Benjamin Netanyahu

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Benjamin Netanyahu
Benjamin Netanyahu
Primeiro-ministro de Israel
Período 31 de março de 2009 – presente
Presidente(s) Shimon Peres
Reuven Rivlin
Antecessor Ehud Olmert‎
Período 18 de Junho de 19966 de Julho de 1999
Presidente(s) Ezer Weizman
Antecessor Shimon Peres
Sucessor Ehud Barak
Dados pessoais
Nascimento 21 de outubro de 1949 (69 anos)
Tel Aviv, Israel
Alma mater Instituto de Tecnologia de Massachusetts (SB, SM)
Universidade de Harvard
Cônjuge Miriam Weizmann (c. 1972; div. 1978)
Fleur Cates (c. 1981; div. 1984)
Sara Ben-Artzi (c. 1991)
Filhos 3
Partido Likud
Religião Judaísmo
Profissão Político, diplomata, escritor, consultor de economia, executivo de marketing
Serviço militar
Lealdade  Israel
Serviço/ramo Flag of the Israel Defense Forces.svg Forças de Defesa Israelenses
Anos de serviço 1967–1973
Graduação Seren (capitão)
Unidade Sayeret Matkal
Conflitos Guerra de Desgaste
Guerra do Yom Kippur

Benjamin "Bibi" Netanyahu (em hebraico: בִּנְיָמִין "בִּיבִּי" נְתַנְיָהוּ; nascido em 21 de outubro de 1949) é um político israelense, que agora atua como Primeiro-ministro de Israel desde 2009, tendo também servido na posição de 1996 a 1999. Netanyahu é membro do Knesset (Parlamento Israelense) e líder do partido Likud. É o primeiro chefe de governo do país nascido em Israel após a declaração de independência.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Benjamin Netanyahu nasceu em Tel Aviv de uma família de judeus seculares, filho de uma israelense e um polonês.[2][3] Ele inicialmente foi criado em Jerusalém mas se mudou para os Estados Unidos aos sete anos, morando lá de 1956 a 1958, e depois de 1963 a 1967, residindo em Cheltenham Township, nos subúrbios de Filadélfia, onde adquiriu fluência em inglês.[4]

Netanyahu visitando o Muro Ocidental, em Jerusalém, em 1998.

Netanyahu se juntou às Forças de Defesa de Israel logo após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e se tornou líder de grupo numa unidade de forças especiais da Sayeret Matkal. Ele participou em várias missões, como as Operações Inferno (1968), Gift (1968) e Isotope (1972), sendo ferido em ação no ombro. Netanyahu lutou na linha de frente nas guerras de Desgaste e do Yom Kippur, tomando também parte em missões especiais no Canal de Suez e na Síria.[5][6] Chegou a patente de capitão antes de ser dispensado. Seu irmão, Yonatan Netanyahu, também era militar e morreu em combate durante a chamada Operação Entebe. Benjamin Netanyahu retornou então para os Estados Unidos e foi estudar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), conseguindo um Bachelor of Science (SB) e um Master of Science (SM) em 1976. Netanyahu foi logo contratado como um consultor no Boston Consulting Group antes de votar para Israel em 1978.

Em 1978, se filiou ao partido conservador Likud e foi eleito para o Knesset. Netanyahu serviu como representante de Israel nas Nações Unidas, de 1984 a 1988. Durante a Conferência de Madri de 1991, Netanyahu foi membro da delegação israelense, liderada pelo primeiro-ministro Yitzhak Shamir. Logo em seguida, foi apontado para trabalhar diretamente no gabinete do Chefe de Governo.[7]

