Beija-flor-tesoura

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaBeija-flor-tesoura
Eupetomena macroura -Piraju, Sao Paulo, Brazil-8.jpg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Apodiformes
Família: Trochilidae
Género: Eupetomena
Espécie: E. macroura
Nome binomial
Eupetomena macroura
Gmelin, 1788
Sinónimos
  • Campylopterus macrourus (Gmelin, 1788)
  • Trochilus macrourus Gmelin, 1788

Beija-flor-tesoura ou tesourão é uma espécie de ave da família Trochilidae (beija-flores). Seu nome científico é Eupetomena macroura, do (grego) eu = divindade, deus; e petonemos = sempre sustentado pelas asas, voando; e do (grego) makros = longo, comprido; e ouros, oura = cauda.[2]

Distribuição Geográfica[editar | editar código-fonte]

É uma das espécies mais comuns em áreas abertas de quase todo o Brasil, exceto em alguns locais da Amazônia. Ocorre desde a Guiana Francesa até a Bolivia e o Paraguai.[3]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

São reconhecidas cinco subespécies: [4]

Características[editar | editar código-fonte]

O tesourão tem esse nome devido a sua cauda ser dividida no meio, dando a aparência semelhante a de uma tesoura. Sua cabeça, pescoço e cauda são azuis e o resto de sua plumagem verde-escuro brilhante. Sua coloração é igual em ambos os sexos, somente nas fêmeas sendo levemente mais escura e é menor. Medem entre 15–17 cm e pesam 9-11 g.[3][5]

Indivíduos com plumagem flavística são aqueles que têm ausência parcial de melanina, podendo ainda ser observado com um pouco da cor original da ave. Além da ave flavística possuir uma coloração de aparência diluída devido à perda de melanina, são encontrados em sua plumagem a presença de pigmentos carotenoides, encontrado em seres desde bactérias até plantas e animais que dão na natureza os tons de amarelo ao vermelho.[2][6]

Hábitos[editar | editar código-fonte]

O beija-flor-tesoura é considerado como um dos beija-flores mais comuns do Brasil. É comumente encontrado até mesmo em grandes regiões urbanizadas, além de viver em locais possuidores de áreas semiabertas, parques, jardins e bordas de florestas. Devido aos seus locais de habitat e à convivência de alguns indivíduos com as cidades, não costumam ter medo das pessoas, sendo capaz de aproximar-se delas para se alimentar nas garrafas com água e açúcar ou do néctar nas flores de jardins.[2]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Assim como outros beija-flores o tesourão alimenta-se de néctar de flores, logo tem um importante papel na polinização de muitas plantas. Também faz parte de sua dieta caçar pequenos insetos.[2]

Comportamento[editar | editar código-fonte]

É uma das espécies mais agressivas de beija-flor do Brasil principalmente na época da reprodução, podendo atacar pequenos mamíferos e até mesmo outros pássaros maiores que ele. É territorialista, disputa entre si e com outros animais o seu território e suas fontes de alimento. Na escassez de néctar se aloja em uma árvore (geralmente mulungu ou ipê) e a defende destemidamente contra qualquer outro pássaro. Reproduz danças ritualísticas entre outras espécies com voo em defesa de seu território.[2]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Beija-flor-tesoura em seu ninho, localizado em Ribeirão Preto, São Paulo.

Beija-flores-tesoura acasalam-se pela primeira vez na idade de 1-2 anos e é caracterizado pelo voo do macho e da fêmea juntos em zig-zag. A fêmea fica responsável pela escolha do local de seu ninho, este com formato de tigela aberta, e localiza-se geralmente em um ramo um pouco horizontal ou numa forquilha de arbusto ou árvore, a cerca de 2 a 3 metros do solo.

O ninho é feito com teias de aranha e aderido extremamente a fragmentos de folhas, musgos e líquens; fibras vegetais macias incluindo paina ou algodão. A fêmea põe de dois a três ovos de coloração branca e de formato alongado no período de janeiro e fevereiro. Somente ela encuba os ovos, que eclodem depois de 15-16 dias. Os filhotes nascem nus, com um pouco de penugem. Suas penas nascem depois de 5 dias, e são alimentados por sua mãe de uma a duas vezes por hora, principalmente por insetos. Os filhotes deixam o ninho com 22 a 24 dias após seu nascimento.[2]

