Batalha de Pichincha

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Batalha de Pichincha
Guerra da Independência do Equador
Pichincha desde Itchimbia.jpg
Quito e o vulcão Pichincha
Data 24 de maio de 1822
Local Sopé do vulcão Pichincha e arredores da cidade de Quito, no atual Equador.
Desfecho Vitória do Exército Separatista
Beligerantes
Flag of the Gran Colombia.svg Grã-Colômbia
Flag of Guayaquil.svg Guayaquil
Flag of Peru (1821 - 1822).svg Peru
Bandera Argentina.png Províncias do Prata
 Reino Unido
Flag of Spain (1785-1873 and 1875-1931).svg Espanha
Comandantes
Flag of the Gran Colombia.svg Antonio José de Sucre Flag of Spain (1785-1873 and 1875-1931).svg Melchor Aymerich
Forças
2.971 homens 1.894 homens

Independência da América Espanhola
em vermelho os territórios reais.

A Batalha de Pichincha ocorreu em 24 de maio de 1822, no sopé do vulcão Pichincha, a mais de 3000 metros de altitude, nos arredores da cidade de Quito, Equador.

O encontro, que ocorreu no contexto da Independência da América Espanhola, foi entre o exército separatista sob o comando do General Venezuelano Antonio José de Sucre e o exército real comandado por Aymerich. A derrota das forças reais leais à Espanha levou à libertação de Quito e assegurou a independência das províncias que pertenciam à Real Audiência de Quito, também conhecida como a Presidência de Quito, a jurisdição administrativa colonial espanhola de qual finalmente surgiu a República do Equador.[1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Poderia afirmar-se que a campanha militar pela independência da Presidência de Quito iniciou-se em 9 de outubro de 1820, quando a cidade costeira de Guayaquil proclamou sua independência em relação à Espanha depois de uma rápida e quase incruenta revolta contra a guarnição local. Os líderes da revolta, uma combinação de oficiais peruanos e venezuelanos do Exército colonial junto de intelectuais locais e patriotas, formaram um conselho de governo e um exército com o propósito de defender a cidade e estender o movimento separatista a outras províncias da Presidência.

Para então, o curso das guerras de independência na América do Sul havia sido alterado contra a Espanha; a vitória de Simón Bolívar na Batalha de Boyacá selou a independência do Vice-Reino da Nova Granada, enquanto que no Sul José de San Martín, após o desembarque com seu exército na costa peruana em setembro de 1820, preparava a campanha para a independência do Vice-Reino do Peru.

Primeiras campanhas na Real Audiência de Quito[editar | editar código-fonte]

A primeira campanha se iniciou em 1820. O governo separatista de Guayaquil formou um exército de homens locais, de cerca de 1800 soldados, e em novembro enviou-os para a região serrana, com o propósito de somar adeptos à causa separatista. Depois de alguns êxitos iniciais, como a declaração de independência de Cuenca em 3 de novembro de 1820, os separatistas sofreram uma grave derrota ante o exército real na Batalha de Huachi, proximidades de Ambato, o que os obrigaram a retornar às regiões costeiras.

Em fevereiro de 1821 Guayaquil já havia recebido reforços, armas e provisões por parte de Bolívar, que até então era Presidente da República da Colômbia. Em maio do mesmo ano, o general de brigada Antonio José de Sucre, Comandante-chefe da Divisão Sul do exército colombiano e o subordinado de maior confiança de Bolívar, chegou em Guayaquil. Ele devia assumir a direção do exército Patriota, e começar as operações visando a libertação da cidade de Quito e todo o território da Real Audiência de Quito. O objetivo político de Bolívar era incorporar todas as províncias da Real Audiência, inclusive Guayaquil, à Colômbia. Guayaquil, por sua parte, não havia decidido se incorpora-se-ia ao Peru ou à Colômbia, e muitos de seus cidadãos queriam estabelecer sua própria República. O avanço de Sucre através dos Andes começou em junho de 1821. Como na primeira campanha, depois de alguns sucessos iniciais, Sucre foi vencido pelo exército Real em 12 de setembro, coincidentemente no mesmo local onde ocorreu a Batalha de Huachi. Esta segunda campanha terminou com um armistício entre os separatistas e os conservadores reais em 19 de novembro de 1821.

