Bang Bang (telenovela)

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Bang Bang
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero
Duração 45 minutos
Criador(es) Carlos Lombardi
Mário Prata[nota 1]
País de origem  Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) José Luiz Villamarim
Câmera Multicâmera
Roteirista(s) Ana Ferreira
Antonio Prata
Reinaldo Moraes
Chico Mattoso
Filipe Miguez
Márcia Prates
Elenco
Tema de abertura "Malaguena", The Bambi Molesters
Exibição
Emissora de televisão original Rede Globo
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 3 de outubro de 200521 de abril de 2006
N.º de episódios 173

Bang Bang é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida no horário das 19 horas entre 3 de outubro de 2005 e 21 de abril de 2006, em 173 capítulos, substituindo A Lua Me Disse e sendo substituída por Cobras & Lagartos.[1] Foi a 69ª "novela das sete" exibida pela emissora. Mário Prata desenvolveu a sinopse e escreveu os primeiros 34 capítulos, porém teve que se desligar do projeto por problemas de saúde, passando a autoria para Carlos Lombardi, que deu continuidade na história, escrevendo os demais capítulos posteriores. Teve colaboração de Ana Ferreira, Antonio Prata, Reinaldo Moraes, Chico Mattoso, Filipe Miguez e Márcia Prates, é contou com a direção de Paulo Silvestrini, Cláudio Boeckel, Ary Coslov e Carlo Milani, direção geral de José Luiz Villamarim e núcleo de Ricardo Waddington..[2] A trama foi considerada pela imprensa como um fracasso pela baixa qualidade da história e repercussão pífia.[3]

Contou com Bruno Garcia, Fernanda Lima, Alinne Moraes, Guilherme Berenguer, Giulia Gam, Fernanda de Freitas, Mauro Mendonça e Carol Castro nos papéis principais.[4][5]

Produção[editar | editar código-fonte]

Mario Prata concebeu os primeiros esboços de Bang Bang em 1987 enquanto escrevia a novela Helena, na Rede Manchete, onde também pretendia levar ao ar a nova trama.[6] A novela chegou a ser aprovada por José Wilker, diretor de teledramaturgia na época, e teria direção de Luiz Fernando Carvalho, porém Mario acabou não tendo o contrato renovado e o projeto foi engavetado.[7] Em 1990 a novela foi aprovada no SBT para substituir Cortina de Vidro, onde seria dirigida por Walter Avancini e produzida pela Manduri Filmes, sendo que Mario queria como protagonista José Wilker e Giulia Gam – ambos da Rede Globo e que não aceitaram a proposta.[6] A novela, porém, foi cancelada pela crise que se abatia na emissora, que preferiu levar ao ar Brasileiras e Brasileiros, telenovela de baixo custo e que encerraria a produção na teledramaturgia por alguns anos.[6]

Na sequência o autor negociou a obra com a emissora espanhola Antena 3, a qual não avançou.[6] Em 1995, quando foi contratado pela Band, o autor chegou a apresentar o projeto, porém a emissora não aprovou e o direcionou a escrever a telenovela O Campeão.[8] Apenas em 2005 Mario teve a oportunidade de finalmente produzir a telenovela quando apresentou-a aos executivos da Rede Globo e a trama foi aprovada.[9] As gravações das primeiras cenas aconteceram nas zonas desérticas de San Pedro de Atacama, no Chile, que simulou os desertos estadunidenses.[7]

Troca de autor e alterações[editar | editar código-fonte]

Em 13 de outubro, apenas dez dias após o ínico da trama, Mario Prata precisou deixar a novela devido a um grave problema de saúde, tendo entregue apenas 34 capítulos.[10] Os colaboradores deram sequência na história por alguns capítulos sob orientações deixadas por Mário.[11] Em novembro Carlos Lombardi foi anunciado como supervisor de texto temporário.[12] Em dezembro, no entanto, a direção avaliou que Mario não tinha condições físicas de voltar ao trabalho, promovendo Carlos a autor oficial da trama a partir de então, dando sequência na história.[13] A trama, que era pautada no romance e no drama até então, passou a apostar na comédia com o novo autor, mudando drasticamente o rumo dos acontecimentos. Questionado sobre o motivo de alterar a proposta original da obra, Carlos considerou que Bang Bang fugia da realidade do velho oeste original e soava tão falsa, que apenas uma comédia salvaria a situação: "Parece que estamos vendo novela com as pessoas fantasiadas. Se vai manter esse visual, esse figurino, essa proposta falsa do lugar e do tempo que não existe, não dá para ter personagem que não faça comédia".[14]

