Bernard-Henri Lévy

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Bernard-Henri Lévy
Bernard-Henri Lévy
Nascimento 5 de novembro de 1948 (71 anos)
Béni-Saf,  Argélia
Cidadania França
Etnia Judeu
Filho(s) Justine Lévy, Antonin Lévy
Alma mater Escola Normal Superior de Paris, Lycée Pasteur, Lycée Louis-le-Grand, Institut d'Etudes Politiques de Paris
Ocupação filósofo, escritor, editor, diretor de cinema, roteirista, jornalista, romancista, empresário, ator, produtor cinematográfico
Prémios Prémio Médicis (1984)
Género literário Romance, conto
Movimento literário Novos Filósofos
Magnum opus Le Diable en tête
Movimento estético filosofia continental
Religião Judaísmo
Página oficial
http://www.bernard-henri-levy.com

Bernard-Henri Lévy (Béni-Saf, Argélia, 5 de novembro de 1948), conhecido na França como BHL, é um escritor[1] francês

Biografia[editar | editar código-fonte]

Além de escritor, Lévy é diretor de teatro e cineasta, empresário e editorialista de revistas e jornais. É uma personalidade conhecida e polêmica na cena pública francesa e internacional. Tornou-se em 1976, um dos líderes do movimento denominado «novos filósofos», constituído por filósofos e intelectuais engajados. Desde então, esta denominação ficou ligada a sua obra. Nascido na Argélia, de uma família judaica, sua família volta à França em 1954, onde mais tarde viria a se tornar popular por suas opiniões moralistas, sendo reconhecido como um filósofo político e defensor social e filosofias (especialmente do marxismo).

Juventude[editar | editar código-fonte]

Após ter passado vários anos em Marrocos, sua família mudou-se para Neuilly-sur-Seine, França, em 1954. Seu pai, André, fundou La Becob, uma empresa de importação de madeiras africanas, comprada em 1997 pelo grupo empresarial Pinault-Printemps-Redoute. Bernard-Henri Lévy tornou-se acionista e administrador de várias sociedades comerciais, chefiando ou participando no conselho administrativo das empresas Finatrois, Les films du lendemain e Grasset et Fasquelle. Começou a estudar no Lycée Pasteur de Neuilly-sur-Seine, depois no liceu Louis-le-Grand, onde fez um curso preparatório durante dois anos. Em 1968, ingressou na Escola Normal Superior da rua d’Ulm, onde foi aluno dos professores Jacques Derrida e Louis Althusser. Em 1969, após uma estadia no México, publicou na revista Les Temps modernes o artigo intitulado «México, nacionalização e imperialismo».

Os novos filósofos e "BHL"[editar | editar código-fonte]

Desde 1 de Junho de 1976, a revista Les Nouvelles littéraires publica um número especial intitulado «Os novos filósofos ». Bernard-Henri Lévy é o redator-chefe. Mas é a publicação do livro La Barbarie à visage humain (A barbárie com rosto humano) em maio de 1977 (Editora Grasset), que marca o início do "fenômeno BHL". A barbárie com rosto humano denuncia a tentação totalitária inerente a toda "ideologia progressista". Ele denuncia ao mesmo tempo o fascismo e o comunismo históricos, querendo mostrar-se como o representante de uma geração nascida após a dupla catástrofe do fascismo e do estalinismo, e desejosa de repensar a política fora dos esquemas totalitários.

De 1980 a 1993[editar | editar código-fonte]

Em 1980, participou com Marek Halter, Jacques Attali, Françoise Giroud e,alguns outros, à criação da associação «Ação contra a fome». No mesmo ano, BHL e Marek Halter criaram o Comité dos Direitos do Homem, que defendeu o boicote dos Jogos Olímpicos de Verão de 1980. Ainda neste mesmo ano, casou-se com Sylvie Bouscasse, de cuja união nasceu seu filho Antonin.

Ele apoiou uma intervenção maior da França na Líbia e na Síria desde 2011 para uma mudança de regime.[2]

Críticas e polêmicas[editar | editar código-fonte]

Bernard-Henri Lévy é considerado um impostor intelectual por diversos jornalistas e filósofos.[3]

Alguns livros publicados na França se dedicam exclusivamente a confirmar a imagem de Lévy como impostor intelectual. É o caso de "Le B.A. BA du BHL" de Jade Lindgaard e Xavier de La Porte e "Une imposture française" de Nicolas Beau e Olivier Toscer, ou ainda "Un nouveau théologien" de Daniel Bensaid.

Lévy foi criticado pelo sociólogo Pierre Bordieu por sua proximidade com homens influentes do mundo dos negócios e da mídia, como Jean-Luc Lagardère, poderoso empresário da indústria midiática e de armamentos. Lévy também foi criticado por sua atuação anti-ética em antigas colônias francesas na África. Ele administrou, entre 1995 e 1997, uma importante sociedade de exploração de madeira, chamada Becoob, que atua na Costa do Marfim, Gabão e Camarões. Tanto as críticas de Bordieu quanto a descrição da atuação de Lévy na África estão descritas no livro de Nicolas Beau e Olivier Toscer intitulado "Une imposture française", publicado pela editora Les Arènes em 2006 (p. 59).

Bernard-Henri Lévy também sofreu diversos ataques públicos em que recebeu tortas na cara.[4] Entre 1985 e 2015, Lévy recebeu oito tortas na cara em eventos públicos, o que lhe valeu uma canção cômica do cantor Renaud, intitulada "L'entarté".

