Barris (Salvador)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Barris
—  Bairro do Brasil  —
[[Imagem:
Salvador Barris Politeama Tororó.png
|250 px|none|]]
Distritos
Fonte: Não disponível

O bairro dos Barris está localizado na região central de Salvador,[1] e se notabiliza por ser próximo do centro tradicional da cidade, abrigando edifícios importantes como a Biblioteca Pública do Estado da Bahia e atraindo estudantes, aposentados e intelectuais, que movimentam a intensa rede de comércio e serviços locais, assim como sua proximidade com a Estação da Lapa gera um fluxo de pessoas e veículos intenso.

Estando implantado sobre uma colina a 40 metros do vale de mesmo nome - o Vale dos Barris - e a 97 metros de altitude, o bairro conta com instituições de ensino médio e fundamental, sede de sindicatos, conselhos de classe, instituições políticas, centros religiosos e de ensino, estabelecimentos para o público GLS e clínica.

Nos Barris, são encontradas construções de diversas épocas, do final do século XIX aos anos 30 e 50, assim como atuais. Alguns casarões, hoje abandonados, sofrem ameaça de desabamento por falta de interesse dos proprietários.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Entre muitas versões, duas se destacam por serem as mais citadas em estudos históricos.

A primeira diz que a nobreza habitava grandes chácaras e sobrados, porém não havia na cidade rede de esgotos, o que obrigava as famílias a terem em casa um barril para recolher os dejetos. Ao cair da noite, os escravos despejavam esses tonéis em um córrego próximo, que passou a ser conhecida como Vaza-barris. Daí, segundo uma das vertentes da lenda, surgiu o nome BARRIS.

Outros, como o historiador Cid Teixeira, dizem que o uso de BARRIS se deve a fatos menos escatológicos, e se destinavam a recolher a água abundante que brotava dos ricos mananciais nas encostas do bairro, utilizando grandes vasilhames para isso. Conta ainda que, por esse excesso d’água, que existe até hoje no subsolo, o primeiro piso da Estação da Lapa está sempre úmido, prova de que é impossível “arrolhar” uma nascente.

História[editar | editar código-fonte]

No século XVII, o marquês de Barbacena, Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, fez ali sua residência, uma enorme chácara de fontes abundantes, e da divisão desse terreno por seus herdeiros deu-se o início da ocupação do sítio.

No século XIX, instala-se ali o terreiro de candomblé Ilé Axé Oxumarê, e nesse mesmo tempo a nobreza baiana começa a ocupar a localidade, assim como imigrantes árabes, espanhóis e judeus, resultando em conflitos de convivência religiosa e econômica; os ricos não desejavam estar perto do local de culto dos escravos, enquanto os muçulmanos combatiam o fato de haver um centro de práticas infiéis. Então, deu-se a transferência do terreiro para onde até hoje se situa, na Avenida Vasco da Gama. A importância desse episódio é enorme na construção da identidade dos Barris, pois consolidou o uso residencial elitista e isolado que predominaria até meados da década de 1950 do século XX, sofrendo conseqüentes alterações devido á expansão da própria cidade.

A partir da década de 1930, o bairro passa por uma reestruturação, com novos loteamentos, ruas e praças, uma transformação das fachadas, se adequando ao estilo Art Deco, até então em moda, e a valorização da paisagem, com a colocação de árvores nos passeios que até hoje caracterizam o local, exclusivamente residencial, uma espécie de "caminho de árvores" da época, localizado no centro tradicional de Salvador, onde se vivia em relativa tranqüilidade, perto do trabalho e demais serviços que a cidade oferecia, servido por uma linha de bonde que passava na Rua do Salete e a General Labatut.

Abílio César Borges fundou o Ginásio Baiano no local onde ficava a antiga casa de Felisberto Caldeira e o primeiro dos estabelecimentos de ensino da cidade.

Na década de 1940, a cidade de Salvador sofre uma onda migratória vinda do interior do estado, e as invasões foram aparecendo lentamente em terrenos ociosos ou de risco. Nos Barris, surgiu a invasão da Roça do Lobo, alterando a estrutura do bairro até então isolado da cidade e seus problemas.

