Batalha do Fanfa

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Batalha do Fanfa
Revolução Farroupilha
Data 3 e 4 de outubro de 1836
Desfecho Acordo para a rendição dos farroupilhas descumprido, prisão de muitos revoltosos.
Beligerantes
Flag of Piratini Republic.svg República Rio-Grandense Flag of Brazil (1870–1889).svg Império do Brasil
Comandantes
Flag of Piratini Republic.svg Bento Gonçalves Flag of Brazil (1870–1889).svg Bento Manuel Ribeiro
Forças
500 homens de infantaria 1 300 homens de infantaria.
Baixas
100 2 mortos,6 feridos.

A Batalha do Fanfa foi um dos primeiros conflitos travados durante a Revolução Farroupilha, entre as forças da República Rio-Grandense, sob o comando de Bento Gonçalves, e as do Império do Brasil, comandadas por Bento Manuel Ribeiro.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ao tomar conhecimento da proclamação da República Rio-Grandense, na Batalha do Seival, as forças de Bento Gonçalves levantam o sítio que infligiam à cidade de Porto Alegre, e passam a deslocar-se, beirando o rio Jacuí, para junção com as forças de Neto. Devido à época de cheias, era necessário atravessar o rio na ilha de Fanfa, no atual município de Triunfo.

As tropas imperiais, sob o comando de Bento Manuel Ribeiro, deslocam-se a partir de Triunfo, de modo a impedir a passagem dos farroupilhas. Araújo Ribeiro, alertado por Bento Manuel, envia a marinha, comandada pelo mercenário inglês John Grenfell. Assim, 18 barcos de guerra, escunas e canhoneiras foram postos a guardar o lado sul da ilha. Os barcos só foram percebidos pelos farrapos depois de estarem na ilha.

Confronto[editar | editar código-fonte]

Em 3 de Outubro de 1836, as forças imperiais fecham o cerco por terra. As forças farroupilhas resistem, sabedores da proximidade de tropas lideradas por Crescêncio de Carvalho. Repelem os marines que desembarcam na ilha pela costa sul e as tentativas de travessia pelo norte. Naquela noite, porém, negociam um acordo pelo qual os farrapos entregariam as armas, capitulariam e voltariam livres para suas casas.

Pela manhã do dia 4 de outubro era formalizada a capitulação. Muitos revoltosos jogaram suas armas no rio, ao invés de entregá-las aos imperiais. No momento em que confraternizavam as tropas, chega Araújo Ribeiro, em pessoa, trazido por John Grenfell. Imediatamente ordena a prisão dos farrapos, desprevenidos e desarmados, não aceitando o acordo. Bento Manuel colabora com a captura. Entre outros, Bento Gonçalves, Tito Lívio Zambeccari, Pedro Boticário, José de Almeida Corte Real, Onofre Pires e José Calvet são presos. Por esse motivo, além de ser conhecido como a derrota do Fanfa, o episódio é também chamado de traição do Fanfa.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Foi um confronto estratégico onde os comandantes já se conheciam e tinham lutado lado a lado em diversas oportunidades, na mesma guerra, como também, anteriormente, na guerra da Cisplatina. Foi, ainda, um dos momentos em que a participação de Bento Manuel, então lutando pelo Império, mostrou-se decisiva para a vitória. O episódio custaria a Bento Manuel, quando resolveu voltar para o lado farroupilha, grande desconfiança por parte dos líderes da revolução.

A rendição dos farroupilhas e a prisão de Bento Gonçalves retiraria o general do confronto até sua fuga do Forte do Mar, na Bahia, em 1837. A guerra, porém, continuou. Neto assumiu o comando militar farroupilha e Gomes Jardim substituiu Bento Gonçalves na presidência da república.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DONATO, Hernâni. Dicionário das Batalhas Brasileiras. São Paulo: Editora Ibrasa, 1987.

Referências[editar | editar código-fonte]