Batalha de Cápua (211 a.C.)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Batalha de Cápua.
Segunda Batalha de Cápua
Segunda Guerra Púnica
Obsidio Capua 211 aC.png
Disposição das forças na Segunda Batalha de Cápua
Data 211 a.C.
Local Cápua, Campânia
Desfecho Vitória romana
Mudanças territoriais Captura de Cápua
Beligerantes
República Romana República Romana Cartago Cartago
Comandantes
República Romana Quinto Fúlvio Flaco
República Romana Ápio Cláudio Pulcro 
República Romana Caio Cláudio Nero
Cartago Aníbal
Cartago Bóstar
Cartago Hanão
Forças
8 legiões romanas (aprox. 40 000) 20 000 soldados
~2 000 cavaleiros númidas
Aliados capuanos
Baixas
Ligeiras
Cápua está localizado em: Itália
Cápua
Localização de Cápua no que é hoje a Itália

A Segunda Batalha de Cápua foi uma batalha travada em 211 a.C. durante a Segunda Guerra Púnica entre as forças da República Romana e os exércitos cartagineses de Aníbal. Os romanos foram vitoriosos e conseguiram capturar a importante cidade de Cápua.

Contexto[editar | editar código-fonte]

A cidade de Cápua, capital da Campânia e a segunda mais importante cidade de toda a península Itálica depois de Roma, desertou para os cartagineses depois da Batalha de Canas em 216 a.C.. Além disto, a cidade, sob o comando de Aníbal, formou um poderoso exército de 14 000 homens, incluindo uma poderosa cavalaria[1]. Durante as campanhas de 215 e 214 a.C., o coração do teatro de operações da Segunda Guerra Púnica foi a Campânia, mas, já em meados deste ano, um dos exércitos romanos que atuavam na região foi movido para a Sicília e os demais se concentraram em atacar os aliados dos cartagineses no Sâmnio, na Apúlia e na Lucânia. No ano seguinte, a guerra na península Itálica mudou para a fronteira entre a Lucânia e Brúcio, o norte da Apúlia e Salentino, o que deu um respiro a Cápua, cujo território, depois de anos de guerra, estava arrasado e improdutivo.

Movimentação prévia[editar | editar código-fonte]

No início do consulado de 212 a.C., o Senado Romano decidiu que os novos cônsules, Ápio Cláudio Pulcro e Quinto Fúlvio Flaco, se juntassem com o objetivo comum de capturar a "pérfida Cápua". Como os exércitos consulares invernaram perto de Sâmnio, os campânios passaram a temer que as operações da campanha do ano seguinte fossem contra eles e pediram ajuda a Aníbal, solicitando tropas e alimentos. O envio de cereis a partir de uma acampamento cartaginês perto de Benevento fracassou quando ele foi tomado de assalto por Fúlvio Flaco. A cavalaria campana, reforçada por 2 000 cavaleiros númidas, atacou as tropas romanas infligindo-lhes 1 500 baixas e dando oportunidade para que Aníbal conseguisse chegar.

Vindo de Salentino, os dois exércitos se enfrentaram na Primeira Batalha de Cápua, na qual os cartagineses conseguiram levantar o cerco e expulsar as forças romanas. O exército de Fúlvio Flaco foi para a Cumas enquanto que o de Cláudio Pulcro seguiu para a Lucânia, onde estava disperso o exército de escravos de Tibério Semprônio Graco depois que ele foi morto na Batalha dos Campos Antigos. Aníbal decidiu persegui-lo, que estava na Lucânia esperando a chegada de um novo exército romano liderado por Marco Centênio Pênula.

Com Aníbal distante, os dois cônsules voltaram para a região de Cápua, armazenando grandes quantidades de cereais vindos da Etrúria e da Sardenha em duas posições vizinhas: a cidade de Casilino e uma fortificação junto à foz do rio Volturno, garantindo suprimentos mesmo em caso de ataque. Além disto, os dois convocaram um terceiro exército, o do pretor Caio Cláudio Nero, que estavam em Suéssula, e começaram a construir uma paliçada dupla com fosso também duplo ao redor de Cápua (contravalação). Apesar dos contínuos ataques dos defensores capuanos e da guarnição cartaginesa, as tarefas de cerco se completaram antes do final do mandato dos dois. Aníbal, enquanto isto, continuou suas operações na Lucânia, aniquilando, na Batalha do Silaro, o exército de Pênula. De lá, seguiu para a Apúlia, onde destruiu completamente o exército do pretor Cneu Fúlvio Flaco, irmão do cônsul, na Primeira Batalha de Herdônia. Finalmente, seguiu para Salentino para tentar finalmente tomar a cidadela de Taranto (ele já havia capturado a cidade), mas não conseguiu. Depois disto, seguiu para a colônia romana de Brundísio.