Nos anos sessenta, a situação se agrava e acompanhando os noticiários da época, constata-se uma lenta, porém contínua, degradação do modo de viver local.

…os desocupados se encarregaram de quebrar os bancos, estragaram as plantas e acabaram com a grama. Da fonte luminosa, resta apenas a instalação. Além disso, ninguém ousa permanecer naquele jardim as primeiras horas da tarde… os desocupados não permitem, pois acham que foi feita para dar expansão a sua deficiência moral e intelectual…
Trechos de reportagem do jornal A Tarde, datados de 12 de agosto de 1966.

Com a abertura das vias de vale e criação de novos bairros na década de 1970, a classe média e alta se desloca do eixo tradicional da cidade para o Vetor Norte, transformando aos poucos os casarões antigos em espaço de uso comercial, enquanto os moradores migram para outras localidades ou simplesmente se mudam para algum dos edifícios que começam a surgir, alterando a paisagem e a densidade populacional do bairro. O marco dessa transformação é a inauguração, em 5 de novembro de 1970, da Biblioteca Central dos Barris gerando um fluxo de pessoas que se intensifica, atraindo um comércio para atender essa demanda, como lanchonetes e copiadoras, piorando a questão dos transportes e estacionamento.

Nessa mesma época, os bondes são substituídos na rua General Labatut, sendo o bairro agora servido de duas linhas que, pelo baixo uso, são desativadas com a construção da Estação da Lapa, em 1982, em resposta ao grande do sistema de tráfego e desorganização da rede de transporte de Salvador, e impactando em toda a região central.

A construção do Shopping Piedade e o Center Lapa alguns anos mais tarde transforma mais ainda a vida dos Barris.

Nos dias atuais, sofre com o trânsito, a falta de estacionamento, segurança e degradação do seu patrimônio histórico e arquitetônico.

Em novembro de 2003, a SET efetua mudança no fluxo de veículos, e a falta de vagas para estacionamento principalmente no Shopping Lapa e nas faculdades, causa transtorno ao tráfego.

Pontos importantes[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SILVA, B.C.N.Silva, S.C.B.de M. Cidade e região no Estado da Bahia. Salvador: EUDSP, 1991. p. 57-80.
  • SIMAS FILHO, Américo. Evolução física de Salvador. Salvador: Fundação Gregório de Mattos; Centro de estudos da arquitetura na Bahia, 1998.
  • MASCARÓ, Juan Luís. Loteamentos Urbanos. Porto Alegre: Editor L.Mascaro, 2003.
Referências a artigos de jornais
  • Casa ameaça cair nos Barris. Tribuna da Bahia. Salvador, Jan.29 e 30, 2005, Cad. Salvador, p. 12.
  • Moradores reclamam do transito caótico nos Barris. Tribuna da Bahia. Salvador, 14/04/2005, Cad. Salvador, p. 9.
  • Barris do babado. Correio da Bahia. Salvador, 09/09/2001, Cad 1, p. 2.
  • Só lembranças do passado no Barris. A Tarde. Salvador, 24/10/1998, Cad.1, p. 6.
  • Reinaugurada praça “Jardim dos Barris”. Diário Oficial do Município. Salvador, 28/12/1995, Cad.1, p. 10.
  • Progresso nos Barris trouxe mais insegurança para seus moradores. Tribuna da Bahia. Salvador, 28/08/1987, Cad. Cidade, p. 2.
  • Barris mantém suas velhas tradições. Tribuna da Bahia. Salvador, 26/06/1988, Cad. Cidade, p. 2.
  • Barris terá 2 passarelas. Jornal da Bahia, Salvador, 30/11/1988, cad.1, p. 19.
  • Os problemas e as vantagens do Bairro dos Barris. A Tarde. Salvador, 09/11/73, Cad Jornal Utilidade, p. 3.
  • Os dois Barris. Jornal da Bahia. Salvador, 21 e22 /03/1965, Cad .1, p. 1.

Referências