Livros[editar | editar código-fonte]

  • 1973 - "Bangla-Desh, Nationalisme dans la révolution" (Bengladesh, Nacionalismo na revolução), reeditado em 1985 com o título As Índias vermelhas
  • 1977 - "La Barbarie à visage humain" (A barbárie com rosto human), Grasset, ISBN 2-246-00498-5
  • 1978 - "Le Testament de Dieu" (O Testamento de Deus),
  • 1981 - "L’Idéologie française" (A Ideologia francesa)
  • 1983 - "Questions de principe I" (Questões de princípio I)
  • 1984 - "Le diable en tête" (O diabo na frente)
  • 1985 - "Impressions d'Asie" (Impressões da Ásia)
  • 1986 - "Questions de principe II" (Questões de princípio II)
  • 1988 - "Eloge des intellectuels"(Elogio dos intelectuais)
  • 1988 - "Les derniers jours de Charles Baudelaire" (Os últimos dias de Charles Baudelaire)
  • 1990 - "Questions de principe III" (Questões de princípio III), la suite dans les idées
  • 1990 - "Frank Stella, les années 80" (Franck Stella, os anos de 1980
  • 1991 - "César, celui qui était trop gai" (César, aquele que era demasiadamente feliz)
  • 1991 - "Les aventures de la liberté, une histoire subjective des intellectuels" (As aventuras da liberdade, uma história subjetiva dos intelectuais)
  • 1992 - "L'art de Piero della Francesca et de Mondrian" (A arte de Piero della Francesca e de Mondrian)
  • 1992 - "Le jugement dernier" (O juízo final)
  • 1992 - "Questions de principe IV, Idées fixes" (Questões de princípio IV, ideias fixas)
  • 1993- "Les hommes et les femmes" (avec Françoise Giroud) (Homens e mulheres, escrito com Françoise Giroud)
  • 1994 - "La pureté dangereuse" (A pureza perigosa)
  • 1995 - "Questions de principe V" (Questões de princípio V)
  • 1996 - "Le Lys et la Cendre" (O Lírio e a Cinza)
  • 1997 - "Comédie" (Comédia)
  • 1998 - "Questions de principe VI" avec Salman Rushdie (Questões de princípio VI, escrito com Salman Rushdie)
  • 2000 - "Le siècle de Sartre" (O século de Sartre)
  • 2001 - "Questions de principe VII", Mémoire vive (Questões de princípio VII, Memória viva)
  • 2002 - "Réflexions sur la Guerre, le Mal et la fin de l’Histoire" (Reflexões sobre a guerra, o mal e o fim da História)
  • 2002 - "Rapport au Président de la République et au Premier Ministre sur la participation de la France à la reconstruction de l’Afghanistan" (Relatório ao Presidente da República e ao Primeiro-ministro sobre a participação da França à reconstrução do Afeganistão)
  • 2002 - "Ce grand cadavre à la renverse" (Este grande cadáver de costas)
  • 2003 - "Qui a tué Daniel Pearl?" (Quem matou Daniel Pearl?)
  • 2004 - "Questions de principe III,jours de colère", (Questões de princípio III, dias de cólera)
  • 2004 - "Questions de principe IX Récidive" (Questões de princípio IX, Recidiva)
  • 2006 - "American Vertigo"
  • 2006 - "Questions de principe X, Ici et ailleurs" (Questões de princípio X, Aqui e algures)
  • 2008 - "Ennemis publics" (Correspondance entre Michel Houellebecq et BHL) (Inimigos públicos, Correspondência entre Michel Houellebecq e BHL)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • François Aubral e Xavier Delcourt : "Contre la nouvelle philosophie" (Contra a nova filosofia), Paris, Gallimard, 1977.
  • Guy Hocquenghem, "Lettre ouverte à ceux qui sont passés du col Mao au Rotary" (Carta aberta àqueles que passaram do colo de Mao para o Rotary), 1986, onde o autor descreve as carreiras e as traições dos ex-socialistas e esquerdistas durante o governo do Presidente François Mitterrand, entre maio de 1968 e maio de 1986. Segundo o autor, Bernard-Henri Lévy fez parte desse grupo de «renegados».
  • Dominique Lecourt, "Les piètres penseurs" (Os pobres pensadores), Paris, Flammarion, 1999.
  • Jade Lindgaard et Xavier de la Porte, "Le B.A. BA du BHL : Enquête sur le plus grand intellectuel français" (O Ba.ba do B.H.L. : Inquérito sobre o maior intelectual francês),Paris, La Découverte, 2004.
  • Philippe Cohen, "BHL, une biographie" ( B.H.L., uma biografia), Paris, Fayard, 2004.
  • Philippe Boggio, "Bernard-Henri Lévy: une vie", (Bernard-Henri Lévy, uma vida), Paris, La Table ronde, 2005.
  • Nicolas Beau e Olivier Toscer, "Une imposture française" (Uma impostura francesa), Paris, Les Arènes, 2006, [1].
  • Daniel Bensaïd, "Un nouveau théologien : Bernard-Henri Lévy" (Um novo teólogo : Bernard-Henri Lévy), Nouvelles Éditions Lignes, 2008.
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  1. Bernard-Henri Lévy: A False Prophet
  2. Bernard-Henri Levy: Turning to Syria
  3. «L'imposture Bernard-Henri Lévy». 10 de outubro de 2008. Consultado em 17 de setembro de 2016 
  4. «Les Inrocks - Pourquoi BHL est l'homme le plus détesté du web». Les Inrocks. 7 de dezembro de 2014. Consultado em 17 de setembro de 2016