Benedict Kiely

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Benedict Kiely (Omagh, Tyrone, Irlanda do Norte, 15 de Agosto de 1919Dublin, 9 de Fevereiro de 2007), foi um escritor, jornalista e locutor irlandês.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Benedict Kiely nasceu no dia 15 de Agosto de 1919 entre Drumskinny, Condado de Fermanagh e Dromore, Condado de Tyrone, filho de Thomas e Sara Alice Kiely, que já tinham cinco filhos, sendo Benedict o último.

Tom Kiely, que era natural de Moville, Condado de Donegal, era um veterano da Guerra Boer, que viria mais tarde a trabalhar como inspector de medidas, ou "chain man" (assim chamado porque ele aferia medidas correntes) para a Inspecção de Munições. A sua esposa, Sara Alice Gormley de Claramore, Drumquin, Condado de Tyrone]] era uma criada de mesa em Drumquin, onde ele a conheceu.

Um aspecto interessante sobre Claramore era o facto de aí existirem muitas famílias com o apelido Gormley, de tal forma que cada um usava o seu nome próprio para ser distinguido dos outros.

Como já foi mencionado, Ben era o mais novo da família Kiely - os outros irmãos eram Rita, Eileen, Gerald, Kathleen e Eugene Macartan Kiely.

Em 1920, a família Kiely mudou-se para Gallows Hill, a bem conhecida zona de Omagh. Esta zona seria uma inspiração permanente para Ben.

Adolescência[editar | editar código-fonte]

Na adolescência, Kiely começou a sentir o desejo de se tornar escritor. Tinha grande interesse pelo trabalho de Bernard Shaw, HG Wells e Johnathan Swift. Em 1936, depois de completar sua educação na "Mount St. Columba Christian Brothers School", em Omagh, Kiely foi trabalhar como secretário no posto de correios de Omagh. Mas percebeu logo que esse posto não lhe proporcionaria a vida de literato que tanto desejava. Por isso, na primavera de 1937, deixou os correios e começou vida nova em Emo Park, Condado de Laois, onde decidiu receber ensinamentos para se tornar padre jesuíta.

Vida em Laois e Dublin[editar | editar código-fonte]

A sua vida como Jesuíta não estava destinada a realizar-se. Exactamente um ano depois, na Primavera de 1938, Kiely sofreu uma séria lesão na coluna vertebral, que resultou numa longa permanência no "Cappagh Hospital" em Finglas, Dublin. Durante a sua estadia no hospital, Kiely teve muito tempo para pensar sobre o curso que a sua vida tomara e sobre aquele que poderia vir a tomar. Também percebeu que nunca seria um verdadeiro religioso e por isso abandonou o treino para padre Jesuíta.

Jornalista em part-time[editar | editar código-fonte]

Quando saiu do hospital em 1939, Kiely voltou a Omagh para recuperar do seu problema de coluna. Foi aí que esperou pelo fim do período na "University College" de Dublin. No ano seguinte, começou a trabalhar como jornalista em part-time no jornal The Weekly Standard (o qual era editado por Peter Curry).

Em 1943, Kiely formou-se em História e Letras pela National University.

Casamento e Família[editar | editar código-fonte]

Em 5 de Julho de 1944, Kiely casou com Maureen O'Connell. Desse casamento nasceram quatro filhos: Mary Patricia Kiely 1945, Anne Kiely 1946, John Kiely 1948 e Emer Kiely 1949.

"Irish Independent" e "Irish Press"[editar | editar código-fonte]

Em 1945, Kiely começou a trabalhar para o "Irish Independent", onde trabalhou como jornalista, escritor e crítico. Em 1950, Kiely (agora com 30 anos e pai de quatro filhos), juntou-se á equipa do "Irish Press" como editor literário.

América[editar | editar código-fonte]

Em 1964, Kiely mudou-se para os E.U.A., onde foi um escritor residente da "Emory University", Georgia, professor visitante da "University of Oregon, e escritor residente no Hollins College na Virginia. Passou três anos nestas três instituições.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1968, Kiely voltou à Irlanda depois de ter passado quatro anos na América.

Em 1996, Kiely foi nomeado "Saoi" de "Aosdána", a maior honra dada pelo "Arts Council of Ireland".

Kiely continuou a receber aclamações pela sua escrita e jornalismo (uma carreira que desenvolveu durante mais de seis décadas) recebendo o Prémio de Literatura da "Irish Academy of Letters", sendo um dos mais conhecidos escritores irlandeses.

