Benguela (província)

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Benguela
Localidade de Angola Angola
(Província)
Angola Provinces Benguela 250px.png

Mapa da província de Benguela.
Dados gerais
Gentílico Benguelense
Município(s) Baía Farta, Balombo, Benguela, Bocoio, Caimbambo, Catumbela, Chongoroi, Cubal, Ganda e Lobito
Características geográficas
Área 39.827 km²
População 2.110.000 hab. (2006)

Dados adicionais
Prefixo telefónico +244
Sítio [1]
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Benguela é uma província de Angola, com sede na cidade de Benguela e uma área de 39 827 km² e tem cerca 2 110 000 habitantes. A província localiza-se a 692 quilómetros da capital nacional, (Luanda). A província é constituída pelos seguintes municípios: Baía Farta, Balombo, Benguela, Bocoio, Caimbambo, Catumbela, Chongoroi, Cubal, Ganda e Lobito.

Limites[editar | editar código-fonte]

Benguela é uma província que limita-se com as seguintes províncias [1]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1615 foi criado o Reino de Benguela como resposta ao contexto vigente e necessidade na época , então identificada pela coroa lusa, de fazer a ligação por terra entre a costa ocidental africana e Moçambique, visando a fortificação e consolidação do reino de Portugal. Por essa altura, Angola ficou geograficamente estruturada por "três reinos", sendo eles o do Khongo, então feudatário de Portugal, o de Angola e o de Benguela, com regimes administrativos de tipo autónomo, sob ordens de um governador com a função de Capitão-tenente de Angola. Para tal, os conquistadores da época, ao serviço da coroa portuguesa massacraram e submeteram à escravidão as populações Vandombe de Cingongo (cujo sistema sociopolítico, por serem povos pastores, era instável) e edificaram um presídio. Contudo, não se verificaria a possibilidade da exploração da região como se previu, nem a localização da cidade foi a mais favorável, pela existência de pântanos e de um subsolo cujo principal recurso era o cobre, de qualidade a quém da esperada. Nestas condições, emergindo entre quintalões mercantis, desenvolveu-se um entreposto comercial, alimentado pelos armadores negreiros, que tomou a designação de Mbaka, do qual se ergueu a configuração arquitectónica da actual cidade de Benguela. Até ao século XIX a rota saída de Mbaka interligava-se com o resto do sertão através de Mbalundu ou passando por Kakonda Ciyaka, Cipeyo, Wambu e Sambu, tendo em vista alcançar o kovongo, por ser o importante sertananejo do Bié que dava acesso ao resto de África.

Depois das comunidades pré-históricas, a difusão etnolinguística Bantu veio criar as premissas institucionais que permitiram a instalação, entre 1615 e 1975, de povos doutras regiões do continente ou doutros continentes, como sejam portugueses, holandeses, franceses brasileiros, árabes, judeus e senegalenses. A industrialização regional iniciada no final do século XIX, com as fábricas de açúcar, o porto e a rede ferroviária, foi atraindo uma mão-de-obra variada de diferente partes do mundo. Com a mudança das estratégias de penetração europeia, a partir de meados do século XIX, assistiu-se a uma escalada de conflitos em todo o território angolano, excepto em Cabinda, por respeito aos tratados de protecção assinados com os portugueses.

Em 1885, as diversas potências europeias colonizadoras assinaram os denominados acordos de Berlim nos quais foram estabelecidos os tratados com vista a delimitar os vários territórios de África. Além da progressiva definição da fronteira de Angola, através de acordo pontuais com os países colonizadores vizinho , os acordos previam a instalação de um Governo efectivo do território, o que implicou uma intensificação da ocupação militar e um aumento dos incentivos à fixação de agricultores no interior do país, sob pena de perda do reconhecimento do direito à colónia pelos restantes países europeus, essencialmente França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Inglaterra.