Em 1993, Netanyahu se tornou líder do Likud e levou seu partido a vitória nas eleições de 1996, se tornando o mais jovem primeiro-ministro, de junho de 1996 a julho de 1999. Diferente de outros líderes israelenses, Netanyahu não buscou inicialmente consolidar a paz com os palestinos, mostrando aversão a algumas partes dos Acordos de Oslo, acreditando que deveriam ser os palestinos a fazer concessões a Israel se quisessem um acordo de paz duradouro. Atentados promovidos pelo Hamas em meados da década de 1990 só endureceram suas visões e política externa. Tomou várias medidas que, segundo ele, aumentariam a segurança dos israelenses, como a construção de um túnel pelo Bairro Muçulmano de Jerusalém para que judeus pudessem atravessar o Muro Ocidental. Isso gerou protestos por parte dos palestinos, reprimidos com violência pela polícia israelita. Como primeiro-ministro, Netanyahu enfatizou a politica das "três negativas": nenhuma retirada das Colinas de Golã, nenhuma negociação sobre o status de Jerusalém, nenhuma negociação com pré-condições.[8] Muitos criticaram essa postura inflexível por parte dele como um empecilho para a paz. Internamente, adotou políticas de liberalização econômica e desregulamentação. Considerado intransigente, não negociava com os partidos de esquerda, mas com o tempo também foi perdendo a simpatia dos membros da direita moderada. Em 1997, surgiram as primeiras acusações de corrupção e troca de influência. Dois anos depois, a polícia israelense novamente tentou indiciar o primeiro-ministro por corrupção em um caso separado, mas, nas duas ocasiões, falta de provas impediu que o caso fosse adiante. Contudo, foi o suficiente para arranhar a imagem política de Netanyahu e, em 1999, ele perdeu a eleição para Ehud Barak, de uma coalizão de centro-esquerda. Ele foi então trabalhar novamente no setor privado como consultor por dois anos na empresa de comunicação BATM.[9][10]

Donald Trump se encontra com Bejamin Netanyahu em Jerusalém, em maio de 2017.

Netanyahu retornou para a política em 2002 para servir no Ministério das Relações Exteriores (2002–2003) e no das Finanças (2003–2005) no governo de Ariel Sharon, mas ele deixou seu cargo como protesto ao plano de retirada unilateral israelense da Faixa de Gaza. Quando ele serviu como ministro das finanças, Netanyahu engajou em várias reformas econômicas, que segundo vários analistas resultaram em melhorias na economia do país.[11] Em dezembro de 2005, reassumiu a liderança do Likud quando Sharon deixou a legenda para fundar seu próprio partido, o Kadima.[12] Ao final de 2006, se tornou Líder da oposição no Knesset. Após as eleições de 2009, o Likud terminou em segundo lugar, mas os partidos de direita se saíram bem,[13] e Netanyahu formou um governo de coalizão.[14][15] Quatro anos depois, nas eleições de 2013, seu partido se tornou o mais votado e Netanyahu se tornou o segundo político israelense a ser eleito para um terceiro mandato, atrás apenas de David Ben-Gurion (o fundador de Israel). Então, nas eleições de 2015, conquistou no voto um quarto mandato.[16]

Netanyahu foi eleito primeiro-ministro de Israel quatro vezes, empatando Ben-Gurion na quantidade de mandatos. Ele também é o único primeiro-ministro israelense a ser eleito três vezes seguida[17] e o segundo que atuou mais tempo no cargo, atrás de David Ben-Gurion.[18] Em 2018, frente a uma crise política, ele convocou novas eleições para 2019. Caso vencesse, seria o primeiro-ministro com mais anos no cargo.[19]

Netanyahu em 2018.