Em 15 de Agosto de 1999, Kiely visitou Omagh para celebrar o seu 80º aniversário, que foi marcado pelo descerrar de uma placa no exterior da casa da sua infância na zona de Gallows Hill. Numa entrevista da época, quando lhe falaram na censura, Kiely respondeu com uma ironia típica: "If you weren't banned, it meant you were no bloody good" (Se não foi banido, isso significa que não é um bom sanguinário)

Em Outubro de cada ano, em Omagh, um evento chamado The Benedict Kiely Literary Weekend' celebra os muitos feitos do autor.

Morte[editar | editar código-fonte]

De acordo com as notícias da RTE (Televisão Pública da Irlanda), Kiely morreu no "St. Vincent's Hospital" em Dublin no dia 9 de Fevereiro de 2007, com a idade de 87 anos. O autor que casou duas vezes e foi pai de quatro filhos (que viveu fora de Omagh durante 69 anos) estava seriamente doente nos últiomos dias antes da sua morte. Sobrevive-lhe a sua segunda esposa Frances Daly, as suas filhas Anne Kiely e Emer Cronan, e o filho John Kiely. Também lhe sobrevive a irmã Kathleen Coll, vinte e seis sobrinhos e um largo círculo familiar. Foi precedido pelo seu irmão Eugene Macartan Kiely em 1922, o seu pai Thomas Kiely em 1958, a sua mãe Sara Alice Kiely em 1973, o seu irmão Gerald Kiely em 1987, as suas irmãs Rita e Eileen, a sua primeira esposa Maureen e a filha Mary.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Contos[editar | editar código-fonte]

  • "The Collected Stories of Benedict Kiely" (2001)
  • "The Trout in the Turnhole" (1996)
  • "A Letter to Peachtree" (1987)
  • "The State of Ireland: A Novella and Seven Short Stories" (1981)
  • "A Cow in the House" (1978)
  • "A Ball of Malt and Madame Butterfly" (1973)
  • "A Journey to the Seven Streams" (1963)

Novelas[editar | editar código-fonte]

  • "Benedict Kiely, A Raid into Dark Corners and Other Essays" (1999)
  • "Nothing Happens in Carmincross" (1985)
  • "All the Way to Bantry Bay and Other Irish Journeys" (1978)
  • "Proxopera: A Tale of Modern Ireland" (1977)
  • "Dogs Enjoy the Morning" (1968)
  • "The Captain with the Whiskers" (1960)
  • "There Was an Ancient House" (1955)
  • "The Cards of the Gambler" (1953)
  • "Honey Seems Bitter" (1952)
  • "Modern Irish Fiction: A Critique" (1950)
  • "In a Harbour Green (1949)
  • "Call for a Miracle" (1948)
  • "Poor Scholar" (1947)
  • "Land Without Stars" (1946)
  • "Countries of Contention" (1945)

Autobiografia[editar | editar código-fonte]

"Drink to the Bird: An Omagh Boyhood" (1992)

Participações na TV[editar | editar código-fonte]

  • "Wordweaver - The Legend of Benedict Kiely" (2005) …Como ele próprio
  • "Humours of Donnybrook" (1979) …Como ele próprio
  • "Jungle of Pembroke Road" (1974) …Como ele próprio

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Broom icon.svg
Seções de curiosidades são desencorajadas pelas políticas da Wikipédia.
Ajude a melhorar este artigo, integrando ao corpo do texto os itens relevantes e removendo os supérfluos ou impróprios.
  • Era o mais novo de seis irmãos, quatro dos quais faleceram antes dele. Sua irmã Kathleen (seis anos mais velha) foi a única a sobreviver-lhe.
  • Foi seu pai, Tom Kiely, quem inspirou Benedict Kiely a escrever novelas e contos. Em sua infância, o pai costumava contar-lhe histórias sobre pessoas, lugares e eventos.
  • A maior parte, senão todas as histórias, são sobre eventos que aconteceram na juventude do autor.
  • Andava com a ajuda de uma bengala após os 50 anos de idade.
  • Frank McCrory, que trabalhou muitos anos como escitor de canções de pantomina no "Omagh Town Hall", era cunhado de Benedict. Era casado com Eileen Kiely, irmã mais velha de Ben.
  • Drumquin é mencionado muitas vezes em suas novelas e contos porque era a terra natal de sua família materna. Sua mãe, Sarah Alice Kiely, era de Claramore, povoado próximo de Drumquin. Provavelmente por isso o sobrenome Gormley e o povoado de Claramore são referidos muitas vezes em suas histórias.
  • Tem um parentesco distante (pelo lado materno) com a família Gormley que possui o "Gormley's Pub" na Castle Street de Omagh.
  • O músico Brian CollWas foi seu tio materno.