Ordem de batalha patriota[editar | editar código-fonte]

Exército Libertador de Colombia[editar | editar código-fonte]

Estado Maior do exército

Oficiais

Planejamento[editar | editar código-fonte]

De volta a Guayaquil, o General Sucre concluiu que a melhor estratágia para a próxima campanha seria evitar qualquer tentativa de avançar diretamente rumo a Quito via Guaranda, a favor de um avanço indireto, marchando primeiro até Cuenca antes de redirigir-se até o Norte, através dos Andes, em direção a Quito. Este plano oferecia numerosas vantagens: ao recapiturar Cuenca poderia-se impedir as comunicações entre Quito e Lima, e permitiria a Sucre esperar pelos reforços que até então San Martín havia prometido enviar desde o Peru. Além disso, um progressivo avanço desde a costa e ascensão através das montanhas permitiria a seu exército uma gradual adaptação aos efeitos fisiológicos da mudança de altitude. Mas fundamentalmente, era a única forma de evitar um combate direto em condições desfavoráveis com as forças Reais que vinham de Quito.

A campanha[editar | editar código-fonte]

Para janeiro de 1822 Sucre já havia organizado a nova campanha. Seu exército era composto de aproximadamente 1.700 homens, entre veteranos de suas campanhas anteriores e novos recrutas.

Havia homens das terras planas da Província de Guayaquil e voluntários que proveniam da Serra. Os dois contingentes prontos foram organizados como o Batalhão Yaguachi; também havia soldados neogranadinos e venezuelanos enviados por Bolívar, alguns oficiais e soldados espanhóis que haviam trocado de lado, um batalhão inteiro de voluntários britânicos (o Albión) e inclusive alguns irlandeses e franceses. Em 18 de janeiro o exército Patriota dirigiu-se a Machala, na planície. Em 9 de fevereiro, depois de haver cruzado os Alpes, Sucre entrou no bairro de Saraguro, onde seu exército se juntou com os 1200 homens da Divisão peruana, o contingente que San Martín havia prometido. Esta força (Expedição Auxiliar de Santa Cruz a Quito) estava conformada em sua maioria por recrutas peruanos, mas tinha oficiais argentinos e chilenos e um esquadrão do Regimiento de Granaderos a Caballo de los Andes (argentino) comandado por Juan Lavalle. Ao enfrentar esta força multinacional de cerca de 3000 homens, o destacamento Real de cavalaria, de uns 900 homens, que defendia Cuenca retirou-se rumo ao Norte, sendo perseguido à distância pela cavalaria Patriota. Cuenca foi então recapturada em 21 de fevereiro de 1822, sem ocorrer o disparo de um único tiro sequer. Durante março e abril, os conservadores Reais continuaram marchando rumo ao Norte, conseguindo com êxito evitar o enfrentamento com a cavalaria Patriota. Contudo, em 21 de abril ocorreu um violento encontro entre as forças da cavalaria em Tapi, arredor de Riobamba. No final do dia os soldados Reais novamente se retiraram, enquanto que o exército principal de Sucre procedeu a captura de Riobamba, permanecendo ali até 28 antes de retornar a sua viagem rumo a Quito.

Aproximação a Quito[editar | editar código-fonte]

Monumento da Nação a seus Heróis. No Paseo Los Próceres existem fontes, escadas, calçadas e muros, além de estátuas dos principais heróis da independência da América Latina.

Em 2 de maio de 1822, a força principal de Sucre havia alcançado a cidade de Latacunga, 90 km ao sul de Quito. Lá Sucre começou a reorganizar as suas tropas, somando voluntários dos povos vizinhos, enquanto esperava reforços, especialmente o Batalhão Alto Magdalena (da Colômbia) e novos relatórios da inteligência sobre o paradeiro do exército Real.

Enquanto isso, Aymerich listou os pontos de resistência e posições de artilharia nas principais trilhas e passagens montanhosas que davam acesso a Quito. Sucre, empenhado em evitar um confronto frontal em terreno desfavorável, decidiu avançar paralelamente aos flancos das posições Reais, marchando pelas ladeiras do vulcão Cotopaxi para, assim, poder chegar ao Vale dos Chilhos (Valle de los Chillos), na retaguarda da defesa Real. Em 14 de maio o exército Real, descobrindo as intenções de Sucre, começou a retirar-se, chegando a Quito no dia 16. Dois dias depois, e depois de uma marcha muito difícil, o exército de Sucre ocupou Sangolquí.

Manobras finais[editar | editar código-fonte]

Na madrugada do dia 24 de maio de 1822, o exército Patriota, formado por 2 971 homens, começou a subir as ladeiras do vulcão Pichincha. Na vanguarda estavam os 200 colombianos do Alto Magdalena, seguidos pelo exército principal de Sucre; na retaguarda estavam os britânicos do Albión, protegendo o trem de munições. Apesar do enorme esforço das tropas, o avanço pelas ladeiras do vulcão foi mais lento do que se esperava, e a garoa que caiu durante a noite transformou as trilhas em áreas úmidas.