No seu segundo e terceiro mandato, Benjamin Netanyahu mostrou-se mais linha dura em questões de política externa, especialmente lidando com palestinos e com o Hezbollah. Para o processo de paz na região, mostrava dúvidas com a solução dos dois Estados, afirmando um futuro Estado de Israel, ao lado de uma nação Palestina, não seria concebido nas fronteiras pré-1967.[20] Ele também passou a apoiar a expansão das colônias israelenses na Cisjordânia. Isso gerou desentendimentos com o governo dos Estados Unidos, encabeçado pelo então presidente Barack Obama, afirmando que tais assentamentos eram um empecilho para a paz. As relações dos israelitas com os estadunidenses, que historicamente sempre foi forte, ficou um tanto tribulada durante a administração Obama, embora a Casa Branca mantivesse o apoio econômico e militar a Israel de forma intocada. Para um possível acordo de paz, Netanyahu exigiu que os palestinos deixassem de reivindicar Jerusalém como sua capital, afirmando ainda que um futuro país palestino seria desmilitarizado. Na prática, embora mantivesse o bloqueio à Faixa de Gaza (dominada pelo Hamas), contribuindo para o empobrecimento da região e agravamento da crise humanitária, ele abriu vários postos de checagem e encerrou algumas sanções contra a Cisjordânia, levando a uma melhoria da situação econômica por lá no começo da década de 2010. Travou duas guerras rápidas, mas sangrentas, com os palestinos em Gaza, nas operações Pilar Defensivo (2012) e Margem Protetora (2014). Netanyahu também aumentou a retórica agressiva contra o Irã e seu programa nuclear, não aceitando qualquer negociação que com os iranianos que não envolvesse o completo desmantelamento da sua infraestrutura nuclear, ameaçando de força militar contra o Irã, se necessário.[21]

Internamente, a economia israelense continuou a melhorar, porém no começo da década de 2010, o custo de vida e o encolhimento da classe média gerou uma série de protestos antigoverno pedindo melhorias no cenário sócio-econômico.[22] Uma vez reeleito em 2013, persistiu em suas políticas de liberalização econômica, mas também mirou a redução da pobreza e da desigualdade de renda. Ele reduziu a burocracia e as regulamentações, especialmente sobre a indústria.[23] Também buscou reduzir a imigração e, acima de tudo, tomou ações para conter a imigração ilegal, especialmente de árabes e africanos.[24] Em 2011, a vista de instabilidade econômica, Netanyahu propôs cortes no orçamento, afirmando que a área de defesa seria atingida. Após protestos dos militares, ele preferiu cortar gastos sociais e aumentou o orçamento das forças armadas.[25] Nas eleições de 2013 e 2015, adotou uma postura nacionalista e mais conservadora, mantendo sua linha dura mais voltada para a área de segurança nacional, porém afirmou ser favorável a direitos dos homossexuais.[26][27]

Durante os quatro mandatos de Netanyahu como primeiro-ministro, acusações de corrupção o acompanharam. Em uma das ações possivelmente mais consequentes, em 28 de fevereiro de 2019, o procurador-geral israelense anunciou, após uma investigação de dois anos, que ele iria indiciar formalmente Netanyahu em acusações de suborno e fraude em três casos distintos, fazendo de Netanyahu o único primeiro-ministro de Israel a responder por um crime enquanto ele ainda estava no cargo. Benjamin Netanyahu negou todas as acusações.[28][29]

