Baldo de Ubaldo

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o jurista italiano. Para a estação metroviária de Roma, veja Estação Baldo degli Ubaldi.
Baldo de Ubaldo
Nascimento 10 de outubro de 1327
Perúgia
Morte 7 de maio de 1400
Pavia (Itália)
Alma mater
Ocupação jurista, professor
Empregador Universidade de Bolonha, Universidade de Pisa, Universidade de Pádua, Universidade de Pavia, Universidade de Florença, Universidade de Perúgia

Baldo de Ubaldo (em latim: Baldus de Ubaldis; em italiano: Baldo degli Ubaldi; Perúgia, 2 de outubro de 1327 — Pavia, 28 de abril de 1400) foi um jurista italiano da escola dos comentadores, aluno de Bártolo de Sassoferrato e professor de direito nas universidades de Bolonha, Perúgia, Pisa, Florença, Pádua e Pavia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Membro da família nobre dos Ubaldi (Baldeschi), Baldo nasceu em Perúgia em 1327 e estudou direito romano-germânico, nessa mesma cidade, sob a orientação de Bártolo de Sassoferrato, tendo alcançado o grau de doutor de direito romano-germânico com a idade de dezessete anos. É dito que Frederico Petrucci de Siena foi o professor, que lhe ensinou direito canônico.[1]

Após completar seu doutorado, Baldo foi para Bolonha, onde lecionou direito por três anos, após o que conseguiu uma cátedra em Perúgia, onde permaneceu por trinta e três anos. Posteriormente, ensinou direito nas universidades de Pisa, Florença, Pádua e Pavia, que rivalizavam na época com a Universidade de Bolonha. Durante seu período em Pavia, chegou algumas vezes a ensinar também em Placência. Morreu em Pavia em 28 de abril de 1400.[1]

Baldo foi professor de Pierre Roger de Beaufort, que se tornou mais tarde papa sob o título de Gregório XI, e cujo sucessor imediato, o Papa Urbano VI, convocou Baldo para Roma, em 1380, a fim de que este o auxiliasse em sua causa contra o antipapa Clemente VII. O ponto de vista de Baldo sobre as questões legais relativas ao Grande Cisma do Ocidente está estabelecido na chamada Questio de schismate. O cardeal Francesco Zabarella e Paulus Castrensis também estão entre seus alunos.[1]

Obras[editar | editar código-fonte]

Consiliorum, siue responsorum, 1575

Muitas das obras de Baldo estão incompletas. Ele deixou comentários volumosos sobre o Digesto e o Código de Justiniano. Seu Comentário sobre o Libri Feudorum, uma compilação do século XII de disposições do direito feudal, é considerado um dos seus melhores trabalhos. Ele também fez comentários sobre as compilações de decretais do direito canônico, o Liber Extra e o Liber Sextus. Além destes comentários, Baldo escreveu uma série de tratados sobre temas jurídicos especializados. Seu grande esforço, entretanto, foi escrever cerca de 3 000 consilia (opiniões legais). Nenhum outro advogado medieval tem tantas consilia preservadas.[1]

A obra de Baldo sobre a lei da evidência e as gradações da prova foi o ponto alto do pensamento medieval na disciplina e permaneceu o tratamento padrão do assunto durante séculos.[1]

Família[editar | editar código-fonte]

Baldo teve dois irmãos, Angelus (1328–1407) e Petrus (1335–1400). É provavelmente devido à confusão entre Baldo (Baldus) e seu irmão Petrus que o nome do jurista famoso às vezes é dado como Petrus Baldus de Ubaldo.[1]

Notas

  1. a b c d e f Chisholm Hugh (ed.). «Baldus de Ubaldis, Petrus». Encyclopædia Britannica (em inglês). 3 1911 ed. Cambridge: Cambridge University Press. p. 244 

Referências

  • Wikisource-logo.svg Vários autores (1911). «Baldus de Ubaldis, Petrus». In: Chisholm, Hugh. Encyclopædia Britannica. A Dictionary of Arts, Sciences, Literature, and General information (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público) 
  • J. Canning, The Political Thought of Baldus de Ubaldis (Cambridge University Press, 1987)
  • J. Franklin, The Science of Conjecture: Evidence and Probability Before Pascal (Johns Hopkins University Press, 2001) ch. 2
  • "VI Centenario della morte di Baldo degli Ubaldi," "Ius commune," 27 (2000).
  • "VI Centenario della morte di Baldo degli Ubaldi 1400-2000," eds. Carla Frova, Maria Grazia Nico Ottaviani, e Stefania Zucchini (Perugia: Università degli Studi, 2005).
  • G. Hamza, "Entstehung und Entwicklung der modernen Privatrechtsordnungen und die römischrechtliche Tradition" (Eotvos Universitätsverlag, Budapest, 2009) p. 78-89.
  • G. Hamza, "Origine e sviluppo degli ordinamenti giusprivatistici moderni in base alla tradizione del diritto romano" (Andavira Editora, Santiago de Compostela, 2013) p. 79-86.
  • O. Scalvanti, Baldo, Angelo e Pietro degli Ubaldi, note biografiche e documenti. Perúgia: Unione tip. cooperativa, 1901, p. 9-99.
  • Fondazione Mansutti, Quaderni di sicurtà. Documenti di storia dell'assicurazione, a cura di M. Bonomelli, schede bibliografiche di C. Di Battista, note critiche di F. Mansutti. Milão: Electa, 2011, p. 320.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]