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Beatificação

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Beatificação de João Paulo II, celebrada em maio de 2011

Beatificação (do latim beatus, abençoado, pelo termo grego μακαριος, makarios) é o ato solene pelo qual se confere a uma pessoa o título de Beato(a).

Na Igreja Católica, a beatificação constitui o reconhecimento público de que a alma do fiel declarado Beato encontra-se no Paraíso, em estado de bem-aventurança, e pode, portanto, interceder junto de Deus por aqueles que recorrem a ela em oração. Em outras tradições cristãs não há distinção formal entre os conceitos de beatificação e canonização.

A diferença essencial entre ambas reside na extensão do culto permitido: a beatificação autoriza uma veneração local ou particular, restrita a uma diocese, região ou família religiosa, enquanto a canonização, ao declarar alguém santo, institui o culto universal em toda a Igreja. Além disso, embora a canonização seja considerada um ato infalível do Magistério, a beatificação, segundo muitos teólogos, não possui o mesmo grau de infalibilidade, sendo antes um passo preparatório rumo à plena canonização.

Estas diferem sobretudo no seguinte: a primeira implica uma permissão local para a veneração enquanto a segunda se estende muito para além disso, tratando-se de um preceito universal. Ao invés da canonização, muitos teólogos não consideram a declaração de beatitude como uma declaração infalível da Igreja. É considerada um passo no sentido da canonização (ser declarado santo).

O Papa João Paulo II reformou significativamente o processo de beatificação, tornando-o mais acessível e diligente. Durante o seu longo pontificado, beatificou 1340 pessoas até novembro de 2004, número superior ao de todos os Papas anteriores juntos. Ele próprio foi beatificado em 1º de maio de 2011, através do mesmo processo que aperfeiçoara em vida.[1]

O processo de beatificação

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Atualmente, cabe às dioceses a autoridade para iniciar uma causa de beatificação. O processo é conduzido por um postulador, espécie de advogado e guardião da causa, que recolhe provas e testemunhos sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do candidato. Assim que o processo é aberto, o fiel recebe o título de Servo de Deus.

Na fase inicial, examinam-se atentamente as virtudes heroicas, a oferta da própria vida[2] ou o martírio, caso tenha ocorrido. Em situações de martírio, investigam-se com rigor as circunstâncias da morte e a firmeza da fé do candidato. Concluído o processo com parecer favorável da Santa Sé, o Servo de Deus é declarado Venerável.[3]

Para que seja proclamado Beato, é necessário o reconhecimento de um milagre obtido por sua intercessão — sinal visível da aprovação divina. Nos casos de martírio, essa exigência é dispensada, pois o derramamento do sangue pela fé é considerado testemunho supremo de amor a Cristo.

Uma vez beatificado, o fiel pode ser cultuado publicamente em locais e contextos determinados, enquanto prossegue o processo que poderá culminar na canonização, quando, então, a Igreja o inscreve no catálogo dos santos e o propõe à veneração de todos os fiéis do mundo.[3]

Ver também

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Referências

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