Batalha do Atlântico

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Batalha do Atlântico
Segunda Guerra Mundial
Officers on the bridge.jpg
Oficiais britânicos na Ponte de Comando de um destroyer procurando submarinos alemães, outubro de 1941.
Data 3 de setembro de 19398 de maio de 1945
Local Oceano Atlântico, Mar do Norte, Mar da Irlanda, Mar do Labrador, Golfo de São Lourenço, Mar do Caribe, Golfo do México, Outer Banks, Oceano Ártico Atlântico Sul
Desfecho Vitória Aliada
Combatentes
 Reino Unido
Canadian Red Ensign 1921-1957.svg Canadá
 Estados Unidos(1941–45)
Newfoundland Red Ensign.png Domínio de Terra Nova
 Noruega
Polónia Polônia
Flag of Free France 1940-1944.svg França Livre
 Bélgica
 Brasil (1942–45)
Países Baixos Holanda
 França (1939–40)
Alemanha Nazi Alemanha Nazista
Flag of Italy (1861-1946) crowned.svg Reino de Itália (1940–43)
França França de Vichy (1940–42)
Comandantes
Reino Unido Sir Percy Noble(1941–42)
Reino Unido Sir Max K. Horton(1943–45)
Canadá Leonard W. Murray
Estados Unidos Royal E. Ingersoll
Alemanha Nazi Erich Raeder
Alemanha Nazi Karl Dönitz
Baixas
36 200 marinheiros mortos[1] [2]
36 000 marinheiros mercantes mortos[1] [2]
3 500 navios mercantes
175 navios de guerra
~30 000 marinheiros mortos[3]
783 submarinos
Vários navios de guerra

A Batalha do Atlântico foi um confronto marítimo que marcou a Segunda Guerra Mundial, travado no Atlântico entre as potências europeias do Eixo e os Aliados. Inicialmente, os Aliados Reino Unido e França exerceram bloqueio naval contra a Alemanha Nazista, com os eventos decorrentes da queda da França, a marinha britânica estendeu tal bloqueio à Itália fascista.[4] A partir de 1941, as potências europeias do Eixo através de suas frotas de submarinos, progressivamente iniciaram tentativas seguidas de bloquear as rotas navais aliadas no Atlântico; visando impedir a chegada de suprimentos ao Reino Unido e à União Soviética, a chegada de tropas americanas no Teatro Europeu de Operações, bem como a utilização do Atlântico como rota de abastecimento para os Aliados nos Teatros de Operações da Ásia, e do Pacífico.[5]

Os "U-Boats" e seu líder Karl Dönitz[editar | editar código-fonte]

Desde o início das hostilidades, os alemães estavam cientes de que o domínio aliado dos mares era uma potencial ameaça aos seus planos de guerra. Para comandar a frota de U-boats alemães, Hitler nomeou Karl Doenitz – que já possuía experiência como submarinista na Primeira Guerra Mundial, portanto compreendia as necessidades dos marinheiros e o potencial do submarino como arma de guerra. Mas a avidez do Führer por iniciar o conflito pegou Doenitz de supresa: ele contava com mais alguns anos de paz, até que pudesse dispor de uma frota com poder de fogo para ameaçar o comércio entre britânicos e norte-americanos. Em setembro de 1939, início da Segunda Guerra Mundial, o almirante comandava 57 submarinos – bem menos do que as 300 embarcações com as quais um bloqueio contra a Grã-Bretanha seria efetivo.

Por dentro de um U-Boat[editar | editar código-fonte]

A vida a bordo de um submarino alemão é descrita por alguns que sobreviveram à guerra como, no mínimo, insalubre. Dentro de um casco pressurizado um tanto quanto frágil (e de tanques de lastro responsáveis pela submersão ou emersão da nave), apenas o capitão tinha uma acomodação individual; o restante da tripulação tinha de se virar entre tubos, torpedos, aparelhos medidores e equipamentos da nave, para comer, operar as máquinas e até mesmo fazer suas necessidades fisiológicas. Como os U-Boats não possuíam ventilação interna, os marinheiros eram obrigados a andar com passos leves e a não fazer muito esforço físico – pois, do contrário, corriam o risco de consumir todo o oxigênio.

Explosão do navio britânico HMS Barham.

