Bento Teixeira

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Bento Teixeira (Porto, ca. 1561 - Pernambuco ou Lisboa, 1600[1]) foi um poeta luso-brasileiro, cuja única obra, o poema épico Prosopopeia, é referida como o marco inicial do barroco na literatura brasileira.

De biografia nebulosa, poucos fatos podem ser atestado sobre sua vida e obra. Chegou-se a lhe atribuir duas outras obras, mais tarde de autoria revisada [1].

Vida[editar | editar código-fonte]

Existem poucas e confusas informações sobre a vida de Bento Teixeira. Alguns chegam a considerá-lo brasileiro, natural de Olinda. Sua biografia somente adquiriu contornos sólidos em 1929, com o exame os documentos chamados Denunciações de Pernambuco - o conjunto referente aos registros da Primeira Visitação do Santo Ofício às Partes do Brasil[1], de 1581-1592 - por Rodolfo Garcia, que encontrou neles menção de um depoimento ao Tribunal de um poeta cristão novo, batizado como Bento Teixeira. De acordo com o relato, o poeta teria nascido na cidade do Porto, filho de Manuel Alvares de Barros e Lianor Rodrigues, ambos cripto judeus[2][3].

Sabe-se que estudou no Colégio da Bahia e que frequentou um seminário no mesmo estado, após ter vindo, com sua família, de Portugal, provavelmente em 1567. Ao revelar que era judeu, teve que fugir para o estado do Pernambuco, onde teria começado a trabalhar como professor de aritmética, gramática e língua latina. Teria se casado com Filipa Raposa, em 1584, na cidade baiana de Ilhéus.

Alegando adultério, Bento Teixeira assassinou a esposa. Tal fato o obrigou a fugir novamente, refugiando-se no Mosteiro de São Bento em Olinda. Lá, teria escrito sua grande obra, Prosopopeia.

Outra versão dos acontecimentos diz que Bento Teixeira foi acusado pela esposa de ser judeu. O poeta teria, então, sido julgado e absolvido pelo ouvidor da Vara Eclesiástica da Inquisição, em 1589. Intimado posteriormente pelo visitador do Santo Ofício, acabou confessando ser seguidor da religião judia. Irritado com a denúncia da esposa, assassinou-a, refugiando-se no mesmo Mosteiro de São Bento. Localizado, foi preso e enviado para Lisboa, ca. 1595, onde permaneceu até a morte.

Obra[editar | editar código-fonte]

Wikisource
O Wikisource possui obras de
Bento Teixeira

Assim como sua biografia, são confusas as informações relativas as obras escritas por Bento Teixeira. Muitas foram lhe atribuídas. As principais são:

Portanto, ao que tudo indica, Prosopopeia foi sua única obra.

Prosopopeia[editar | editar código-fonte]

A única obra reconhecida e aceita como de sua autoria, é o poema épico Prosopopeia. Publicado em 1601, e de grande valor histórico, o épico canta a vida e o trabalho de Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro donatário da Capitania de Pernambuco, e seu irmão, Duarte.

Embora tenha sido originalmente publicada em Lisboa, na ocasião em que Bento Teixeira ali encontrava-se encarcerado, e a despeito do autor ter nascido em Portugal, atribui-se à Prosopopeia o mérito de ser uma das primeiras obras da literatura brasileira, uma vez que Bento Teixeira estudou e fez carreira no Brasil.

Escrito em oitava rima, com noventa e quatro estrofes, o poema marcou o início do movimento barroco no Brasil. A obra foi fortemente influenciada pela epopeia Os Lusíadas, de Camões, cujos ecos se encontram na sintaxe e na estrutura do poema de Teixeira. Seu texto é altamente classista, abundante em hipérbatos, e chega mesmo a incluir citações diretas do poeta lusíada. A estrutura, seguindo a obra de Camões, é constituída de: proposição, invocação, oferecimento, narração, uma Descrição do Recife de Pernambuco e o Canto de Proteu, mais longo dos trechos e o passo onde transcorre o texto épico propriamente dito[1]. Na invocação, pede ajuda do Deus cristão para compor seu texto e dedica, em seguida, ao próprio Jorge d'Albuquerque, visando a ajuda financeira.

De caráter herói, a suposta coragem e valentia dos i vai si suae é narrada em decassílabos. Os acontecimentos abordados dizem respeito as terras brasileiras e a região de Alcácer-Quibir, na África, onde os irmãos teriam se destacado em uma importante batalha. Ambos, teriam também sofrido com um naufrágio, quando viajavam na nau Santo Antônio.

Por sua grande carência de originalidade e destreza poética, Prosopopeia é largamente relevado pelos críticos, restando ao poema apenas seu significado histórico na formação da literatura brasileira. De interesse é apenas o trecho descritivo, em que algum nativismo já pode ser visto, o que mais tarde seria marca fundamental do movimento árcade e romântico

Trecho de Prosopopeia:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Bento Teixeira». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 3 de novembro de 2017 
  2. MONTEIRO, Clóvis. Esboços de história literária. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1961, pp. 55-56
  3. Eneida, RIBEIRO, Eneida Beraldi. Bento Teixeira e a Inquisição: Um testemunho do pensamento colonial. São Paulo: Editora Maayanot
Outras

Ligações externas[editar | editar código-fonte]