Batalha de Montese

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo.
Por favor, adicione mais referências inserindo-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Batalha de Montese
Campanha da Itália
Segunda Guerra Mundial
Data 14 de Abril de 1945 - 17 de Abril de 1945
Local Montese, Itália
Desfecho Vitória dos Aliados
Beligerantes
Flag of Brazil (1889-1960).svg Brasil Alemanha Nazi Alemanha Nazista
Comandantes
Flag of Brazil (1889-1960).svg Mascarenhas de Morais
Forças
Flag of Brazil (1889-1960).svg 1ª Divisão de Infantaria Brasileira (11º e 6º RIs)
Alemanha Nazi 14º Exército Alemão
Baixas
426 (estimadas) 497 (estimadas)

A Batalha de Montese foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial, entre os dias 14 e 17 de abril de 1945, como parte da Ofensiva Aliada final da Campanha da Itália, tendo como forças combatentes, de um lado unidades da 1ª divisão de infantaria (expedicionária) brasileira (1ª DIE), reforçada por alguns tanques da 1ª Divisão Blindada Americana; e de outro, tropas do 14º Exército do Grupo de Exércitos C da Wehrmacht.[1][2]

Localização[editar | editar código-fonte]

O município de Montese ocupa uma vasta área de colinas que faz fronteira com as Províncias de Modena e de Bolonha, na região de Emília-Romanha. Possuí numerosos rios, uma rica vegetação, bosques e castanhais antigos que rodeiam os povoados medievais. Era considerada uma região de difícil acesso devido às fortificações alemãs construídas durante o período que perdurou a Linha Gótica. As tropas alemãs encontravam-se na posse da região de Montese, tendo como fronteiras as Províncias de Modena e Bolonha.

Preparação[editar | editar código-fonte]

Contrário às expectativas do Comando Aliado na Itália, a ofensiva de primavera (boreal) final, que havia se iniciado uma semana antes, no setor do 8º Exército Britânico, não havia avançado muito, encontrando forte resistência das principais forças alemãs na Itália. Assim, a ofensiva no setor do V Exército Americano (ao qual a 1ª DIE estava adscrita), iniciou-se a 14 de abril sem se beneficiar dos avanços que ainda eram aguardados no setor "britânico".

No setor "americano", a 1ª DIE seria a única divisão aliada a atingir o objetivo planejado no 1º dia da ofensiva. Em Montese, objetivo da 1ª DIE, além da infantaria, a ação envolveu as guarnições da artilharia e unidades blindadas de apoio, da cavalaria, das quais se destacou o esquadrão de reconhecimento. O 3º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria, que avançaria rumo a Serreto-Paravento-Montelo, estava no centro da formação ofensiva, sendo sua peça principal. À direita, alinhava-se o 2º Batalhão, e à esquerda, o 1º. Assim, no dia 14 de abril, às 13h30, os brasileiros atacaram Montese, fazendo sua estréia na traiçoeira guerra urbana moderna.

O avanço dos soldados do 11º RI era observado pelos comandantes em Sassomolare, que fornecia perfeita visão de Montese. A tomada da cidade no entanto só se concretizaria no dia 17, com o apoio do 6º Regimento de Infantaria.

Batalha[editar | editar código-fonte]

A conquista de Montese era o principal objetivo da 2ª Cia. do 1º Btl/11º RI. Tinha sido planejada para ser executada em duas fases;

  • 1ª Fase: Missão secundária- Início as 09:00 h com o ataque de dois pelotões a dois postos avançados do inimigo. Conforme previsto no planejamento os dois pelotões atacaram os objetivos, com forte reação do inimigo. O 1º Pelotão foi detido pelo forte fogo inimigo, conseguindo conquistar o objetivo algumas horas depois. O 2ª Pelotão foi detido em um campo minado sento castigado pela concentração do fogo de artilharia . Neste ataque, seu comandante foi atingido mortalmente na cabeça. Devido a estes contratempos o objetivo definido para o 2º Pelotão não foi atingido.
  • 2ª Fase : Ataque Principal a cidade – Com início às 12:00, também com dois pelotões. Às 11:45, o comandante confirmou a operação, considerado como hora “H” para o ataque principal.

Na hora definida o 1º Pelotão atacou o cume, após vencido 1/3 do percurso, foi atingido por intenso fogo de artilharia (barragem), que acabou cortando o fio do telefone em vários pontos, dificultando o contato entre as equipes. Somados a isto alguns soldados foram atingidos.

