Batalha de Curuzu

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Batalha de Curuzu
Guerra do Paraguai
Battle of Curuzu by Vitor Meireles.jpg
Data a 3 de setembro de 1866
Local Curuzu, Paraguai
Desfecho Vitória brasileira
Beligerantes
Paraguai Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai)
Comandantes
  Flag of Empire of Brazil (1870-1889).svg Visconde de Porto Alegre
Forças
2.830 soldados e 13 Canhões 8.385 soldados, 6 encouraçados e 7 Canhoneiras
Baixas
832 mortos e 1.300 feridos 213 mortos e 628 feridos totalizando 941 baixas e 1 encouraçado afundado

A Batalha de Curuzu foi um conflito ocorrido entre os dias e 3 de setembro de 1866, no contexto da Guerra do Paraguai. Após a primeira batalha de Tuiuti, vencida pelos aliados em 24 de Maio de 1866, o comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos por Manuel Marques de Sousa, Visconde de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do forte de Curuzu e do Forte de Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá, às margens do rio Paraguai. No dia 1º de setembro, as 7:30 da manhã a esquadra brasileira, com os encouraçados Bahia, Barroso, Lima Barros, Rio de Janeiro e Tamandaré na vanguarda, frente ao forte de Curuzu, mais a canhoeira Magé, frente à ilha do Palmar, junto com os navios de madeira Greenhalgh, Beberibe, Belmonte, Araguari, Ipiranga, Parnaíba e Ivaí. O tiroteio entre o forte e os navios durou 4 horas. Enquanto isso os navios de madeira desembarcavam 800 soldados no chaco, para destruírem a base de onde os paraguaios disparavam brulotes e torpedos contra os navios brasileiros. Com o cair da noite o bombardeiro foi suspenso.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Causas da Guerra do Paraguai

Segundo o historiador, Francisco Doratioto, a Guerra do Paraguai se deu por conflitos que remetem às questões do Prata como, disputas entre facções locais (os federalistas e unitaristas na Argentina e blancos e colorados no Uruguai) , fronteiras entre os países e navegação pelos rios platinos.[1]

Em sua obra, Maldita Guerra, é possível perceber, de forma resumida, o que levou cada país a adentrar ao embate:

O episódio que marca o início do conflito foi apreensão do navio brasileiro, Marques de Olinda, que levava o presidente da província do Mato Grosso, Frederico Carneiro Campos, em portos paraguaios. A tripulação e todos os passageiros sucumbiram no país, devido ao mal tratamento na prisão para a qual foram levado. Outro evento que caracteriza o ponto de partida para a Guerra foi a invasão do Mato Grosso, resultando em um confronto que, ao todo, durou cinco anos e pode ser dividido em 5 fases: Ofensiva Paraguaia ( 1864-1865); Contra-ataque Aliado (1865-1866); Estagnação (1866-1868); Os Aliados retomam a ofensiva (1868-1869) e, por fim, Caça a Solano López (1869-1870). Foi durante a 2º fase que aconteceu a Batalha de Curuzu aconteceu entre e 3 de setembro de 1866.[2][1]

A batalha[editar | editar código-fonte]

Após a primeira Batalha de Tuiuti, vencida pelos aliados em 24 de Maio de 1866, o comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos por Manuel Marques de Sousa, Visconde de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do Forte de Curuzu e do Forte de Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá, às margens do Rio Paraguai.[2]

O Forte de Curuzu, ficava a margem leste do Rio Paraguai,equipado com três baterias de canhão apontadas para o rio, uma trincheira com cerca de 900 metros de comprimento (sentido leste-oeste), além de um fosso frontal com dois metros de profundidade, por dois de altura e um parapeito de quatro metros abrigando cerca de 2.500 soldados paraguaios. O forte foi construído com a finalidade de cobrir Humaitá, local onde se encontrava o sistema defensivo de Solano López.[3]

No dia 1º de setembro, as 7:30 da manhã a esquadra brasileira, com os encouraçados Bahia, Barroso, Lima Barros, Rio de Janeiro e Tamandaré na vanguarda, frente ao Forte de Curuzu, mais a canhoeira Magé, frente à Ilha do Palmar, junto com os navios de madeira Greenhalgh, Beberibe, Belmonte, Araguari, Ipiranga, Parnaíba e Ivaí bombardeiam o adversário. O tiroteio entre o forte e os navios durou 4 horas. Enquanto isso os navios de madeira desembarcavam 800 soldados no chaco, para destruírem a base de onde os paraguaios disparavam brulotes e torpedos contra os navios brasileiros. Com o cair da noite o bombardeiro foi suspenso.[1][3]

