrevera um tratado intitulado Mysterium Baphometis Revelatum, sobre os alegados mistérios dos Cavaleiros e do Baphomet, a expressão proviria da união de dois vocábulos gregos, "Baphe" e "Metis", significando "Batismo de Sabedoria". A partir desta conjectura, Von Hammer especula a respeito da possibilidade da existência de rituais de iniciação, onde haveria a admissão aos mistérios e aos segredos cultuados pela Ordem do Templo.[3][4]

A origem da palavra Baphomet ficou perdida, e muitas especulações podem ser feitas, desde uma composição do nome de três deuses: Baph, que seria ligado ao deus Baal; Pho, que derivaria do deus Moloch; e Met, advindo de um deus dos egípcios, Set. Outra teoria nos leva a uma corruptela de Muhammad (Maomé - o nome do profeta do Islã), até Baph+Metis do grego "Batismo de Sabedoria".

A palavra "Baphomet" em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para "sabedoria".

Todavia ainda existem fontes que afirmam uma outra origem do termo. Segundo alguns, o nome veio da expressão grega Baph-Metra( mãe-Metra ou Meter-submersa; Baph-em sangue. Ou seja, a Mãe de sangue, ou a Mãe sinistra). Grande parte dos historiadores que afirmam essa versão se baseiam no fato que o culto à cabeça está relacionada com conjurações de entidades femininas.

Teorizou-se simbolicamente que o Baphomet é fálico, já que em uma de suas míticas representações há a presença literal do falo devidamente inserido em um vaso (símbolo claro da vulva).

Há também quem tenha inclusive afirmado que a figura do Baphomet estava relacionada com as virgens que apresentavam anomalias em seus bustos. E que as virgens de 3 mamilos e as virgens de apenas 1 seio eram tatuadas com a cabeça do Baphomet para que nenhum homem pudesse tocá-las. Diziam que as mulheres com tais anomalias genéticas eram amaldiçoadas.

Baphomet por Eliphas Levi[editar | editar código-fonte]

O Baphomet de Eliphas Levi.

A figura atual de Baphomet foi criada pelo famoso ocultista Eliphas Levi, como apresentada ao lado. Levi lista as mais frequentes representações do Baphomet: na classificação e explicação das gravuras de seu livro Dogma e Ritual da Alta Magia, Eliphas Levi classifica a imagem de Baphomet como a figura panteística e mágica do absoluto.

  • O facho representa a inteligência equilibrante do ternário.
  • A cabeça de bode, reunindo caracteres de cão, touro e burro, representa a responsabilidade apenas da matéria e a expiação corporal dos pecados.
  • As mãos humanas mostram a santidade do trabalho e fazem o sinal da iniciação esotérica a indicar o antigo aforismo de Hermes Trismegisto (em uma posição muito semelhante a representações de Shiva na Índia): "o que está em cima é igual ao que está embaixo". O sinal com as mãos também vem a recomendar aos iniciados nas artes ocultas os mistérios.

Pode também ser interpretado em seu aspecto metafísico, onde pode representar o espírito divino que "ligou o Céu e a Terra", tema recorrente na literatura esotérica.

  • Os crescentes lunares presentes na figura indicam as relações entre o bem e o mal, da misericórdia e da justiça.
  • Possuindo seios, o bode representa o papel de trazer à Humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, os quais são signos redentores.
  • O pênis é metaforicamente representado por um Caduceu. No budismo tantrico este é o símbolo de ascensão da energia da deusa Kundalini. Em forma de serpente ela está enrolada e oculta na base da coluna de todo ser humano. Ao atingir a plenitude desta força, o ser alcança o êxtase da iluminação (o nirvana). Este tipo de simbologia aparece com frequência na alquimia (o coito do rei e da rainha), com a qual o ocultismo tem relação.
  • Na frente e embaixo do facho encontra-se o signo do microcosmo a representar simbolicamente a inteligência humana.
  • Colocado abaixo do facho o símbolo faz da chama dele uma imagem da revelação divina. * Baphomet deve estar assentado ou em um cubo e tendo como estrado uma bola apenas ou uma bola e um escabelo triangular.
  • A figura pode ser colorida no ventre (verde), no semicírculo (azul) e nas penas (diversas cores).

Aleister Crowley[editar | editar código-fonte]

Pentagrama invertido, representa a cabeça de Baphomet, segundo adeptos do caminho da mão esquerda.

O Baphomet de Levi tornou-se uma figura importante dentro da cosmologia da Thelema, o sistema místico estabelecida por Aleister Crowley no início do século XX. O credo da Igreja Gnóstica Católica é recitado pela congregação na Missa Gnóstica, com a seguinte frase: ". E eu creio na Serpente e no Leão, Mistério dos Mistérios, em seu nome BAPHOMET".[5]

Em Magick (Book 4), Crowley afirmou que Baphomet era um andrógino divino e o hieróglifo da perfeição arcana: Visto como o que reflete o que ocorre acima de modo como reflete abaixo.

O Diabo não existe. É um nome falso inventado (...) implicar uma unidade na sua confusão ignorante de dispersões. Um diabo que tinha a unidade seria um Deus ... 'O Diabo' é historicamente o Deus de todos os povos inimigos... Esta serpente, Satanás, não é o inimigo do homem, mas o que fez de nossa raça humana "Deuses", conhecendo a si mesmo "o bem e o mal"; Ele é encontrado no Livro de Thoth, e Seu emblema é BAPHOMET, o Andrógino que é o hieróglifo da perfeição arcana... Ele é, portanto, a Vida e o Amor. Mas, além disso, sua carta é ayin, o Olho, de modo que ele é Luz; e a sua imagem Zodiacal é Capricórnio, cujo a cabra saltando é atributo da liberdade.[6]

Para Crowley, Baphomet é mais um representante da natureza espiritual dos espermatozóides, enquanto também é simbólico da "criança mágica", produzido como resultado da magia sexual.[7] Como tal representa a união dos opostos, porque misticamente é personificado em Caos e Babalon combinados e biologicamente manifestados com o esperma e o óvulo unidos no zigoto.

Baphomet Na Mídia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ab Luy venseretz totz los cas/Cuy Bafometz a escarnitz/e·ls renegatz outrasalhitz ("com sua ajuda [ou seja, Jesus'] você vai derrotar todos os cães que Maomé tenha desviado e os renegados impudentes"). As linhas relevantes foram traduzidas por Michael Routledge (1999), "The Later Troubadours", em The Troubadours: An Introduction, Simon Gaunt e Sarah Kay, edd. (Cambridge: Cambridge University Press), p. 112.
  2. Michelet, p. 375.
  3. Mackenzie (1987), p. 67
  4. Hammer-Pürgstall, Joseph von (1818). Die Geschichte der Assassinen (Estugarda/Tubinga [s.n.]). 
  5. Helena, Tau Apiryon (2009/08/09). "A Basílica invisível: O Credo da Igreja Gnóstica Católica: Um Exame [S.l.] 
  6. Crowley, Aleister (2004). Maria. Desti; Leila. Waddell. Himeneu. Beta, ed Magick: Liber ABA, Book Four. ISBN 978-0-87728-919-7. (York Beach, Me .: S. Weiser [s.n.]). pp. 1–4. 
  7. Carter, John (2005). Sex and Rockets: a vida oculta de Jack Parsons. ISBN 9780922915972 . (EUA: Feral House [s.n.]). pp. 151–153. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Mackenzie, Kenneth (1987). The Royal Masonic Cyclopedia (Inglaterra: The Aquarian Press). 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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