Bateria de Nossa Senhora da Conceição de Caloura

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Ancoradouro da Caloura, ilha de São Miguel: vista a partir do Miradouro do Pisão.

A Bateria de Nossa Senhora da Conceição de Caloura, também referida como Forte de Nossa Senhora da Conceição e Forte da Caloura, localiza-se na povoação da Caloura, freguesia de Água de Pau, concelho da Lagoa, na costa sul da ilha de São Miguel, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa do porto da Caloura e do Convento de Nossa Senhora da Conceição contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

História[editar | editar código-fonte]

Foi erguida pelo filho de Manuel de Sousa Correia, Capitão-mor da Ribeira Grande, que entrou para a Recolecta em 8 de Junho de 1751, ocasião em que tomou o nome de Manuel do Sacramento, assumindo o comando do forte[1]

Ao final do século XVIII, a Relação dos Castelos e mais Fortes da Ilha de S. Miguel do seu estado do da sua Artelharia, Palamentas, Muniçoens e do q.' mais precizam, pelo major engenheiro João Leite de Chaves e Melo Borba Gato, informava:

"Forte de N. S. da Conceição - Da Villa d'Agoa de páo milhor cituado q.' o referido, porq.' tem a esquerda hu' bom Porto p.a desembarque, mas não está ainda onde devera p.a bem o defender: foi feito por hum Irmão Leigo dos Recoletos de N. S. das Dores da Irmand.e de S. Caetano: não tem mais q.' as muralhas com 3 canhoneiras, sem palamentas: Preciza guarnecido e municiad em rão do lugar."[2]

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 refere-o como "Forte da Caloura" e informa que se encontra muito arruinado.[3]

Tanto os remanescentes da fortificação quanto o convento encontram-se atualmente em mãos de particulares, voltados à cultura da vinha e protegidos por um muro de pedra. REZENDES (2010) refere-o como Forte do Convento da Caloura e dá-o como em bom estado de conservação.[4]

Características[editar | editar código-fonte]

Por ser uma estrutura aberta, não pode ser classificada tecnicamente como um forte e sim como uma bateria. Constituía-se em um simples parapeito onde se abriam três canhoneiras. Não há informações sobre a sua artilharia nem sobre o seu paiol, provavelmente o próprio convento.

Referências

  1. NÓIA, Sara. "Foi na Caloura que tudo começou". Açorianíssima, Junho de 2000. p. 13-14.
  2. BORBA GATO, 2000.
  3. BASTOS, 1997:268.
  4. Op. cit., p. 7.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que se achão ao prezente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defeza do Pais, com declaração d'aquelles que se podem desde ja desprezar." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 267-271.
  • BORBA GATO, João Leite de Chaves e Melo. "Proposta de Plano Defensivo de São Miguel, e Situação da Fortificação e da Artilharia da Ilha" (Arquivo Histórico Ultramarino). in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVIII, 2000.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Artur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]