Em 2 de setembro, a esquadra imperial bombardeou o forte. O Visconde de Porto Alegre havia trazido 8385 homens que desembarcaram a cerca de 4 quilômetros de Curuzu e avançaram até a posição tiroteando contra os guaranis. No mesmo dia, as 14 horas, o couraçado Rio de Janeiro foi atingido por torpedos na proa e popa, indo a pique, junto com seu comandante Américo Brasílio Silvado e mais de 50 combatentes. O couraçado foi o único navio que os Aliados perderam desta dessa maneira e também, o único destruído pelos guaranis em todo o confronto. Uma hora depois Porto Alegre havia já desembarcado e reunido mais de 8000 homens, entre infantes, cavalarianos, artilheiros e pontoneiros na Guardia del Palmar.Apesar de ter encontrado resistência, conseguiu repelir o inimigo e preparar para o dia seguinte o ataque terrestre.[1][3]

Em 3 de setembro, com a posição já enfraquecida pela marinha, o exército tomou o forte, comandado pelo coronel Jimenez. O ataque foi feito por uma carga frontal de infantaria armada com baionetas caladas em fuzis. Embora vitorioso, o assalto também foi custoso para os aliados, resultado na baixa de 8.300 homens, 10% do efetivo total, pois o ataque de 1º de setembro não destroçou a artilharia inimiga, tão pouco desalojou seus defensores de suas posições nas trincheiras. A esquadra aliada também flanqueou as extremidades do forte. Os defensores contavam com a vantagem das terras pantanosas e espinheiros ao redor do forte. O forte após preparação pela artilharia, foi conquistado, os paraguaios perseguidos até a proximidade de Curupaiti.[3][4]

Segundo o historiador, Doratioto, Solano López puniu os soldados do 10º batalhão, trazidos de Corumbá, no Mato Grosso, que fugiram de Curuzu a Curupaiti, ao invés de defender o território. O batalhão foi perfilado e, o décimo soldado de cada fileira era retirado e fuzilados. Quanto as oficiais, estes sortearam palhas e os que tirassem as mais curtas também foram mortos, os que tiravam as mais longas eram rebaixados a soldados.[1]

A tomada do Forte de Curuzu, marca uma mudança nos cursos da Guerra. Até o momento, a ofensiva era feita pelo exército paraguaio, e após a derrota nas batalhas de 1º e 3º de setembro, os aliados passaram a atacar, adentrando cada vez mais em território inimigo.[3]

Derrotas e consequências[editar | editar código-fonte]

Os aliados, ao perseguirem os exercito guarani até Curupaiti, constatou que nessa localidade não haviam trincheiras do lado esquerdo e poderia ser facilmente tomada. Porém, o comandante Manuel Marquês de Sousa, ordenou que suas tropas voltassem a Curuzu, e só atacassem quando os reforços de infantaria, já solicitados para a ação, chegassem. Essa pausa no ataque, permitiu aos paraguaios que ocupassem as matas, se fortificassem e se preparassem para serem atacados em Curupaiti.[5]

No dia 8 de setembro, os comandantes Mitre, Polidoro e Flores oficializaram o plano de ataque que já fora comunicado aos oficiais Porto Alegre e Tamandaré. Neste plano, o ataque seria realizado pelas tropas reforçadas que já se encontravam em Curuzu, com o apoio da esquadra, enquanto a cavalaria sob o comando de Flores atacaria á direita e o 1º Corpo do Exército, do general Polidoro, permaneceria na defensiva em Tuiuti.[5]

Antes do ataque que estava planejado para acontecer no dia 16 de setembro, Solano Lopez solicitou um encontro com os comandantes Aliados o que, somado a intempérie que durou dias e, apagou as trilhas de reconhecimento feitas pela Tríplice Aliança , permitiu que o exército guarani se armasse.[6]

Quando o ataque efetivamente acontece, em 22 de setembro de 1866, a artilharia da Esquadra Imperial se mostrou incapaz de neutralizar o entrincheiramento paraguaio, protegido vários metros acima das margens do rio, enquanto que a infantaria, por conta das chuvas recorrentes, teve seu caminho atrasado, além da perda de lugares para se esconder dando maior visibilidade de ataque a artilharia inimiga, resultando assim, na baixa de quase mil soldados aliados.[6]

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Leituras adicionais[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências

  1. a b c d e f Doratioto, Francisco (2002). Maldita Guerra. [S.l.]: Companhia das Letras 
  2. a b Donato, Hernâni. (1996). Dicionário das batalhas brasileiras. [S.l.: s.n.] 
  3. a b c d e Tática do Exército Brasileiro na Guerra do Paraguai - Entre 1866 e 1868
  4. Doentes e famintos: cotidiano de um soldado na Guerra do Paraguai (1864-1870):
  5. a b De Lima,, Luiz Octavio. (2016). A Guerra do Paraguai. [S.l.]: Planeta 
  6. a b Muñoz, Javier Romero (2001). The Guerra Grande: The War of the Triple Alliance, 1865-1870. [S.l.: s.n.] 
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