Basílica de São João dos Florentinos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Basílica de São João dos Florentinos
San Giovanni dei Fiorentini
Fachada
Estilo dominante Barroco
Arquiteto Giacomo della Porta, Carlo Maderno e Alessandro Galilei
Início da construção 1523
Fim da construção 1784
Religião Igreja Católica
Diocese Diocese de Roma
Ano de consagração século XVIII
Website Site oficial
Dimensões
Área 13 440 m2 (128 x 105)
Geografia
País Itália
Região Roma
Local Rione Ponte
Coordenadas 41° 53' 58.91" N 12° 27' 54.08" E

San Giovanni dei Fiorentini ou Basílica de São João dos Florentinos é uma igreja titular e basílica menor localizada no rione Ponte de Roma, Itália, e dedicada a São João Batista, o padroeiro de Florença. A nova igreja nacional da comunidade florentina em Roma começou a ser construída no século XVI e só seria terminada no início do século XVIII. A fachada principal está de frente para a Via Giulia, uma rua reta construída em 1508 pelo arquiteto Donato Bramante por ordem do papa Júlio II Della Rovere que atravessa o irregular tecido urbano da cidade até a Ponte Sant'Angelo, a ponte que cruza o rio Tibre em direção ao Castel Sant'Angelo e a Basílica de São Pedro.

O cardeal-presbítero protetor do título de São João Batista dos Florentinos é Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1518, o sucessor de Júlio II, o florentino papa Leão X de Medici criou uma competição arquitetura para selecionar um projeto para a nova igreja no local da antiga igreja de São Pantaleão. Vários projetos foram apresentados por proeminentes arquitetos da época, como Baldassare Peruzzi, Jacopo Sansovino, Antonio da Sangallo, o Jovem e o pintor e arquiteto Rafael Sanzio. A ideia dominante inicialmente era de um plano central[1].

Sansovino venceu a competição, mas, depois de passar por várias dificuldades, inclusive a substrutura perto da margem do rio, Sangallo foi encarregado das obras. Ele fez um modelo em madeira da igreja e alterou o projeto para uma planta em cruz latina. O trabalho seguiu vagarosamente. COm apenas algumas das fundações da nave no lugar quando Leão morreu em 1523, a construção finalmente paralisou na época do saque de Roma em 1527.

Em 1559, Michelângelo foi convidado por Cosmo I de Médici, grão-duque da Toscana, para preparar um projeto para a igreja e apresentou planos para uma igreja de arranjo centralizado, que não foram aceitos[2].

A maior parte das obras foram realizadas entre 1583 e 1602 sob o comando do arquiteto Giacomo della Porta com base no plano em cruz latina de Sangallo. Porém, a fachada principal, baseada no projeto de Alessandro Galilei, só seria terminada em 1734[3].

Entre 1623 e 1624, Giovanni Lanfranco pintou as obras que decoram a Capela Saccheti[4].

Em 1634, o pintor e arquiteto romano do Barroco, Pietro da Cortona, recebeu uma encomenda do nobre florentino Orazio Falconieri para projetar o altar-mor[5]. Vários desenhos detalhando o arranjo final e um modelo em madeira foram preparados, mas o projeto jamais foi realizado. As ideias de Cortona para o coro incluía janelas escondidas da vista da congregação que iluminariam a peça-de-altar principal, um exemplo primitivo da técnica barroca da "luz escondida", muito utilizada por Bernini. Vinte ou trinta anos depois, Falconieri ressuscitou o projeto do coro, mas entregou a obra para o arquiteto barroco Francesco Borromini, que alterou o projeto para encaixar o monumento funerário do irmão de Orazio, o cardeal Lelio Falconieri. Depois da morte de Borromini em 1667, a obra foi completada e parcialmente modificada por Cortona. Quando este morreu, dois anos depois, Ciro Ferri, pupilo de Cortona, terminou o trabalho[6].

Capelas e obras de arte[editar | editar código-fonte]

O coro é a capela familiar dos Falconieri e abriga diversas esculturas barrocas. O relevo no altar-mor retrata o "Batismo de Cristo", de Antonio Raggi. O grande altar, de mármore vermelho francês e mármore de Cottanello, está encimado por figuras da "Justiça", de Michel Anguier, e "Fortitude", de Leonardo Reti. De ambos os lados estão túmulos dos Falconieri, ricamente decorados com retratos em mármore e estuque de membros da família em medalhões multicoloridos segurados por cupidos. Entre as estátuas estão "Fé", de Ercole Ferrata, e "Caridade", de Domenico Guidi. O túmulo neoclássico de Alexandre e Marianna Falconieri Lante é de Paolo Benaglia.

À esquerda do coro está a "Capela do Crucifixo", da família Sacchetti, abriga um grande crucifixo de bronze criado por Paul Sanquirico e executado por Prospero Antichi. As paredes e a abóbada estão decoradas por afrescos de Giovanni Lanfranco. O braço esquerdo do transepto exibe bustos comemorativos de Antonio Barberini, no estilo de Bernini, e de Pietro Francesco De Rossi.

Nos pilares da nave estão monumentos a Francesca Riccardi Calderini Pecori, de Antonio Raggi (ca. 1655), a Alessandro Gregorio Capponi, de Ferdinando Fuga e esculpido em 1746 por Michelangelo Slodtz, um monumento a Girolamo Samminiati, de Filippo della Valle (1733) e um busto de Clemente XII Corsini.

No percurso até a sacristia estão várias obras de arte: uma estátua de um jovem São João Batista, tradicionalmente atribuída a Donatello (e depois a Michelângelo), bustos de Antonio Coppola (de Pietro ou Gian Lorenzo Bernini), Antonio Cepparello, de Gian Lorenzo Bernini, e Pier Cambi, de Pompeo Ferrucci; um relevo "Santa Ana com a Menina", de Pierino da Vinci, uma cruz de bronze de Antonio Raggi, um relicário de ouro, prata e bronze que guarda o suposto pé de Santa Maria Madalena, da oficina de Benvenuto Cellini, e um grande ostensório de prata de Luigi Valadier.

Sepultamentos[editar | editar código-fonte]

Francesco Borromini está enterrado sob a cúpula[7].

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Heydenreich L. & Lotz W., Architecture in Italy 1400-1600, Pelican History of Art, 1974, p.195-6
  2. Heydenreich & Lotz, 1974, p. 257
  3. Guide Rionali di Roma , Rione V, Ponte, Parte IV, 1975, p.16 (in Italian)
  4. «Giovanni Lanfranco». Matthiesen Gallery. Consultado em 8 March 2015. 
  5. Blunt, Anthony. Guide to Baroque Rome, Granada, 1982, p.51; Merz, Jorg Martin. Pietro da Cortona and Roman Baroque Architecture, Yale, 2008, pp 87-91
  6. Merz, J.M. 2008,p 90-91
  7. «San Giovanni dei Fiorentini». Rome Sights. Fodor's. Consultado em 20 January 2013. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Basílica de São João dos Florentinos