Carlos – descontente com o trabalho de Mario até então e considerando seus personagens "chatos" ao ponto de não conseguir trabalha-los sem mudar totalmente o perfil – chegou a propor que a história passasse por um terremoto que mataria a maior parte da cidade, avançando vinte anos no tempo, quando os descendentes dos personagens originais dariam sequência na trama, porém a direção recusou a ideia, alegando que isso geraria altos custos de efeitos especiais e problemas para escalar um novo time para o elenco.[13] Carlos planejava matar o protagonista Ben no final da novela, porém desistiu da ideia após interferência da direção.[15] Por conta da baixa audiência, a novela teve a duração dos capítulos reduzida de 60 para 45 minutos e teve três intervalos comerciais a menos que a antecessora pela falta de patrocinadores.[16] Além disso a trama foi encurtada em 30 capítulos.[17]

Escolha do elenco[editar | editar código-fonte]

Fernanda Lima, que havia sido contratada para cobrir a licença-maternidade de Angélica no Vídeo Game, realizou os testes para a protagonista em junho, sendo aprovada para o cargo.[18] Perfeito Fortuna chegou a ser confirmado no papel do dono do circo Nicola, porém o papel acabou passando para Roney Facchini.[19] Guilherme Berenguer deixou o elenco da décima segunda temporada de Malhação a pedido do autor especialmente para interpretar o co-protagonista de Bang Bang.[20] Angelina Muniz foi outro pedido do autor, uma vez que a atriz estava em outros canais nos últimos 15 anos.[21] Para reforçar o elenco, alguns atores foram anexados a trama na reta final, como Murilo Rosa, que interpretava um cowboy atrapalhado interessado na protagonista, e Cláudia Lira, no papel da ex-namorada de Ben.[22] Betty Lago também entrou para interpretar outra personagem real, a fora-da-lei Jane Calamidade. Iran Malfitano entrou para interpretar Mac Mac, que atrapalhava o relacionamento de Penny e Neon. Já Marcos Pasquim entrou no papel do mulherengo Crazy Jake, que se interessava por Mercedita.[23]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Em 1861, em pleno velho oeste estadunidense, Paul Bullock (Mauro Mendonça) e John McGold (Tarcísio Meira) eram grandes amigos e sócios na criação de gado em Albuquerque, Novo México, que romperam os laços quando o primeiro queria expandir o rebanho e expulsar os colonos, enquanto o segundo pretendia negociar a compra das terras, sem prejudicar ninguém. Após uma emboscada que culminou no assassinato de todas as famílias colonas, os dois se tornaram inimigos e dividiram as terras conjuntas: os Bullock continuaram como criadores de gado, enquanto os McGold encontraram uma mina de ouro em sua parte, vivendo da exploração do metal. Vinte anos se passaram e, em 1981, o cowboy Ben Silver (Bruno Garcia) retorna a cidade, para vingar o assassinato de seus pais, que eram colonos. Ele se apaixona pela forte Diana (Fernanda Lima) – que se distingue das demais moças por preferir calças à longos vestidos, além de ser uma exímia atiradora e montadora –, embora o romance seja conturbado por ela ser filha de Paul, colocando em prova os planos originais do rapaz. Além disso, Ben se torna alvo do interesse da ardilosa e sensual Mercedita (Carol Castro), filha dos mexicanos Violeta (Angelina Muniz) e Javier (Genézio de Barros), disposta a tudo para afastar a rival usando todos seus dotes.