Um macho pode acasalar com várias fêmeas, do mesmo modo que uma fêmea também pode acasalar com vários machos durante seu tempo de vida. [2]

Referências

  1. Lista Vermelha da IUCN (em inglês)Eupetomena macroura Acedido em 1 de março de 2015.
  2. a b c d e f g h «beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura) | WikiAves - A Enciclopédia das Aves do Brasil». www.wikiaves.com.br. Consultado em 4 de outubro de 2018 
  3. a b Sick, Helmut (1997). Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. p. 456-457. ISBN 9788520908167 
  4. Schuchmann, K. (1999): 50. Swallow-tailed Hummingbird. In: del Hoyo, Josep; Elliott, Andrew & Sargatal, Jordi (eds.): Handbook of Birds of the World (Vol.5: Barn-owls to Hummingbirds): 554, Plate 48. Lynx Edicions, Barcelona. ISBN 84-87334-25-3
  5. Grantsau, Rolf (1989). Os beija-flores do Brasil. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura. p. 56-57. ISBN 9788520801000 
  6. «Carotenoides - exemplos, principais fontes». InfoEscola. Consultado em 4 de dezembro de 2018 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Baza Mendonça, Luciana & dos Anjos, Luiz (2005): Beija-flores (Aves, Trochilidae) e seus recursos florais em uma área urbana do Sul do Brasil [Hummingbirds (Aves, Trochilidae) and their flowers in an urban area of southern Brazil]. Revista Brasileira de Zoologia 22(1): 51–59 [Portuguese with English abstract]. doi:10.1590/S0101-81752005000100007 PDF fulltext
  • Baza Mendonça, Luciana & dos Anjos, Luiz (2006): Feeding behavior of hummingbirds and perching birds on Erythrina speciosa Andrews (Fabaceae) flowers in an urban area, Londrina, Paraná, Brazil [Hummingbirds (Aves, Trochilidae) and their flowers in an urban area of southern Brazil]. Revista Brasileira de Zoologia 23(1): 42–49 [English with Portuguese abstract]. doi:10.1590/S0101-81752006000100002 PDF fulltext
  • de Lyra-Neves, Rachel M.; Oliveira, Maria A.B.; Telino-Júnior,Wallace R. & dos Santos, Ednilza M. (2007): Comportamentos interespecíficos entre Callithrix jacchus (Linnaeus) (Primates, Callitrichidae) e algumas aves de Mata Atlântica, Pernambuco, Brasil [Interspecific behaviour between Callithrix jacchus (Linnaeus) (Callitrichidae, Primates) and some birds of the Atlantic forest, Pernanbuco State, Brazil]. Revista Brasileira de Zoologia 24(3): 709–716 [Portuguese with English abstract]. doi:10.1590/S0101-81752007000300022 PDF fulltext.
  • Melo, C. (2001): Diurnal bird visiting of Caryocar brasiliense Camb. in Central Brazil. Revista Brasileira de Biologia 61(2): 311-316. doi:10.1590/S0034-71082001000200014 PDF fulltext
  • Oniki, Y. & Willis, E.O. (2000): Nesting behavior of the swallow-tailed hummingbird, Eupetomena macroura (Trochilidae, Aves). Revista Brasileira de Biologia 60(4): 655-662 [English with Portuguese abstract]. doi:10.1590/S0034-71082000000400016 PDF fulltext
  • Restall, R.; Rodner, C. & Lentino, M. (2006): Birds of Northern South America. Christopher Helm, London. ISBN 0-7136-7243-9 (vol. 1), ISBN 0-7136-7242-0 (vol. 2)
  • Schulenberg, T.; Stotz, D.; Lane, D.; O'Neill, J. & Parker, T. III (2007): Birds of Peru. Christopher Helm, London. ISBN 978-0-7136-8673-9
  • Sick, Helmut (1993): Birds of Brazil - A Natural History. Princeton University Press, Princeton. ISBN 0-691-08569-2
  • Sigrist, T. (2006): Birds of Brazil - An Artistic View. ISBN 85-905074-1-6
  • Straube, Fernando Costa; Urben-Filho, Alberto & Piacentini, Vítor de Queiroz (2006): O Beija-flor-tesoura Eupetomena macroura (Gmelin, 1788) e sua ampliação de distribuição pelo Sul do Brasil ["The Swallow-tailed Hummingbird and its distribution expansion in the south of Brazil"]. Atualidades Ornitológicas 132 [In Portuguese]. PDF fulltext

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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