Batalha de Agrigento

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Disambig grey.svg Nota: Cerco de Agrigento redireciona para este artigo. Para o cerco durante a Segunda Guerra Púnica, veja Cerco de Agrigento (210 a.C.).
Batalha de Agrigento
Primeira Guerra Púnica
Agrigento Roma Cartagine.png
Agrigento, Roma e Cartago
Data 262 a.C.
Local Agrigento, Sicília
Desfecho Vitória romana
Beligerantes
República Romana República Romana Cartago Cartago
Comandantes
República Romana Lúcio Postúmio Megelo
República Romana Quinto Mamílio Vítulo
Cartago Hanão
Cartago Aníbal Giscão
Forças
40 000 soldados 50 000 soldados
Guarnição de Agrigento
Baixas
1 200 30 000
Agrigento está localizado em: Sicília
Agrigento
Localização de Agrigento no que é hoje a Sicília

A batalha de Agrigento (Sicília, 262 a.C.) foi a primeira batalha da Primeira Guerra Púnica e o primeiro confronto militar de grande escala ocorrido entre os cartagineses e os romanos. A batalha aconteceu após um extenso cerco iniciado em 262 a.C. e resultou, com a vitória romana, no controle de Roma sobre a Sicília.

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

Em 288 a.C., os Mamertinos, mercenários italianos, ocuparam a cidade de Messina, localizada numa região a nordeste da Sicília, matando todos os homens e tomando as mulheres como suas esposas. A partir daí, eles passaram a atacar e pilhar os campos e se tornaram um problema para a cidade independente de Siracusa. Quando Hierão II, de Siracusa, chegou ao poder, em 265 a.C., ele decidiu tomar uma atitude definitiva contra os Mamertinos e sitiou Messina. Os Mamertinos pediram ajuda aos dois Estados que, anteriormente, haviam lutado juntos contra Pirro: Cartago e Roma.

Interessados em ter controle sobre a ilha fértil da Sicília, Cartago e Roma enviaram exércitos para a área. Para os romanos, que não possuíam uma sólida frota militar até aquele momento, foi o primeiro envolvimento em uma campanha fora da Itália. Logo, o problema envolvendo Messina foi esquecido e o fato de que havia uma rivalidade entre estas duas potências, com o caso de Siracusa "esquecido" algum lugar entre elas, se tornou evidente. Nos anos seguintes, ocorreram poucos conflitos entre os exércitos, com os dois oponentes testando o terreno e aprendendo como manobrar e desenvolver táticas na região montanhosa da Sicília.

O cerco de Agrigento[editar | editar código-fonte]

Em 262 a.C., os romanos enviaram um exército completo para a Sicília, comandado pelos dois cônsules Lúcio Postúmio Megelo e Quinto Mamílio Vítulo, constituídos por quatro legiões consulares e flancos de aliados (formações de cavalaria), em um total de 40.000 homens. Essa foi a resposta ao maior esquema de recrutamento e treinamento que estava sendo feito na história dos cartagineses. Apoiados por Siracusa, agora oficialmente aliada a Roma, o exército dos cônsules marchou em junho para Agrigento, na costa sudoeste da Sicília. Esta cidade estava sendo preparada para atuar como uma base que iria receber o exército cartaginês que estava para chegar, mas até o momento estava ocupada apenas pela guarda local, comandada por Aníbal Giscão.

Giscão respondeu à ameaça protegendo a população de Agrigento com barricadas e sua guarda com muralhas, junto com todo o suprimento que puderam reunir das redondezas. A cidade foi preparada para um longo cerco e tudo o que tinham a fazer era esperar pelos reforços cartagineses que já estavam sendo preparados. Naquele tempo, a engenharia de cerco e a construção de equipamentos de assalto como torres eram artes estrangeiras para os romanos. A única maneira disponível aos romanos para conquistar uma cidade fortificada como Agrigento era o cerco. Desta forma, o exército acampou do lado de fora das muralhas e barricadas da cidade e se preparou para esperar o tempo que fosse necessário para a cidade se render pela fome. Com um auxílio logístico garantido por Siracusa, os mantimentos dos próprios romanos não era um problema.

Alguns meses depois, Giscão estava começando a sentir o o peso do bloqueio e apelou por uma ajuda urgente de Cartago. Os reforços desembarcaram em Heracleia Minoa no início do inverno de 262-261 a.C., compostos por 50.000 homens de infantaria, 6.000 homens de cavalaria e 60 elefantes de guerra comandados por Hanno. Os cartagineses então marcharam para o sul para resgatar seus aliados e, após uma pequena batalha entre as cavalarias, ganha por Hanno, eles ergueram acampamento muito próximos dos romanos, mantendo-os presos entre as duas forças cartaginesas, em um esquema de circunvalação. Hanno imediatamente dispôs suas tropas em formação de batalha, mas os romanos negaram o "convite". Em vez disso, eles se fortificaram do outro lado, construindo uma linha de contravalação. O bloqueio a Agrigento continuou, mas agora os próprios romanos é que estavam cercados.

A Batalha de Agrigento[editar | editar código-fonte]

Com Hanno acampado na frente de sua base, a linha de suprimentos vindos de Siracusa não estava mais acessível aos romanos. Com eles mesmos correndo agora o risco de sofrer com a fome, os cônsules escolheram por oferecer uma batalha. Essa foi a vez de Hanno recusar, provavelmente com a intenção de vencer os romanos pela fome. No entanto, a situação dentro de Agrigento após mais de seis meses de cerco estava à beira do desespero. Aníbal Giscão, comunicando-se com o lado de fora por meio de sinais de fumaça, enviou um pedido urgente de ajuda e Hanno foi obrigado a aceitar uma batalha campal. Os detalhes da devida luta são (como normalmente acontece com registros antigos) descritos de formas variadas e por diversas fontes diferentes.

Acredita-se que Hanno tenha distribuído a infantaria cartaginesa em duas linhas, com os elefantes e demais reforços na segunda linha e a cavalaria, provavelmente, nos flancos. O plano de batalha dos romanos é desconhecido, mas eles provavelmente organizaram na típica formação "triplex acies". Todas as fontes afirmam que a batalha foi longa e que os romanos conseguiram quebrar a frente cartaginesa. Isso provocou pânico nas fileiras secundárias e as reservas cartaginesas fugiram do campo de batalha. Também é possível que os elefantes tenham entrado em pânico e, em sua fuga estabanada, desorganizaram a formação cartaginesa. De qualquer maneira, os romanos derrotaram o inimigo e saíram vitoriosos. Sua cavalaria conseguiu atacar o acampamento cartaginês e capturaram uma grande quantidade de elefantes. No entanto, a batalha não foi um sucesso completo, uma vez que a maior parte do exército cartaginês escapou e Aníbal Giscão, junto da guarda de Agrigento, também foi capaz de quebrar as linhas romanas e escapar.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Após esta batalha (a primeira entre quatro batalhas travadas em terra durante a Primeira Guerra Púnica), os romanos ocuparam Agrigento e venderam a toda a população como escravos. Os dois cônsules foram vitoriosos, mas, devido à fuga de Giscão, provavelmente não foram aclamados com triunfos quando retornaram.

Após 261 a.C., Roma passou a controlar a maior parte da Sicília e e garantiu uma fértil fonte de cereais para uso próprio. Além do mais, sendo esta a primeira batalha de grandes proporções travada em um território fora da Itália, esta vitória deu aos romanos mais segurança para buscar possíveis interesses além-mar.