Paul é pai de Diana, seu maior orgulho, e de Neon (Guilherme Berenguer), rapaz que enviou para a cidade grande estudar agronomia, mas que voltou formado em artes e cheio de ideias progressistas para seu desespero. Ele vive um amor proibido com Penny (Alinne Moraes), neta dos do falecido John e Miriam McGold (Joana Fomm), uma mulher forte que ajuda os pobres e vive grudada com sua carabina. Os McGold tiveram duas filhas: Úrsula (Marisa Orth) é uma beata conservadora, defensora da moral e dos bons costumes, casada com o cientista atrapalhado Aquarius (Ney Latorraca) e mãe de Penny; já Dorothy (Cris Bonna) foi atingida na batalha vinte anos antes e vive em coma desde então, o que fez com o que o marido, Dong Dong (Jairo Mattos) se tornasse um homem infeliz e alcóolatra, que delegou para a cunhada a criação da filha, Catty (Fernanda de Freitas), moça cínica que se tornou a imagem escarrada da tia, embora seja também apaixonada por Neon e arma todas para separá-lo da prima. Para impedir o amor de Penny e Neon, Paul contratada a prostituta Yoko (Daniele Suzuki) para atrapalhar a relação custe o que custar, embora ela viva um apimentado romance com o médico Harold (Ricardo Tozzi). A fazendeiro também faz de tudo para que Diana case-se com seu contador, o golpista Jeff (Guilherme Fontes).

Com a construção da linha de trem, a inescrupulosa meretriz Vegas Locomotiv (Giulia Gam) chega a Albuquerque para abrir um saloon, acompanhada de das dançarinas de can-can Elga (Tatiana Monteiro) e Marilyn (Babi Xavier), além da sobrinha Brenda (Ariela Massoti). Na cidade ainda moram os famosos fora-da-lei Billy the Kid (Evandro Mesquita) e Jesse James (Kadu Moliterno), que todos acreditam que morreram e vivem disfarçados de mulheres como se fossem as irmãs Henaide e Denaine, donas do Hotel Senior, local onde trabalha a cozinheira brasileira Baiana (Thalma de Freitas). Elas são vizinhas da barbearia de Clayton (Sidney Magal), que no passado era o justiceiro Cavaleiro Solitário junto com seu amigo, o índio Tonto (Eliezer Motta), porém ambos já se aposentaram e agora apenas lidam com as pilantrices da mãe do barbeiro, a cartomante Dona Zorra (Nair Bello). Na cidade ainda se instala o Gran Circo Fellini, comandado pelo acrobata Nicola (Roney Facchini) e pelo mágico Zoltar (Rodrigo Lombardi), que esbarra novamente em Marilyn, mulher que largou no passado e fugiu com a filha recém-nascida deles, a doce Thabata (Mauren Mcgee) – que passa a ser disputada por Pablito (Humberto Carrão) e Fred Bike-Boy (Raphael Rodrigues) – tentando esconder da ex a verdadeira identidade da garota.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Bruno Garcia Benjamin Silver (Ben)
Fernanda Lima Diana Bullock
Carol Castro Mercedita Bolívar
Alinne Moraes Penny McGold Lane
Guilherme Berenguer Neon Bullock
Mauro Mendonça Paul Jonathan Bullock
Giulia Gam Molly Flanders (Vegas Locomotiv)
Fernanda de Freitas Catty McGold Evans
Daniele Suzuki Yoko Bell
Ricardo Tozzi Dr. Harold Phinter (Lobo)
Guilherme Fontes Jeff Wall Street
Joana Fomm Miriam Viridiana McGold
Marisa Orth Ursula McGold Lane
Ney Latorraca Aquarius Lane
Marco Ricca Xerife Edgard Stuart / Patrik Gogol
Cris Bonna Dorothy McGold Evans
Jairo Mattos Donald Evans (Dong Dong)
Angelina Muniz Violeta Bolívar
Genézio de Barros Javier Bolívar
Evandro Mesquita Billy the Kid / Henaide Johnson
Kadu Moliterno Jesse James / Denaide Johnson
Rodrigo Lombardi Constantino Zoltar
Babi Xavier Marilyn Corroy
Humberto Carrão Pablito Bolívar
Mauren Mcgee Thabata Corroy
Raphael Rodrigues Frederic Smith (Fred Bike-Boy)
Sidney Magal Clayton Lake / Cavaleiro Solitário
Nair Bello Leona Lake (Dona Zorra)
Roney Facchini Nicola Felinni
Eliezer Motta Tonto Comanche
Tatiana Monteiro Elga Andersen
Ariela Massoti Brenda Lee Flanders
Paulo Miklos Kid Cadillac
Roumer Calhães Absurd Boy
Anderson Lau Sheng Leng Junior
Renato Borghi Dom Ernest
Thalma de Freitas Regina da Silva (Baiana)
Cosme dos Santos Rush
Renato Consorte Padre Jeremy Hacker
Maria Helena Velasco Mãe Bizerra
Luiz Melodia Sam Smith
Sônia Siqueira Zulma Smith
Rui Rezende Jack Label