Quando amanheceu, para desânimo de Sucre, o exército não havia alcançado um avanço significativo, encontrando-se literalmente a meio caminho, a 3 500 metros sobre o nível do mar e à vista dos sentinelas Reais em Quito. Às oito horas em ponto, ansioso pelo lento avanço do Albión, e com suas tropas exaustas e afetadas pela altitude, Sucre ordenou a seu exército parar o avanço para descansar, pedindo a seus oficiais ocultar seus batalhões da melhor forma possível. Enviou parte do batalhão Cazadores del Paya (peruano) num trabalho de reconhecimento, seguidos pelo Trujillo, outro batalhão peruano. Uma hora e meia depois, repentinamente, os homens do Paya foram atingidos por uma saraivada de tiros mosquetes. Esta ação deu início à batalha.

Desenvolvimento da batalha[editar | editar código-fonte]

O uniforme dos granadeiros , atualmente propriedade de honra do palácio presidencial de Quito.

Quando amanheceu, sem que Sucre soubesse, os sentinelas posicionados ao redor de Quito avistaram as tropas patriotas subindo pelo aclive do Pichincha. Aymerich, então consciente da intenção de Sucre de dar-lhe o flanco por meio da subida do vulcão, ordenou a seu exército de 1 894 homens subir a montanha o mais cedo possível, para enfrentar Sucre ali. Ao se encontrarem em um campo de batalha tão improvável, os dois comandantes não tiveram outra opção a não ser enviar aos poucos suas tropas para a batalha. Existia pouco espaço para manobrar nas ladeiras inclinadas do Pichincha, entre profundos barrancos e densas moitas.

Os homens de Paya, depois de recuperar-se do choque inicial, se reposicionaram sob o fogo inimigo, esperando a chegada do batalhão Trujillo. O surpreso Sucre, só esperando que os espanhóis tivessem mais cansados que suas próprias tropas, enviou ao batalhão Yaguachi, formado or equatorianos. O batalhão Alto Magdalena tratou de fazer um movimento de acompanhamento, mas sem êxito, pois o terreno não o permitiu. Preparados, os batalhões Paya, Trujillo e Yaguachi (batalhões patriotas), sofrendo muitas baixas e com poucas munições, começaram a retirada.

Para então o destino da batalha para os Patriotas parecia depender de Albión, que transportava as munições necessárias; mas seu paradeiro era desconhecido. A medida que o tempo passava, os Reais pareciam ganhar o controle da batalha. Trujillo foi obrigado a retroceder, enquanto que o batalhão peruano Piura se dispersou antes de enfrentar o inimigo. Em meio ao desespero, os homens de Reserva do batalhão Paya foram obrigados a descarregar contra o inimigo suas baionetas. Ambos os bandos sofreram grandes baixas, mas a situação mais ou menos se estabilizou para os Patriotas. Apesar disto, Aymerich, como parte de sua estratégia, durante a subida ao Pichincha separou de sua força principal o batalhão Aragón, ordenando-o avançar até o cume do vulcão, para assim logo atacar aos Patriotas pela retaguarda, rompendo suas linhas no momento indicado.[3] Aragón era o melhor batalhão do exército Real; era formado por veteranos espanhóis que haviam atuado tanto na Guerra Peninsular como em outras batalhas na América do Sul, e nesse momento se foi-se sobre os Patriotas e pronto para atacar.


Notas[editar | editar código-fonte]

  1. (estava formado sobre a base da companhia de granadeiros do Batalhão N° 8 dos Andes, proveniente de Cuyo)
  2. formado por peruanos, inicialmente comandado pelo argentino Francisco Villa e depois pelo coronel Luis Urdaneta
  3. Unidade não incorporada ao exército do Peru que que portava etandarte próprio segundo se indica: Temos a honra de haver recebido os restos do Exército dos Andes, conduzidos desde o Peru pelo coronel de granadeiros a cavalo D. Félix Bogado (...) se, para aqueles que têm conduzido triunfantemente a bandeira argentina até Quito e que tem sabido derramar seu sangue pela liberdade da pátria em Junín e Ayacucho (…) Gaceta Mercantil de Buenos Aires, 17 de janeiro de 1826.

Referências

  1. «La Batalla de Pichincha». Extraído de ALDEAEDUCATIVA.COM (em espanhol). Consultado em 13 de setembro de 2009  |coautores= requer |autor= (ajuda)
  2. Historia de San Martín y de la emancipación sud-americana. pp. 22-23. Autor: Bartolomé Mitre. Editado en 1907
  3. «Batalla de Pichincha (midena.gov)» (em castelhano) 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]