Um U-Boat era movido por enormes motores a Diesel, os quais precisavam de ar da superfície e funcionando recarregavam as baterias que alimentavam os motores eletricos que movimentava o U-Boat quando submerso, durante ao menos quatro horas todos os dias. Nesse meio tempo, portanto, era grande o risco de o submarino ser atacado por aviões inimigos – lugar comum no final do conflito, quando os Aliados lograram desenvolver um sistema de radar centimétrico que reduziria drasticamente o poder dos U-Boats.

As principais armas usadas pelos submarinos eram os torpedos. Um torpedo poderia ser facilmente descrito como um micro-submarino, a partir do momento em que era lançado. Em seu bico, continha uma carga de explosivos que era acionada no contato com o casco do navio inimigo; entretanto, não era uma tarefa simples lançá-los. O comandante tinha que calcular bem a distância entre seu submarino e a nave inimiga, para então lançar o torpedo, de preferência a pouca profundidade. Uma vez na água, os propulsores dos torpedos deixavam um rastro de bolhas que poderia facilitar ao inimigo sua presença e dar-lhe tempo de desviar; com o recrudescimento do conflito, os alemães lograram desenvolver um torpedo movido a querosene, que minimizava esse rastro. Além dos torpedos, muitos submarinos possuíam canhões em seu deque – muitas vezes para afundar pequenas embarcações ou dar um coup d'grâce sem precisar usar torpedos.

Como driblar o "ASDIC"[editar | editar código-fonte]

Doenitz compreendera astutamente o poderio de seus submarinos por uma razão simples: a dificuldade dos aliados em combatê-los sem se limitar ao uso de comboios de navios. O sistema ASDIC (Allied Submarine Detection and Investigation Committee, traduzido: Comitê Aliado de Pesquisa e Detecção Submarina), composto de freqüências de áudio que poderiam captar a presença de um submarino, era inútil contra submarinos que disparassem seus torpedos da superfície. Assim sendo, os comandantes dos U-Boats – alcunha dada aos submarinos alemães pelos ingleses, onde o U referia-se a Unterseeboot, ou submarino em alemão; a nomenclatura U-número era usada para identificar cada submarino (por ex. U-47, U-386, U-571, etc.) – foram instruídos a atacar à tona d'água. Desde petroleiros, com sua carga facilmente incendiável, até navios com carregamentos militares, muitos não escapavam aos U-Boats.

Os "anos felizes" 1939-1941[editar | editar código-fonte]

Batalha do Atlântico: Lançamento de bombas de profundidade durante a guerra anti-submarino no litoral brasileiro.

Durante os primeiros anos da Batalha do Atlântico, por motivos acima explicados, os Aliados pouco ou nada puderam fazer para conter a ameaça submarina nazista, mesmo com seus navios navegando em comboios. Doenitz também orientou seus capitães a fazerem uso da tática de "matilhas" (em alemão, Rudeltaktik): um comandante de submarino que localizasse um comboio aliado transmitia, por rádio, sua rota a submarinos vizinhos, que reuniam-se para atacar, à noite, o malfadado comboio e infligir-lhe pesadas perdas. Por conseguinte, um número assustador de navios mercantes e de combate foi posto a pique por hábeis comandantes alemães. Tanto que, por momentos, o ritmo no qual os navios aliados eram afundados superava a capacidade dos estaleiros em substituí-los. Entre os comandantes de submarinos alemães com maior números de afundamentos de embarcações confirmadas, destacam-se:

Reviravolta: o radar centimétrico[editar | editar código-fonte]

Esquadra naval dos Aliados "Casablanca" dirigindo-se para leste, em direcção à costa africana (cerca de novembro de 1942).

Winston Churchill, em suas memórias, descreveu os "U-Boats" como a maior ameaça à vitória sobre o nazismo – não à toa ele temia os afundamentos causados pelos U-Boats mais do que qualquer outra arma de Adolf Hitler. Apesar de os alemães já estarem na defensiva na frente oriental, no Atlântico ainda levavam vantagem. O mês de março de 1943 foi o pior da guerra para os Aliados no mar: eles perderam 51 navios nesse período.