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Tarcísio Meira John McGold
Betty Lago Jane Calamidade
Marcos Pasquim Crazy Jake
Murilo Rosa Josh Lucas
Iran Malfitano Mac Mac
Cláudia Lira Diva
Jece Valadão Joe Wayne
Carlos Bonow Hector
Carla Marins Alba
Andréa Buzato Ingrid Stuart
André Bankoff Peter Benett (Pete)
Ernani Moraes Frank Black Heart
Roberta Gualda Polly
Zé Carlos Machado Armstrong
Luciana Braga Viúva Clark
Bianca Byington Viúva Jones
Luca de Castro Campino
Fábio Lago Tim Jones
Fernanda Rodrigues Daisy
Alice Borges Irmã Socorro
Ida Gomes Irmã Encarnación
Cláudia Borioni Madre Superior
Flávia Monteiro Samanta
Grace Gianoukas Esmeralda
Julio Rocha Baby Face
Joana Limaverde Lana
Dan Nakagawa Lee Bell
Mário Gomes Xerife Greg Taylor
Alexandre Zacchia Fidel
Andréa Leal Anastácia
Carl Schumacher Coppola
Castro Gonzaga Dr. Freud
Dary Reis Bandido
Eduardo Dussek Rick Von Kristoff
Elias Gleizer Bispo
Eucir de Souza Fox
Miguel Nader Dragon / Pike
Fábio Herford Washington
Felipe Cardoso Don
Guilherme Piva Empregado do hotel
Juliana Guimarães Fiona
Larissa Bracher Jéssica
Leona Cavalli Pistoleira
Leonardo Neto Jack Seca Cangote
Lionel Fischer Philip
Luca de Castro Juiz Benedict
Licurgo Spínola Xerife Jordan
Alexandre Schumacher Policial
Maria Regina Dona do Rancho Sodoma
Matheus Aguiar Jack Jone
Miguelito Acosta Puro Osso
Nica Bonfim Mamma Jack
Paulo Vespúcio Hunter
Ricardo Duque Bob
Ricardo Pavão D. Pedro II
Sílvia Nobre Pena Levinha
William Vita Johnny Carniceiro
Zeli Oliveira Nalda

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Bang Bang
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 20 de outubro de 2005
Gênero(s)
Formato(s) CD
Gravadora(s) Som Livre

A trilha sonora da minissérie reuniu canções em português e inglês, trazendo Fernanda Lima ilustrando a capa do álbum.[24] O rapper Black Alien compôs a faixa "Coração do Meu Mundo" especialmente para Fernanda.[25]

Lista de faixas
N.º Título Música Personagem tema Duração
1. "Last Ride"   The Bambi Molesters Geral 3:43
2. "De Perto"   Paralamas do Sucesso Ben e Diana 3:25
3. "Nós Dois"   Luiz Melodia Javier e Violeta / Aquarius e Úrsula 3:31
4. "Canção Agalopada"   Zé Ramalho Ben 3:16
5. "Balada do Céu Negro"   Zeca Baleiro Mercedita 3:42
6. "Tempos de Cowboy"   Blitz Denaide e Henaide 3:20
7. "Coração do Meu Mundo"   Black Alien Diana 3:47
8. "Os Dois No Ar"   Paulo Miklos Penny e Neon 3:45
9. "Não Resisto a Nós Dois"   Wanessa Camargo Ben e Diana 3:45
10. "Big Blue Sea"   Bob Schneider Harold e Yoko 3:20
11. "Love Me Tender"   The Originals Catty 3:24
12. "Quem, Além de Você?"   Leoni Penny e Neon 3:15
13. "I've Been Thinking"   Supla Vegas Locomotive 3:31
14. "Malaguena"   The Bambi Molesters Abertura 3:38

Recepção da crítica[editar | editar código-fonte]