A partir de 1869, Angola passou a contar com 3 distritos: Luanda, Benguela e Moçâmedes (Namibe). Mais tarde foram criadas em Benguela as vilas do Bocoio, do Balombo e da Ganda. A fundação da cidade do Lobito em 1913 teve uma motivação diferente, uma vez que ocorreu como resposta á geopolítica internacional, através do investimento na área dos transportes, que se traduziu na construção do Caminho de Ferro de Benguela e do Porto Comercial do Lobito, para ligar o interior de África á Europa colonizadora. A queda de cotação internacional do sisal mudou o rumo de Benguela. A reconversão da actividade económica foi feita através de uma aposta na pesca. A costa de Benguela é muito rica em recursos piscatórios e o desenvolvimento da actividade pesqueira levou ao crescimento da população residente.

A partir de 1940 povos de outras origens, como os alemães, cabo-verdianos e são-tomenses fluíram em grande escala para a região. As populações de origem europeia emigravam por causa da guerra, esse mesmo motivo fazia as populações do interior do país migrarem para o litoral.[1]

Economia[editar | editar código-fonte]

Agro-pecuária: Sisal, algodão, açúcar, café, bananas, feijão, e horticultura, são as produções vegetais. Já a produção animal é feita com carne de porco, e bovina, além de leite e seus derivados

Extração mineral: Tungsténio, grafite e outros minerais.

Industrial: Metalurgia, refino de petróleo, materiais de construção, têxtil e produtos alimentares.

População[editar | editar código-fonte]

A grande maioria da população pertence hoje à etnia dos Ovimbundu, mas os diferentes grupos - (Mu)Ndombe, (Mu)Hanha (ou Hanya), (N)Ganda, Lumbo, Quilengues - foram em geral "umbundizados" apenas no século XIX.[2][3] Como consequência da Guerra Civil Angolana e do êxodo rural que esta desencadeou, muitos Ovimbundu de outras regiões, nomeadamente da província do Huambo, migraram para as cidades de Benguela e do Lobito que, como todas as grandes cidades de Angola, cresceram enormemente nas últimas décadas.

A baia azul na província de Benguela

Turismo[editar | editar código-fonte]

A capital da província, Benguela, é famosa pelas praia da Morena e praia Baía Azul.

Alguns locais turísticos da província de Benguela são:

  • As primeiras locomotivas da região: Com cerca de 100 anos de idade as locomotivas estão ainda presentes na província.
  • Casa da primeira emissão de radiofusão em Angola: Ocorrida em 1933, por Álvaro de Carvalho.
  • Cemitério do Calundo: Construído em 1881 e ainda a funcionar.
  • Estação do camiho-de-ferro: Localizada em Catumbela.
  • Fortaleza de São Sebastião: Localizada no Egipto Praia
  • Museu da Escravatura: No museu existem registos da época da escravatura, onde os escravos eram enviados para a América.
  • Parque Nacional da Chimalavera: Fica a 45 km de Benguela, possui muitos animais de pequeno porte.
  • Parque Regional do Chongoroi: Nele estão animais de grande porte.
  • Pedras do Sombreiro.
  • Reserva Parcial do Búfalo: Reserva com muitos búfalos e animais deste porte.
  • Restinga: Situado na cidade do Lobito.
  • Vila Catumbela: Ponto visitado por portugueses que paravam para abastecer suas naus antes de ir para as Índias, também é um local conhecido por ser um dos primeiros a ter registos sobre confrontos armados na região no ano de 1916.
  • Viveiro municipal: Local do primeiro tanque de água distribuído à cidade de Benguela.

Referências

  1. a b «Governo Provincial de Benguela». Consultado em 2 de Agosto de 2016. 
  2. Augusto Pereira Bastos, Traços gerais da etnografia do Distrito de Benguela, 2ª ed., Famalicão: Typographia Minerva, 1911.
  3. Alfred Hauenstein, Les Hanya: Description d'un groupe ethnique bantou de l'Angola, Wiesbaden: Steiner: 1967

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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