Hamaditas

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Disambig grey.svg Nota: Beni Hammad redireciona para este artigo. Para o sítio arqueológico na Argélia, veja Al Qal'a dos Beni Hammad. Para a dinastia parónima do Médio Oriente, veja Hamdanidas.



Banu Hammad
Hammaditas

emirado

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1014 – 1152 Flag of Morocco 1147 1269.svg
Localização de Hammaditas
Mapa do emirado hamadita c. 1100
Continente África
País Argélia
Capital Al Qal'a (até 1090),
Bugia (depois de 1090)
Língua oficial berbere, árabe
Religião Islão sunita maliquita
Governo monarquia
Emir
 • 1014–1028 Hammad ibn Bologhine
Período histórico Idade Média
 • 1014 Fundação da dinastia por secessão dos Ziridas
 • 1018 Reconhecimento pelos Ziridas
 • 1052 Primeiras incursões dos almóadas
 • 1066 Destruição do reino dos Ifrenidas
 • 1102 Vitória sobre os Almorávidas
 • 1152 Anexação pelo almóadas

Os Hamaditas, Hammaditas, Hamadidas ou Banu Hammad (em árabe: بنو حماد; transl.: Banū Ḥammād; em tifinague: ⴰⵢⵜ ⵃⴻⵎⵎⴰⴷ; transl.: Āït Ḥammād) foram uma dinastia berbere pertencentes à confederação tribal dos Sanhaja que reinou no Magrebe central (parte do que é hoje a Argélia) de 1014 a 1152. A dinastia foi fundada por Amade ibne Bologuine por secessão da dinastia zirida devido a disputas familiares. Desapareceu a seguir à conquista do Magrebe central pelos almóadas.

História[editar | editar código-fonte]

Amade ibne Bologuine, filho do fundador da dinastia zirida, Bologuine ibne Ziri, declarou-se independente dos Ziridas, reconhecendo a legitimidade dos califas Abássidas de Bagdade. Em 1016, depois de pouco menos de dois anos de conflito, é concluído um acordo com os Ziridas, mas estes só em 1018 é que reconhecem a autoridade dos Hamaditas.

A capital hamadita começa por ser Al Qal'a, tendo mudado para Bugia (Béjaïa) quando foi ameaçada pelo Banu Hilal.[1] Os Hamaditas tornaram Bugia uma das cidades mais prósperas do Magrebe e do Mediterrâneo e os seus palácios inspirariam a Alhambra de Granada.[carece de fontes?] As incursões dos Banu Hilal, enviados pelo Califado Fatímida a partir de 1052, enfraqueceram muito a dinastia, que acabaria definitivamente com a chegada dos almóadas.

Os Hamaditas conquistaram aos Berberes Ifrenidas de Tremecém várias cidades importantes, como Setif, Constantina e M'Sila, antes de serem atacados pelos Banu Hilal. Numa primeira fase, os Ifrenidas foram aliados políticos dos Hamaditas, mas depois aliaram-se aos Banu Hilal. O Reino de Tremecém, que tinha permanecido nas mãos dos Ifrenidas, foi conquistado por esta coligação,[2] com a derrota de Abu Soda, o último emir ifrenida, em 1058.[3]

O terceiro sultão almorávida Iúçufe ibne Taxufine (r. 1071–1106) atacou os Ifrenidas, os Magrauas e todos os Zenetas. Conquistou Salé, na costa ocidental de Marrocos, aos Ifrenidas e matou Laghouat, casando-se depois com uma das suas ex-mulheres, uma zeneta de nome Zainebe. Iúçufe ibne Taxufine prossegue depois com as suas conquistas a norte, tomando Fez em 1075, Tremecém em 1080,[4] que entretanto estava de novo nas mãos dos Ifrenidas, e depois Icosium (Argel).[5] Os Almorávidas só pararam o seu avanço nas fronteiras dos Ziridas e dos Hamaditas,[6] tendo acabado por ser derrotados pelo sultão hamadita Almançor (r. 1088–1105), sendo obrigados a retirar para o Maghreb el Aqsa (atual Marrocos).[4]

Segundo outras fontes, os Almorávidas foram vencidos pelos Hamaditas em 1102, tendo abandonado Tremecém e Achir.[7] Segundo outra versão, Nácer ibne Alennas (r. 1062–1088) matou o seu primo Bologuine, tornando-se o sultão hamadita, e reconquista Achir, N'Gaous, Miliana, Constantina, Argel e Hâmeza em 1063.[8]

Apesar dos avanços dos Banu Hilal, os reino hamadita conheceu grande prosperidade durante o reinado de Almançor. Este monarca reforçou as suas tropas Sanhaja e Zenetas com mercenários árabes para lutar contra os Almorávidas, a quem tomou Tremecém em 1102 ou 1103. Reconquistou também Anaba e Constantina aos Ziridas e subjugou revoltas berberes. Depois dele, o poderio hamadita não pára de declinar. O seu filho Alaziz (r. 1105–1121 ou 1125) ainda logra conquistar Djerba e repelir os Árabes da região de Hodna, mas o seu filho Iáia (r. 1121–1152), de quem se dizia que só se interessava por caça e por mulheres, não conseguiu impedir um ataque dos Genoveses contra Bugia em 1136 e foi ainda menos capaz de travar a invasão dos almóadas que acabou com o seu reino.[9]

Monarcas hamaditas[editar | editar código-fonte]

Nome Reinado Observações
Amade ibne Bologuine 1014–1052 Filho do fundador da dinastia zirida, Bologuine ibne Ziri, declarou-se independente dos Ziridas
al-Qaid ibn Hammad 1028–1054 Filho de Hammad, cognominado Cherif al-Dawla ("nobreza da dinastia")
Muxim ibne Alcaide 1054–1055 Filho de Alcaide; morto por
Bologuine ibne Maomé 1055–1062 Primo de Muxim, ascende ao trono matando o seu primo
Nácer ibne Alanas ibne Amade 1062–1088 Primo de Bologuine ibne Maomé, ascende ao trono matando o seu primo
Almançor ibne Nácer 1088–1105 Filho de Nácer
Badis ibne Almançor 1105–1105 Filho de Almançor, morre poucos meses depois de ascender ao trono
Abdalazize ibne Almançor 1105–1121 Filho de Almançor e irmão de Badis
Iáia ibne Abdalazize 1121–1152 Filho de Abdalazize, abdicou em 1152 e morreu em 1163

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kaddache, Mahfoud (1982), L'Algérie médiévale (em francês), Société nationale d'édition et de diffusion, consultado em 7 de janeiro de 2013 
  • Rozet, Claude Antoine M.; Carette, Ernest (1856), Algérie (em francês), Paris: Firmin Didot Frères, consultado em 7 de janeiro de 2013 
  • Sourdel, Janine; Sourdel, Dominique (2004), Dictionnaire historique de l'Islam, ISBN 9782130545361, Quadrige (em francês), Paris: Presses Universitaires de France, p. 333