Bang Bang recebeu críticas massivamente negativas dos profissionais especializados. Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, disse que a novela era "tosca", com uma cenografia que parecia de brincadeira e tinha uma abordagem não-realista, uma vez que o autor poupava até os bandidos da morte para não chocar o público, contrastando com a verdade do velho oeste, acrescentando ainda que anovela destoava dos bons trabalhos que a emissora fazia naquele momento.[26] Dolores Orosco, da revista Isto É, declarou que a novela tinha tudo para dar certo, mas pecou ao apostar em uma protagonista sem experiência e na falta de humor inteligente, chamando a história de fiasco e fazendo uma analogia de que era uma "bala perdida" que não atingiu o público.[27] Ricardo Valladares, da revista Veja, chamou a novela de "um dos maiores micos já exibidos", alegando que "a mistura de faroeste com gírias cariocas é ridícula, os protagonistas são fracos e sua trama – bem, ter uma trama já seria bom".[28] O jornalista ainda questionou o motivo da emissora manter a novela "que já nasceu condenada" no ar, fazendo uma comparação com as produções internacionais, que são canceladas drasticamente em busca de um resultado melhor, e alegando que a própria emissora já tinha cortado pela metade As Filhas da Mãe quatro anos antes, finalizando dizendo que "qualquer coisa continua sendo melhor do que assistir a Bang Bang".[28]

Taíssa Stivanin, do jornal Estadão, avaliou que a novela era politicamente correta demais para abordar o violento velho oeste, dizendo também que o humor era "sem graça" e "patético" por misturar a temática com gírias cariocas.[29] Nilson Xavier, do portal UOL, declarou que a novela era confusa e que não tinha uma história, avaliando que as as piadas com referências aos anos 1960 eram sem graça e o ritmo da trama era lento.[30] Alberto Rocha, do Pure Break, disse que "absolutamente nada" deu certo na novela.[31] O portal Mini Lua disse que a trama era confusa e as piadas de velho oeste soavam sem graça, tornando-a um fiasco.[32]

Audiência[editar | editar código-fonte]

A estreia da novela teve média de 37 pontos e 57% de participação, representando cinco pontos a mais que a estreia da antecessora, A Lua Me Disse.[33] No final da primeira semana a novela já marcava apenas 31 pontos e, na semana seguinte, acumulava 29.[34][35] A queda coincidiu com a reta final de Essas Mulheres, na RecordTV, que marcava chegava a marcar entre 12 e 14 pontos, distante ainda de Bang Bang, mas numa época onde dois dígitos eram raros fora da Globo.[36] Com a estreia de Prova de Amor, também na RecordTV, a situação de Bang Bang se agravou, sendo que em 23 de novembro chegou a marcar 21 pontos contra 18 da concorrente, apenas três de diferença.[37] Em 18 de janeiro de 2006 a trama da RecordTV bateu 25 pontos e atingiu o primeiro lugar.[38] Bang Bang chegou a ser a menor audiência de novelas da emissora, perdendo para a "novela das seis" Alma Gêmea e para as décima segunda e décima terceira temporada de Malhação, que permaneceram acima dos 30 pontos.[39]

Em seu último capítulo, a novela surpreendeu ao marcar 34 pontos.[40] Bang Bang teve média geral de 27 pontos, considerada muito baixa para o horário, uma vez que a meta era de 35 pontos, sendo a pior audiência no horário das 19 horas até então e a segunda pior da década de 2000, superior apenas a Três Irmãs de Antônio Calmon, com 24 pontos.[41][42]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Referendo contra as armas[editar | editar código-fonte]

A novela também recebeu diversas críticas por colocar no ar uma telenovela sobre armas e violência exatamente na época em que se votava o referendo sobre a proibição de armas de fogo no Brasil, o que gerou controvérsias tanto nos votantes positivos, que consideraram que a trama suavizava e tornava "legal" o uso de armas, quanto pelos votantes negativos, que alegavam que a história induzia as pessoas a pensarem que havia muita violência até na televisão.[43] A reação negativa do público gerou um desconforto dentro da emissora, uma vez que boa parte dos atores havia feito campanha pelo desarmamento e não queria ser associado a uma possível glamorização da violência.[43] A emissora recebeu cerca de 10 mil reclamações antes mesmo da novela ir ao ar e a Frente Parlamentar tentou tirar a trama do ar.[43]