Mas a agonia aliada terminou em maio de 1943, quando John Sayers, cientista britânico, anunciou a invenção de um novo sistema de radar, com ondas curtas e tamanho compacto o suficiente para ser instalado em aviões – o radar centimétrico. Seu princípio é o mesmo dos radares convencionais; um feixe de ondas eletromagnéticas é emitido. Quando um obstáculo é encontrado, o feixe retorna. Medindo o tempo entre a recepção e choque com o obstáculo, bem como o ângulo do mesmo, pode-se localizar o alvo. Com base nele, os aviadores aliados podiam, agora, localizar submarinos alemães na superfície com relativa facilidade e afundá-los com cargas de profundidade (bombas submergíveis, em forma de latas de tinta, que explodiam com a pressão da água). Os decessos de U-Boats alemães cresceram vertiginosamente – e os afundamentos de navios foram drasticamente reduzidos. O episódio ficou conhecido como Maio Negro.

Doenitz procurou Hitler para transmitir-lhe as más novas: "Mein Führer, o fato é que agora os Aliados dispõem de um novo mecanismo que lhes permite localizar nossos submarinos à tona d'água... Nossas perdas subiram drasticamente. Deveríamos poupar nossas forças, pois do contrário estaríamos entrando no jogo do inimigo".

A Grã-Bretanha estava, por fim, salva da tentativa de bloqueio naval pela Alemanha, não sem pagar um preço elevadíssimo: além do afundamento de mais de 2.000 navios mercantes e militares e da perda de mais de 13,5 milhões de toneladas de carga, cerca de 40.000 de seus mais capazes marinheiros morreram enquanto serviam à pátria. No mesmo interim, os alemães perderam, em toda a guerra, 29 000 homens e 785 de seus 1 162 submarinos.

Atlântico Sul[editar | editar código-fonte]

Apesar do Atlântico Sul, ser aonde a tripulação do cruzador alemão Graf Spee foi forçada a afundar seu próprio navio, na primeira batalha naval da Segunda Guerra Mundial,[6] e operações submarinas do Eixo na região (centradas no estreito entre Brasil e África Ocidental) terem começado no outono de 1940, apenas no ano seguinte operações de afundamentos eficazes começaram a causar sérias preocupações em Washington.[7] Esta ameaça sentida pelos americanos levou-os a decidir que além de pontos britânicos ao longo do Caribe e da costa da África Ocidental, uma introdução de forças militares americanas no litoral do Brasil seria indispensável. O que veio a acontecer depois de uma série de negociações com a então ditadura brasileira, ao longo do segundo semestre de 1941.[8]
Essa presença militar dos EUA no Brasil não foi bem aceita por Berlin e Roma, especialmente após a ruptura das relações diplomáticas entre o Brasil e as Potências do Eixo, em janeiro de 1942,[9] o que levou a Alemanha e Itália a estenderam sua guerra submarina aos navios brasileiros onde quer que estivessem, incluso as próprias águas territoriais brasileiras a partir de abril de 1942.[10] Em Maio ocorreram os primeiros ataques de retaliação por parte do Brasil (através de sua Força Aérea) contra submarinos do Eixo,[9] mas apenas em 22 de agosto de 1942 o Brasil entrou oficialmente na guerra. O que, de qualquer maneira foi de grande importância para a batalha, dada a sua estatura e posição estratégica no Atlântico Sul.[11]

Embora pequena, a marinha brasileira possuía então navios lança-minas modernos e, aviões que necessitavam apenas de pequenas adaptações para tornarem-se adequados para o patrulhamento aéreo marítimo e escolta oceânico.[12] Durante os seus três anos de guerra, principalmente, mas não apenas no Atlântico Sul, sozinha e em conjunto com a Marinha dos EUA, a marinha brasileira escoltou 3.167 navios em 614 comboios, totalizando 16,5 milhões de toneladas, com perdas de 0,1%.[13] O Brasil viu três de seus navios de guerra afundados e 486 homens mortos em ação (332 apenas no Cruzador Bahia), embora apenas o cargueiro e transporte de tropas Vital de Oliveira, o tenha sido por ação inimiga.[14]
Já a marinha mercante brasileira registrou a perda de 972 pessoas, entre tripulantes e passageiros, que pereceram a bordo dos seus 32 navios atacados por submarinos inimigos[15] As forças aeronavais americanas e brasileiras trabalharam em estreita colaboração até o fim da batalha. Um exemplo foi o ataque bem sucedido ao U-199 em 31 de julho de 1943, por uma ação coordenada de aeronaves de ambos os países.[16] [17] Apenas em águas brasileiras, outros onze submarinos do Eixo foram afundados confirmadamente (entre janeiro e setembro de 1943); um italiano da classe Arquimedes e dez alemães: U-128, U-161, U-164, U-507, U-513, U-590, U-591, U-598, U-604 e U-662[18] [19] [20]

