Batalha de Guandu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Mapa da batalha e dos movimentos e acontecimentos bélicos relacionados. O curso do rio Amarelo é mostrado como era naquela altura, pois ao longo dos séculos tem mudado o seu curso significativamente.

A batalha de Guandu[1][2] foi travada entre os senhores da guerra Cao Cao e Yuan Shao em 200 d.C. no final da dinastia Han.[3] A batalha, a qual findou numa vitória decisiva para Cao Cao, foi o ponto de inflexão na guerra entre os dois senhores da guerra.[4] Marcou o começo da reunificação gradual da China setentrional por Cao Cao,[3] o qual fez possível o estabelecimento do estado de Cao Wei no período dos Três Reinos.

Territórios de Yuan Shao (vermelho) e de Cao Cao (azul) no tempo da batalha.

Cerco de Guandu[editar | editar código-fonte]

No oitavo mês, o exército de Yuan Shao lentamente avançou a Sul desde Yangwu e começou uma guerra de trincheiras, entre as posições que os dois exércitos tinham tomado.[5] Yuan Shao tinha erguido altas plataformas para os seus homens poderem disparar flechas contra as forças de Cao Cao.[6] Em resposta, os homens de Cao Cao tinham de levar escudos para proteger as suas cabeças e retaliaram o inimigo destruindo as plataformas de arqueiros. Yuan Shao também tentou construir um túnel debaixo do forte de Cao Cao, porém sem sucesso. Nenhum exército conseguiu ganhar vantagem e a guerra ficou estagnada.[6]

No nono mês,[7] Xun Yu reparou que Yuan Shao tinha armazenado mantimentos num depósito na aldeia de Gushi (故市;[8] sudoeste do atual condado de Yanjin, Henan), guardada por Han Meng. Cao Cao mandou pequenas unidades de cavalaria lideradas por Xu Huang e Shi Huan (史渙) para atacar esta posição. Esta ação foi bem sucedida, destruindo as linhas de víveres de Yuan Shao e queimando as suas provisões. Yuan Shao foi forçado a pedir reforços para responder a este ataque.[8]

Consequências[editar | editar código-fonte]

A vitória de Cao Cao na batalha de Guandu foi decisiva e propiciou uma virada na luta pelo poder com Yuan Shao.[4] Yuan Shao morreu dois anos depois[9] e o seu filho mais novo, Yuan Shang, foi feito seu sucessor. O seu filho mais velho, Yuan Tan, ficou furioso e lutou contra o seu irmão mais novo.[10] Isto acabou num conflito interno entre as forças de Yuan Shao; os conselheiros de Yuan Shao e os seus antigos generais também ficaram divididos entre as duas facções do conflito – uma apoiou Yuan Shang enquanto a outra apoiou Yuan Tan.[10] Cao Cao aproveitou a oportunidade[10] para lançar um ataque à base de Yuan Tan em Liyang. Yuan Tan aliou-se com Cao Cao contra Yuan Shang, mas Cao Cao acusou-o de ter violado alguns termos da aliança e matou-o em batalha.[11] Por outro lado, Yuan Shang foi derrotado por Cao Cao e foi a Norte para juntar-se a um irmão seu, Yuan Xi. As forças de Cao Cao perseguiram-nos e derrotaram a tribo Wuhuan, aliada dos irmãos Yuan, na batalha da Montanha do Lobo Branco.[11] Yuan Shang e Yuan Xi foram a Liadong à procura de proteção ao senhor da guerra Gongsun Kang em 207, mas Gongsu matou-os, possivelmente por considerá-los uma ameaça à sua autoridade.[11] Desta maneira, a maioria da China setentrional foi unificada baixo o controlo de Cao Cao, o que permitiu-lhe direcionar a sua atenção a Sul.[3]

Referências

  1. Filipiak, Kai (17 de dezembro de 2014). Civil-Military Relations in Chinese History: From Ancient China to the Communist Takeover (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781317573449 
  2. Thorne, T. P. M. (9 de maio de 2013). Crouching Dragon: The Journey of Zhuge Liang (em inglês). [S.l.]: PaMat Publishing. ISBN 9780957500402 
  3. a b c Li, Xiaobing (20 de novembro de 2016). China at War: An Encyclopedia (em inglês). [S.l.]: ABC-CLIO. ISBN 9781598844153 
  4. a b Besio, Kimberly Ann (1 de fevereiro de 2012). Three Kingdoms and Chinese Culture (em inglês). [S.l.]: SUNY Press. ISBN 9780791480496 
  5. Taylor, Peter (1 de maio de 2013). The thirty-six stratagems: A modern-day interpretation of a strategy classic (em inglês). [S.l.]: Infinite Ideas. ISBN 9781908474971 
  6. a b Guanzhong, Luo (20 de maio de 2014). The Three Kingdoms, Volume 1: The Sacred Oath: The Epic Chinese Tale of Loyalty and War in a Dynamic New Translation (em inglês). [S.l.]: Tuttle Publishing. ISBN 9781462914371 
  7. LEBAN, Carl. Ts' ao Ts' ao and the Rise of Wei: the Early Years. C. Leban, 1971.
  8. a b Thorne, T. P. M. (22 de fevereiro de 2016). "Turmoil": Battle for the Han Empire (em inglês). [S.l.]: PaMat Publishing. ISBN 9780957500495 
  9. Connolly, Peter; Gillingham, Emeritus Professor of History at the London School of Economics John; Gillingham, John; Lazenby, John (13 de maio de 2016). The Hutchinson Dictionary of Ancient and Medieval Warfare (em inglês). [S.l.]: Routledge. ISBN 9781135936747 
  10. a b c Yuan, Gao (16 de agosto de 2006). Las 36 estrategias chinas: La sabiduría de Oriente para Occidente (em espanhol). [S.l.]: EDAF. ISBN 9788441418196 
  11. a b c Crespigny, Rafe de (28 de dezembro de 2006). A Biographical Dictionary of Later Han to the Three Kingdoms (23-220 AD) (em inglês). [S.l.]: BRILL. ISBN 9789047411840 
Ícone de esboço Este artigo sobre batalhas (genérico) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.