Atuação de Fernanda Lima[editar | editar código-fonte]

Fernanda Lima foi intensamente criticada pela imprensa e pelo público por sua atuação, classificada como "duvidosa" e "fraca" para ter incorporado uma protagonista logo em sua estreia. A jornalista Mariana Kalil, da revista Isto É Gente, publicou uma reportagem intitulada O Fracasso de Fernanda Lima, na qual diz que a falta de experiência da modelo fez com que ela não convencesse como atriz, classificada como uma "atuação sofrível", atribuindo a ela o fracasso da trama.[17]

Taíssa Stivanin, do jornal Estadão, disse que Fernanda precisava melhorar ainda para atuar tão mau quanto Ricardo Macchi como o Cigano Igor de Explode Coração – que igualmente foi criticado pela atuação.[29] O ator Lima Duarte também criticou a atuação de Fernanda, alegando que colocaram-a como protagonista apenas por ser bonita e que ela não tinha talento real para o cargo: "Colocaram a moça [Fernanda Lima], disseram que era bonita. Aí teve de ser atriz e ficou ruim para ela".[44] Para o ator, a única função para atrizes que são escolhidas pela beleza e não pela atuação, é aparecer sem roupa para atrair o público.[45] A emissora chegou a cogitar afastar a atriz da novela na ocasião.[46]

Apenas anos depois a atriz se pronunciou, dizendo que ficou extremamente magoada com as críticas em Bang Bang e, futuramente, em Pé na Jaca, e que não retornaria as novelas mais: "Não tinha técnica nenhuma, sofri muito, me entreguei de corpo e alma, mas as coisas não andavam. Chegava em casa deprimida. Não faço mais".[47]

Reclamação dos atores e outros problemas[editar | editar código-fonte]

Bang Bang passou por vários percursos durante sua exibição, como a reclamação dos atores de que os roteiros estavam sendo entregues com muito atraso.[48] Em março de 2006 Danielle Suzuki revelou em entrevista ao UOL que, em uma das ocasiões, recebeu os textos às 3h30 para gravar a cena às 8h.[48] Marco Ricca pediu para sair da novela, descontente com a pouca importância de seu personagem, que acabou sendo assassinado para poder acatar seu pedido.[49] Pela repercussão negativa da temática com o público, a Playmobil desistiu de lançar uma linha faoreste dos bonecos, temendo que fosse relacionada à novela e atrapalhasse as vendas.[50]

Notas

  1. O autor desenvolveu a sinopse e escreveu os primeiros 34 capítulos, porém teve que desligar-se da trama por problemas de saúde, passando a autoria para Carlos Lombardi, que escreveu os demais capítulos.

Referências

  1. «Estréia "Bang Bang", novela de Mario Prata». Estadão. 2 de outubro de 2005. Consultado em 3 de setembro de 2015. 
  2. Paulo Sampaio (5 de fevereiro de 2006). «"A diligência me atropelou", diz Mario Prata». Folha Ilustrada. Consultado em 3 de setembro de 2015. 
  3. «Record estréia a novela Cidadão Brasileiro». Estadão. Consultado em 20 de março de 2018. 
  4. Dalmo Magno Defensor (4 de outubro de 2005). «Ainda deve haver riquezas a extrair de "Bang Bang"». UOL 
  5. Leonardo Vicente Di Sessa (15 de dezembro de 2010). «Crossover entre Zorro e Cavaleiro Solitário». HQManiacs 
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  9. «LUA-DE-MEL COM A TELINHA». Revista Quem. Consultado em 20 de março de 2018. 
  10. «Mário Prata deixa a novela "Bang Bang"». Estadão. 13 de outubro de 2005. Consultado em 23 de dezembro de 2017. 
  11. «Substituta do autor Mário Prata em "Bang Bang" fala de mudança». O Fuxico. 18 de outubro de 2005. Consultado em 23 de dezembro de 2017. 
  12. «Carlos Lombardi deixa "Bang Bang", diz jornal». Terra. 10 de janeiro de 2006. Consultado em 23 de dezembro de 2017. 
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  14. Daniel Castro (7 de dezembro de 2006). «Só comédia salva 'Bang Bang', diz Lombardi». Folha Ilustrada. Consultado em 23 de dezembro de 2017. 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]