Ao final de 1943, a diminuição do número de navios aliados de transporte afundados no Atlântico Sul coincidiu com a crescente eliminação dos submarinos do Eixo que operavam na região.[21] A partir de então, a batalha no Atlântico Sul estava perdida para os alemães, mesmo com a maioria dos submarinos remanescentes na região tendo recebido ordem oficial de retirada somente em agosto do ano seguinte, e com ( Baron Jedburgh ) o último navio mercante aliado afundado por um U-Boat (U- 532), ainda em 10 de Março de 1945.[22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • http://www.uboat.net – Em inglês, mantido pelo entusiasta islandês Gudmundur Helgasson, possivelmente o melhor site sobre a Batalha do Atlântico, enfocando os submarinos alemães, com fichas técnicas, estatísticas, histórias, fotos etc.
  • http://www.u47.org – Também em inglês, conta a história do submarino U-47 e de seu comandante, Günther Prien.

Referências

  1. a b White, David. Bitter Ocean: The Battle of the Atlantic, 1939-1945. New York, United States: Simon & Schuster, 2008. p. 2. ISBN 9780743229302
  2. a b Bennett, William J. America: The Last Best Hope, Volume 2: From a World at War to the Triumph of Freedom 1914-1989. United States: Nelson Current, 2007. p. 301. ISBN 9781595550576
  3. Bennett, William J. America: The Last Best Hope, Volume 2: From a World at War to the Triumph of Freedom 1914-1989. United States: Nelson Current, 2007. p. 302. ISBN 9781595550576
  4. Davis & Stanley, 2006. Pág.246
  5. Morison, 1947. Capítulos: X, seçao 4 ("The Anti-Submarine Fleet") e XIV, seção 5 ("North Russia Convoys").
  6. Gastaldoni, 1993. Page 32.
  7. Carey 2004, p. 5-6.
  8. Ibidem, Carey 2004.
  9. a b Carey 2004.
  10. Carey 2004, p. 9,10.
  11. Morison, 1947. Capitulo XV, p.376
  12. Ibid, Morison de 1947.
  13. Votaw, 1950 Página 10579ff. 1951, p.93
  14. Maximiano & Bonalume (2011), p.6
  15. Ibidem, Maximiano & Bonalume (2011)
  16. Gastaldoni, 1993. A partir da pág.15.
  17. UBoatNet Lista de submarinos do Eixo afundados durante a II Guerra (em inglês) (Visto em julho de 2015).
  18. Ibidem, UBoatNet.
  19. 2004, p. 119.
  20. Barone, Capítulo 2.
  21. Ibidem, Carey, 2004 p.100
  22. Carruthers, 2011 p.190

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barone, João 1942: O Brasil e sua guerra quase desconhecida, Rio de Janeiro, (2013), ISBN 8520933947
  • Carey, Alan C. Galloping Ghosts of the Brazilian Coast, Lincoln, NE USA: iUniverse, Inc., (2004), ISBN 0595315275
  • Carruthers, Bob The U-Boat War in the Atlantic: Volume III: 1944-1945, Coda Books Ltd., (2011), ISBN 9781781591611
  • Davis & Stanley. Naval Blockades in Peace and War: An Economic History Since 1750 Cambridge University Press, 2006. ISBN 9781107406155
  • Mason, David. Submarinos Alemães: a Arma Oculta. Rio de Janeiro: Renes, 1974. 160 p.;
  • Busch, Harold. U-Boats at War. Nova York: Ballantine, c1973 (em inglês).
  • Gastaldoni, Ivo. A última guerra romântica: Memórias de um piloto de patrulha Incaer, Rio de Janeiro (1993) ISBN 8585987138
  • Prien, Günther. Mein Weg Nach Scapa Flow ("Minha rota até Scapa Flow") (em alemão)
  • Maximiano, C.C.; Bonalume N., R. Brazilian Expeditionary Force in World War II, Long Island City: Osprey Publishing, (2011), ISBN 9781849084833
  • Morrison, Samuel Eliot. History of United States Naval Operations in World War II: The Battle of the Atlantic; September 1939-May 1943, Boston: Little Brown, (1947), ISBN 0252069633
  • Votaw, Homer C. The Brazilian Navy in World War II, U.S. Government Printing Office; Congressional Record: Proceedings and Debates of US Congress (Volume 96, Parte 8, Senado, 1950) And Military Review, Volume XXX, Número X (1951).


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