Superados estes contratempos o pelotão atingiu o topo das elevações de Montese, porém, tinha perdido o contato com a companhia, devido ao corte dos fios do telefone. O rádio, devido à distância e as ondulações do terreno, também deixara de funcionar. A seguir o cume foi atingido por pesado bombardeio da artilharia, visando desalojar os alemães que ainda permaneciam nas casamatas e trincheiras. Após o qual, os pelotões atacaram visando consolidar a posição. A reação foi inútil por parte dos alemães presentes, que foram abatidos ou capturados.

O 2º Grupo de Combate, logo após juntar-se ao 1º, foi empregado para dominar resistências que hostilizavam o flanco direito. Colocado em situação favorável e atirando de curta distância sobre um abrigo onde havia sido localizada uma metralhadora inimiga, após alguns ataques a posição foi conquistada. Ao cair na noite do dia 14 de abril, as posições na encosta da cidade estavam consolidadas, ficando um saldo de alguns alemães mortos e oito prisioneiros, do lado da 1ª DIE houve um morto e três feridos. Na manhã do dia 15, ainda com a artilharia alemã castigando a cidades, as tropas brasileiras ultimaram a limpeza da cidade.

A tentativa desesperada das forças alemãs de retomar a cidade, à partir de então iniciou aquela que seria até hoje, a mais sangrenta batalha envolvendo forças brasileiras em território estrangeiro, desde a Guerra do Paraguai. Os alemães cometeram um erro ao considerar o ataque da divisão brasileira à Montese (que no mesmo ataque, além do apoio de blindados americanos, também utilizou seus próprios carros de combate M8 e tanques M10 destroyer, e M4 Sherman); como sendo o principal alvo aliado naquele setor; tendo por conta disso disparado somente contra a divisão brasileira cerca de 1800 tiros de artilharia, (equivalentes a 64%) do total dos 2800 tiros empregados contra todas as 4 divisões aliadas naquele setor da frente italiana.[3] A batalha seria considerada encerrada a 16 de abril, com o fim dos contra-ataques alemães. Embora o trabalho de "limpeza" na cidade e arredores contra franco-atiradores tenha prosseguido até o dia 17.[4][5]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Após 3 dias de combate, Montese estava praticamente arrasada: das 1.121 casas do burgo, nada menos que 833 haviam sido destruídas. A luta também ceifou a vida de 189 civis da pequena localidade. A Divisão Brasileira levou a cabo uma campanha irrepreensível quanto à conquista do objetivo, mas a um alto custo: cerca de 430 baixas, entre mortos (34), feridos, soldados aprisionados pelo inimigo e desaparecidos. Do lado alemão, a estimativa à época e confirmadas em escavações posteriores, chegou a 497 baixas, entre mortos e aprisionados, sendo estes últimos exatos 453.[6][7][8][9]

A conquista de Montese marcou significativamente o início da chamada Operação GrapeShot ou Ofensiva da Primavera. Somadas às vitórias obtidas pelos Aliados em outras localidades, esta vitória contribuiu decisivamente, para o completo desmantelamento das linhas de defesa alemãs no setor do V exército, e em consequência no resto da Itália.[10]

Posteriormente, o município de Montese, liberto e agradecido às tropas vencedoras, homenageou as tropas brasileiras batizando uma de suas praças com o nome "Piazza Brasile". Ainda hoje é possível encontrar ruínas de posições alemãs na região. A tomada de Montese repercutiu favoravelmente nos altos escalões e mereceu elogios do Comando Americano, pela bravura e coragem com que a 1ª DIE encarou o desafio.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Souza, 2005. Pág. 258
  2. Donato, 1996. Pág.368
  3. Oliveira, 2008. Pág.117, 1ºparágrafo.
  4. Brayner, 1968. Capítulos XV & XVI.
  5. Barone, 2013. Capítulo 13, seção "Cai o último ponto de resistência alemã"
  6. Castro, Izecksohn & Kraay, 2004. Pág.356.
  7. Ibidem. Barone, 2013.
  8. Revista "A Defesa nacional" ECEME, 2003. Volumes 795-797. Página 124.
  9. Artigo comemorativo sobre a Tomada de Montese. Revista Veja, Abril de 2005.
  10. Ibidem. Brayner, 1968.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

  • O Brasil na Guerra, série comemorativa dos 60 anos do final da Segunda Guerra Mundial, sobre a participação do Brasil naquele conflito. Revista Veja, Abril de 2005.
  • [1] Breve descrição e indicações numéricas da tradicional revista brasileira "A Defesa Nacional", que trata de assuntos militares.
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Batalha de Montese
Ícone de esboço Este artigo sobre batalhas (genérico) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboço Este artigo sobre Força Expedicionária Brasileira é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.