Batalha dos Atoleiros

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Batalha dos Atoleiros
Crise de 1383-1385
Raul Xavier Alegoria a D. Nuno Álvares Pereira IMG 8793.JPG
Data 6 de abril de 1384 (635 anos)
Local Atoleiros, Fronteira (Portugal), Portugal
Desfecho
  • Vitória portuguesa
Beligerantes
Nações: Nações:
Comandantes
Liderados por: Liderados por:
Forças
Total de homens:

-1 400 homens

  • 1 000 soldados a pé
  • 300 cavaleiros
  • 100 besteiros
Total de homens:

-5 000 homens

  • 3 000 soldados a pé
  • 2 000 cavaleiros
Baixas
Perdas:
  • Não houve baixas
Perdas:
  • Muitas

A Batalha dos Atoleiros foi travada a 6 de Abril de 1384, no atual município português de Fronteira, distrito de Portalegre e a cerca de 60 km da fronteira com Castela, entre as forças portuguesas, comandadas por Nuno Álvares Pereira, e uma expedição punitiva castelhana, enviada por João I de Castela, junto da povoação do mesmo nome, no Alentejo.[1]

Foi a primeira batalha durante a crise de 1383-1385 e a primeira obtida pelo general português.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

D. Nuno Álvares Pereira, chefe militar português que tinha sob o seu comando uma força de 1 400 homens de pé, dos quais 100 besteiros e 300 lanceiros ingleses (cavalaria ligeira e pesada). As forças castelhanas invasoras contavam com um efetivo com 5 000 homens.

Por esta altura, Nuno Álvares Pereira fora nomeado pelo Mestre de Avis como fronteiro do Alentejo,[2] temendo este a entrada em Portugal do exército castelhano por aquela zona. Partindo de Lisboa, D. Nuno aumentou o número dos seus homens pelo caminho e aproximou-se do exército inimigo, que intentava cercar Fronteira.[3]

A batalha[editar | editar código-fonte]

Mais numerosos e conscientes que D. Nuno os iria intercetar, os castelhanos enviaram um emissário ao chefe do exército português, tentando dissuadi-lo. Perante a recusa dos portugueses, o exército castelhano foi ao seu encontro, sendo um dos comandantes, o irmão de Nuno Álvares: Pedro Álvares Pereira, prior da ordem do Hospital.

O exército português tinha escolhido previamente o terreno, formando retângulo com a maioria dos veteranos lanceiros ingleses na vanguarda; nas alas e retaguarda estavam os peões, misturados com mais lanceiros ingleses. Os castelhanos atacaram com a cavalaria, que foi contida pelos lanceiros ingleses e por virotões, o que gerou grande desordem. A batalha durou pouco, tendo sofrido o exército castelhano pesadas baixas.[4]

As tropas castelhanas começaram a recuar, sendo perseguidas por todo o resto do dia pelas forças juntadas por D. Nuno Álvares Pereira, que lhes deu caça até à distância de cerca de sete quilómetros do local da batalha.

A batalha dos Atoleiros constituiu na Península Ibérica a primeira e efetiva utilização das novas técnicas de defesa de forças de infantaria em inferioridade numérica, aprendida dos ingleses, perante uma cavalaria pesada muito superior. A mais conhecida destas será a técnica de «pé terra»» ou «pé em terra», pela primeira vez usada em Portugal: consistia em peões armados com lanças a esperar a carga da cavalaria inimiga, adotando uma tática defensiva.

Uma das mais curiosas notas da batalha é que, embora as forças de Castela tenham sofrido perdas muito elevadas, principalmente com muitos mortos entre a cavalaria pesada (que era a força castelhana mais importante), do lado português não ocorreu uma única morte, julgam alguns, nem se registaram feridos, algo pouco provável, pois o ataque castelhano consistiu primeiro em atacar a cavalo e, como tal não surtiu efeito, nova investida foi feita a pé, havendo então combate corpo a corpo.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Esta batalha provou ser possível resistir a um exército fortemente armado e formado na maioria por cavaleiros da nobreza, com recurso a forças populares. Foi uma importante vitória para resistir ao domínio de Castela e deu força à causa do Mestre de Avis.[5]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. MARTINS, J. P. Oliveira (1893),A Vida de Nun'Alvares
  2. Chronica do Condestabre de Portugal Dom Nuno Alvarez Pereira
  3. MARTINS, J. P. Oliveira (1893), A Vida de Nun'Alvares
  4. MARTINS, J. P. Oliveira, (1893), A Vida de Nun'Alvares
  5. José Saraiva (1993), História de Portugal

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Chronica do Condestabre de Portugal Dom Nuno Alvarez Pereira
  • MARTINS, J. P. Oliveira (1893), A Vida de Nun'Alvares, Lisboa
  • Saraiva, José (1993). História de Portugal. Mem Martins: Publicações Europa-América 

Ver também[editar | editar código-fonte]