Berge Stahl

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Berge Stahl
Berge Stahl em Roterdã (2011)
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Proprietário Noruega Berge Bulk
Fabricante Coreia do Sul Hyundai Heavy Industries, Ulsan
Lançamento 4 de setembro de 1986
Porto de registo Ilha de Man Douglas, Ilha de Man
Indicativo de chamada 2EZE5
Número do casco 416
Rota São Luís-Roterdã, geralmente
Características gerais
Tipo de navio Graneleiro
Arqueação 175.720 t
Tonelagem 364.767 t (DWT)
Maquinário Motor Burmeister & Wain 7L90MCE, 20.290kW
Comprimento 342,08 m
Boca 63,53 m
Pontal 30,2 m
Calado 23,035 m
Velocidade 13,5 nós (25 km/h)
Tripulação 24
Notas
Fontes: DNV GL[1] Berge Bulk[2] Auke Visser[3]

O MS Berge Stahl é um navio graneleiro de grande porte do tipo very large ore carrier (VLOC), com bandeira da Ilha de Man e pertencente à Berge Bulk, subsidiária do grupo Bergesen Worldwide. É conhecido por ser um dos maiores navios do mundo, tendo sido o maior do seu tipo desde a sua conclusão, em 1986, até 2011.

História[editar | editar código-fonte]

O Berge Stahl foi construído pela Hyundai Heavy Industries em Ulsan, na Coreia do Sul. A construção foi iniciada em 14 de março de 1986 e o navio foi lançado ao mar em 4 de setembro do mesmo ano, sendo concluído em 4 de dezembro de 1986. Com 342,08 metros de comprimento, 63,5 m de largura e calado máximo de 23 metros, o navio tem capacidade para transportar até 364.767 toneladas de carga.[1]

Foi encomendado especialmente para um contrato de longo prazo de transporte de cargas para as siderúrgicas alemãs ThyssenKrupp Stahl e Hüttenwerke Krupp Mannesmann (HKM), que cobria praticamente todo o seu tempo de uso.[4] Era o maior graneleiro do mundo na época em que foi lançado, mantendo esse posto até 2011. Nesse ano, foi inaugurado o Ore Brasil (ex-Vale Brasil), o primeiro dos navios da classe Valemax.[5]

Rota[editar | editar código-fonte]

O navio costumava fazer o percurso entre o Terminal de Ponta da Madeira, em São Luís, e o Porto de Roterdã, na Holanda, transportando minério de ferro extraído pela Vale. O processo de carga demorava, em média, 2 dias, e a descarga, 5 dias. O trajeto entre o Brasil e a Holanda era feito entre 8 e 10 vezes por ano.[2] A embarcação também atracava eventualmente no Porto de Tubarão, em Vitória.[6]

A viagem durava cerca de 14 dias. Ao chegar totalmente carregado e entrar no estuário do rio Maas, mesmo na maré cheia, o navio tinha um período de apenas 20 minutos para entrar no canal de atracação, mantendo-se uma distância de apenas um metro entre a quilha e o fundo do canal. A descarga era feita por 3 guindastes, cada um capaz de retirar 40 toneladas de minério de cada vez. Os 10 alçapões eram esvaziados numa sequência precisa, de modo a preservar a estabilidade da embarcação. O minério descarregado em Roterdã é encaminhado para as usinas das siderúrgicas ThyssenKrupp e HKM, em Duisburg, na Alemanha, por meio de uma frota de cerca de 100 barcaças que navegam pelo rio Reno. Aproximadamente dois terços do minério usado por essas indústrias é importado do Brasil.[4]

O Berge Stahl foi informalmente considerado "flag ship" (navio principal) em Roterdã por 25 anos e fez sua última viagem àquele porto em dezembro de 2016, tendo transportado cerca de 90 milhões de toneladas de minério em sua carreira.[7]

Final da carreira[editar | editar código-fonte]

Em 2011, foram lançados os primeiros graneleiros da classe Valemax, que têm em média 360 metros de comprimento e podem carregar mais de 400.000 toneladas, consideravelmente maiores do que o Berge Stahl e que representam uma forte concorrência para graneleiros de grande porte tradicionais.[8] Em 2016, a embarcação atingiu a idade máxima para operação nos terminais da Vale, que é de 30 anos. A empresa anunciou que a atracação realizada no Porto de Tubarão em março desse ano foi a última visita do navio realizada a esse porto.[6]

Após 249 viagens realizadas entre São Luís e Roterdã, o contrato de transporte de 30 anos com a ThyssenKrupp expirou no fim de 2016 e não foi renovado.[9][7] Com isso, espera-se que o Berge Stahl seja em breve vendido como sucata. A ONG Shipbreaking Platform se manifestou pedindo que o descarte e reciclagem da embarcação sejam feitos de forma responsável, ressaltando os riscos ambientais e as condições de trabalho insalubres nos locais de demolição de navios no sul da Ásia.[10]

Referências

  1. a b DNV GL. «Berge Stahl». Consultado em 15 de abril de 2017 
  2. a b Berge Bulk. «Berge Stahl». Consultado em 15 de abril de 2017 
  3. Auke Visser. «Berge Stahl». Consultado em 15 de abril de 2017 
  4. a b ThyssenKrupp (3 de junho de 2008). «Ore for Duisburg blast furnaces». Consultado em 16 de abril de 2017 
  5. DNV GL. «Ore Brasil». Consultado em 16 de abril de 2017 
  6. a b Vale (23 de março de 2016). «Berge Stahl atraca pela última vez no Porto de Tubarão». Consultado em 16 de abril de 2017 
  7. a b Port of Rotterdam (12 de dezembro de 2016). «Berge Stahl, former flagship of the Rotterdam port, makes its last call». Consultado em 16 de abril de 2017 
  8. Vale. «Valemax» (PDF) 
  9. World Cargo News (14 de dezembro de 2016). «Berge Stahl misses out on 250 calls milestone». Consultado em 16 de abril de 2017 
  10. NGO Shipbreaking Platform (20 de dezembro de 2016). «Platform calls for responsible solution for Berge Stahl, flag ship of the Port of Rotterdam». Consultado em 16 de abril de 2017 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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