Banu Chaibam

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Banu Chaibam ou Banu Shayban foram uma tribo árabe, um ramo do grupo dos Banu Baquir. Ao longo da história islâmica inicial, a tribo assentou principalmente na Jazira (Mesopotâmia Superior), e desempenhou um importante papel em sua história.

História[editar | editar código-fonte]

Jazira islâmica
Dinar de ouro de Almançor (r. 754–775)

No período pré-islâmico, os Chaibam com seus rebanhos vagaram segundo as estações, invernando em Jadia (Jadiyya) no Néjede e movendo para as terras baixas férteis em torno do Eufrates para o verão, circundando desde a Jazira ao norte até o Iraque (Savad) inferior e as costas do golfo Pérsico. Seus principais oponentes durante este período eram as tribos de Banu Taglibe e Banu Tamim. Já dos tempos pré-islâmicos, a tribo foi "celebrada [...] por a qualidade inegável de seus poetas, seu uso de uma forma muito pura de língua árabe e seu ardor na luta" (Th. Bianquis), uma reputação que seus membros reteriam no período islâmico, quando histórias relembrar-os por suas habilidades como, e seu patrocínio de, poetas.[1]

Durante o tempo de Maomé e seus sucessores imediatos, os Chaibam foram aliados dos Banu Haxim (o clã que Maomé pertenceu). Durante a conquista muçulmana da Pérsia, o chaibam Mutana ibne Harita desempenhou um importante papel na conquista do Iraque. Pela maior parte do tempo os Chaibam permaneceram ativos, como nos tempos pré-islâmicos, principalmente na Mesopotâmia, mas especialmente no distrito de Diar Mudar, onde vários se assentaram, e de lá para o adjacente Planalto Armênio. Por virtude de sua proximidade, os Chaibam desempenham um importante papel na história islâmica precoce da Armênia e Azerbaijão.[2] Alguns poucos grupos e indivíduos isolados da tribo também são atestados no norte da Síria e Coração, tal como Calide ibne Iázide, um seguidor de Abu Muslim.[1]

No Califado Omíada, os Chaibam permaneceram poderosos na Mesopotâmia Superior. Xabibe ibne Iázide foi capaz de incitar uma revolta em larga escala de inspiração carijita nos anos 690 contra Alhajaje ibne Iúçufe, como fez Daaque em 745-746. Sob os primeiros abássidas, os mais proeminentes Chaibam foram a família de Mane ibne Zaida, um antigo omíada servo que assegurou o perdão de Almançor (r. 754–775). Seus filhos e especialmente seus sobrinhos, Iázide ibne Maziade e Amade ibne Maziade, ocuparam altos ofícios.[3]

Dirrã de Harune Arraxide (r. 786–809)
Dracma de Alamim quando de seu mandato como governador do Coração

Iázide serviu ao califa Harune Arraxide (r. 786–809) com sucesso como general, mesmo subjugando a revolta carijita sob os seguidores dos Chaibam Ualide ibne Tarife, enquanto seu irmão Amade partiu com 20 000 soldados tribais para ajudar o califa Alamim (r. 809–813) na guerra civil contra Almamune (r. 813–833).[1] Iázide também serviu duas vezes como governador do Emirado da Armênia (uma vasta província compreendendo a Armênia e Azerbaijão), onde encabeçou uma colonização em larga escala com muçulmanos árabes, particularmente em Xirvam. Ele foi sucedido por seus filhos Assade, Maomé de Calide, tornou-se o primeiro de uma longa linhagem de governadores Chaibam e o progenitor da dinastia maziadida que governou Xirvam como emires autônomos e depois independentes ("Xá de Xirvam" - Shirvanshah) até 1027.[4]

Outra linha bem sucedida dos Chaibam foi aquela de Issa ibne Xaique Chaibam, governador na Síria e Armênia nos anos 860-880. Seu filho Amade explorou o caos após a "Anarquia de Samarra" e estabeleceu-se como o mais forte governante da Jazira, controlando Diar Baquir e os territórios fronteiriços armênios de Taraunita e Anzitena, embora enfrentou oposição do Taglibe Hamdane e do turco Ixaque ibne Cundajique, governante de Moçul. Amade conseguiu capturar Moçul após a morte de Ixaque, mas foi repetido pelo ressurgente Califado Abássida sob Almutadide (r. 892–902) em 893. Após sua morte em 898, Almutadide tomou a última possessão da família, Amida, e prendeu Maomé ibne Amade.[1][5]

Os Chaibam como um todo não são frequentemente mencionados nos séculos subsequentes, ao contrário de suas muitas sub-tribos ou grupos dissidentes que dele emanam. Alguns Chaibam são mencionados posteriormente no sul do Iraque como poetas, gramáticos e filólogos, sendo o principal entre eles o maula Abu Amir Ixaque (m. 825). Membros da tribo também são mencionados entre os primeiros apoiantes dos carmatas no Savad do Iraque, e novamente no norte da Síria no final dos séculos X e XI, depois do que "a tribo dos Chaibam como tal é menos frequentemente mencionado, e é difícil seguir as fortunas subsequentes de seu grupo amplamente fragmentado" (th. Bianquis).[1]

Referências

  1. a b c d e Bianquis 1997, p. 391–392.
  2. Ter-Ghewondyan 1976, p. 26–27.
  3. Crone 1980, p. 169.
  4. Ter-Ghevondyan 1976, p. 27–28.
  5. Kennedy 2004, p. 181–182.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Crone, Patrícia (1980). Slaves on horses: the evolution of the Islamic polity. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-52940-9 
  • Kennedy, Hugh N. (2004). The Prophet and the Age of the Caliphates: The Islamic Near East from the 6th to the 11th Century Second ed. Harlow, RU: Pearson Education Ltd. ISBN 0-582-40525-4 
  • Ter-Ghewondyan, Aram (1976). Garsoïan, Nina G. (trad.)local=Lisboa, ed. The Arab Emirates in Bagratid Armenia. [S.l.]: Livraria Bertrand. OCLC 490638192