Ali, recebeu o pedido desesperado de uma embaixada campana que urgia que ele voltasse para socorrer Cápua, pois o muro de cerco romano estava prestes a ser completado. Iniciado já o novo consulado de 211 a.C. nos idos de março, Cláudio Pulcro e Fúlvio Flaco permaneceram à frente do cerco de Cápua na posição de procônsules. No início da primavera, Aníbal alistou um exército o mais ligeiro possível, incluindo uma cavalaria, 33 elefantes e infantaria, e deixou sua caravana de bagagem em Brúcio. Seguiu à frente desta força até a Campânia em marchas forçadas e conseguiu tomar a fortaleza de Calácia, a sudeste de Cápua. Depois disto, acampou num vale na encosta de seu acampamento habitual no monte Tifata.

Batalha[editar | editar código-fonte]

Imediatamente depois, Aníbal tentou, durante cinco dias seguidos, romper as defesas romanas que cercavam Cápua. Ápio Cláudio Pulcro se encarregou da defesa do anel interior da paliçada contra o ataque da guarnição capuana, composta por campânios e 2 000 soldados da guarnição cartaginesa. Quinto Fúlvio Flaco se ocupou da defesa do anel exterior contra o ataque de Aníbal. Se uma eventual retirada fosse necessária, Nero enviava a cavalaria romana das seis legiões presentes, postadas na estrada até Suéssula, enquanto Caio Fúlvio Flaco, irmão do procônsul, foi postado com a cavalaria aliada na estrada até Casilino[2].

O exército de Aníbal enfrentou o exército de Quinto Fúlvio Flaco, que defendia a paliçada exterior, conseguindo que um pequeno núcleo de infantaria ibera, com três elefantes, abrisse uma brecha no centro da linha romana e chegasse até a paliçada do acampamento que fechava o cerco do anel interior no cerco. Esta ponta de lança começou seu assalto ao acampamento romano, que foi teimosamente defendido por sua guarnição, comandada pelos legados Lúcio Pórcio Licino e Tito Popílio[3]. Adicionalmente, vários manípulos da já rompida VI legião, liderados pelo centurião primipilo Quinto Návio[4] e pelo legado Marco Atílio[5] atacaram os flancos do destacamento ibero que havia penetrado as linhas romanas, aniquilando-os e re-estabelecendo a ordem.

No anel interior da paliçada, os defensores da cidade atacaram em outro, mas foram repelidos até a muralha da cidade. O procônsul Cláudio Pulcro acabou sendo gravemente ferido neste combate.

Marcha de Aníbal a Roma[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Marcha de Aníbal a Roma

Uma vez fracassada sua tentativa de romper o cerco, a falta de suprimentos nos desolados arredores de Cápua e a possibilidade da chegada de um novo exército romano pela sua retaguarda que impedisse sua fuga, Aníbal decidiu abandonar a região. Para isto, construiu balsas para cruzar o rio Volturno, a fronteira da Campânia e o Lácio, e, em uma única noite, realizou a travessia. O general cartaginês pretendia romper o cerco de Cápua lançando seu exército diretamente contra Roma, na esperança de que, com esta ameaça iminente, o exército romano se visse obrigado a abandonar o cerco para persegui-lo[6]. Seu plano era forçar os romanos a uma batalha campal e derrotá-los novamente, como já havia feito em várias ocasiões anteriores.

Apesar de tudo, Aníbal encontrou Roma com meios suficientes para se defender. A capital contava com duas legiões recém-alistadas e, além disso, havia chegado um exército de emergência vindo de Cápua com 16 000 homens, sob o comando do procônsul Quinto Fúlvio Flaco, que veio por uma rota diferente da seguida por Aníbal. Com sua cavalaria, Aníbal arrasou os campos à volta de Roma, mas teve que se retirar depois que o exército de Fúlvio Flaco passou a atacá-lo depois de ter atravessado o rio Ânio, recuperando parte do butim. Cinco dias antes de abandonar Roma, Aníbal realizou um ataque noturno contra o acampamento de seus perseguidores, mas como uma emboscada preparada por ele fracassou, Aníbal abandonou seus planos de ajudar Cápua.

Final da campanha[editar | editar código-fonte]

Aníbal, depois de atravessar o Lácio, dirigiu-se para a terra dos dáunios (norte da Apúlia), onde permaneceu na maior parte do tempo vigiado pelos exércitos consulares dos dois novos cônsules, Cneu Fúlvio Centúmalo e Públio Sulpício Galba. Neste verão, Cápua, acabou finalmente se rendendo aos romanos, que castigaram duramente seus habitantes. O procônsul Ápio Cláudio Pulcro acabou falecendo como resultado dos graves ferimentos sofridos durante a batalha e foi Quinto Fúlvio Flaco que organizou as severas represálias, motivo pelo qual acabou sendo acusado perante o Senado no ano seguinte. Aníbal finalmente marchou até Brúcio, no sul da península Itálica, depois de ter invernado na Lucânia. Ali, reconquistou Tisia e atacou Régio, sem sucesso, finalizando a campanha de 211 a.C..

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]