Referências

  1. «Benjamin Netanyahu - Prime Minister». Biography.com. Consultado em 1 de março de 2019 
  2. David Remnick (23 de janeiro de 2013). «Bibi's Blues». The New Yorker 
  3. Judy Dempsey (3 de maio de 2012). «The Enduring Influence of Benjamin Netanyahu's Father». Carnegie Europe 
  4. «Prime Minister Benjamin Netanyahu». Ynetnews. 10 de fevereiro de 2012. Consultado em 9 de março de 2013 
  5. Amir Buhbut, "Sayeret Matkal is 50 years old", NRG Maariv, acessado em março de 2019
  6. Mitch Ginsburg (25 de outubro de 2012) "Saving Sergeant Netanyahu", The Times of Israel, acessado em março de 2019
  7. «Benjamin Netanyahu». Netanyahu.org. Consultado em 18 de novembro de 2012. Arquivado do original em 16 de novembro de 2012 
  8. Hawas, Akram T. The new alliance: Turkey and Israel Arquivado em 22 de fevereiro de 2011 no Wayback Machine.
  9. «Netanyahu Now High-Tech Consultant». Los Angeles Times. Associated Press. 3 de agosto de 1999. Consultado em 20 de setembro de 2012 
  10. Freund, Oren (19 de setembro de 2012). חברת העבר של בנימין נתניהו נרשמה למסחר בבורסה בת"א [Past company of Benjamin Netanyahu listed for trade on the Tel Aviv Stock Exchange]. TheMarker (em hebraico). Consultado em 16 de março de 2010 
  11. Thomas G. Mitchell Likud Leaders (McFarland 2015), capítulo 10
  12. «Netanyahu elected as Likud party chairman». Xinhua News Agency. 20 de dezembro de 2005. Consultado em 27 de julho de 2009. Arquivado do original em 27 de fevereiro de 2006 
  13. Hoffman, Gil (10 de fevereiro de 2009). «Kadima wins, but rightist bloc biggest». The Jerusalem Post. Consultado em 17 de junho de 2012 
  14. «Netanyahu sworn in as Israel's prime minister». Haaretz. 31 de março de 2009. Consultado em 10 de março de 2013 
  15. Heller, Jeffrey (31 de março de 2009). «Netanyahu sworn in as Israeli prime minister». Reuters. Consultado em 10 de março de 2013 
  16. «Netanyahu calls early Israel election for April in bid for fourth straight term». Fox News. Consultado em 2 de março de 2019 
  17. Amir Tibon & Ben Birnbaum (20 de março de 2015), "'Is This Ship Sinking?' Inside the Collapse of the Campaign Against Netanyahu", The New Yorker
  18. "Can Binyamin Netanyahu win again?", The Economist, 14 de março de 2015
  19. Stoyan Zaimov (18 de março de 2015), "Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu Wins Re-Election, Becomes Israel's Longest-Serving Prime Minister", The Christian Post, acessado em 1 de março de 2019
  20. «Israel PM Benjamin Netanyahu defiant on 1967 borders». BBC. Consultado em 1 de março de 2019 
  21. «Will Israeli Voters Reelect Benjamin Netanyahu?». ForeignAffairs.com. Consultado em 1 de março de 2019 
  22. Melanie Lidman. «Scale of social justice protests surprises experts». The Jerusalem Post. Consultado em 17 de agosto de 2011 
  23. «Netanyahu vows to free economy of regulation and bureaucracy». Haaretz. 27 de fevereiro de 2014 
  24. Raphael Ahren (19 de juho de 2017), "In hot mic comments, Netanyahu lashes EU's 'crazy' policy on Israel", The Times of Israel, acessado em 2 de março de 2019.
  25. Bassok, Moti (26 de dezembro de 2011). «Netanyahu decides not to cut Israel's defense budget in 2012». Haaretz. Consultado em 16 de março de 2013 
  26. PM to LGBT community: Israel among world's most open countries, 6 de novembro de 2015, The Jerusalem Post
  27. Fighting Terrorism: How Democracies Can Defeat Domestic and International Terrorism. [S.l.]: Farrar, Straus and Giroux. 1995. pp. 8–9. ISBN 978-0374154929 
  28. «Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu to be indicted on corruption charges». NBC News. 28 de fevereiro de 2019. Consultado em 1 de março de 2019 
  29. «Procurador-geral de Israel anuncia que pretende acusar Netanyahu de corrupção». G1. Consultado em 1 de março de 2019 

Livros e artigos publicados[editar | editar código-fonte]

Livros:

  • A Durable Peace: Israel and Its Place Among the Nations (Warner Books, 2000) ISBN 0-446-52306-2
  • Fighting Terrorism: How Democracies Can Defeat Domestic And International Terrorism (Diane Pub Co, 1995) ISBN 0-7881-5514-8
  • A Place Among the Nations (Bantam, 1993) ISBN 0-553-08974-9
  • Terrorism: How the West Can Win (Farrar Straus & Giroux, 1986) ISBN 0-374-27342-1

Artigos:

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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