Berrante
Berrante, também conhecido como chifre, buzina, guampo ou corno, é uma corneta feita de chifres de boi ou de outros animais. É uma espécie de buzina usada desde a antiguidade por pastores , no Brasil a prática foi inserida pelo Tropeirismo no Brasil Colônia e atualmente mantida a tradição por vaqueiros brasileiros para chamar o gado no campo ou no transporte por intermédio das comitivas.
É um instrumento muito eficaz na orientação, alarme e comando, e consiste num chifre longo em que a ponta é cortada para se soprar (bocal do berrante) e com um orifício no meio; depende deste furo o equilíbrio, o acerto e a afinação do som.
Segundo Mário de Andrade, o berrante utilizado no Brasil teria surgido por questões econômicas — no seu Dicionário Musical Brasileiro, afirma: "Com a dificuldade monetária e comercial de se adquirir trompas de caça na Europa, o caçador fez o berrante."
O compositor alemão Richard Wagner, numa ópera da tetralogia O Anel do Nibelungo (Der Ring der Nibelungen), escreveu uma passagem especial para berrante, que é executado fora de cena, convocando ao palco guardas armados.
No entanto, é muito mais provável que a introdução do berrante no Brasil se deva aos escravos africanos, que em África usavam os chifres do olongo (cudo), que por natureza já é curvado em espiral.
A indústria cultural[editar | editar código-fonte]
A indústria cultural, sendo produtora de novos moldes de consumo, continua sua busca de uma memória regional ou nacional que nos identifique, seja ela através de significados ou símbolos universais. E é nessa concepção que a indústria cultura molda e se apropria das valorizações regionais criando um produto de consumo. É valido pontuar que cabe a nós analisar com senso crítico, se as formas impostas pelas mídias midiáticas nos representa ou se passa apenas de uma imposição para o consumo.[1]
Panorama atual da cultura berranteira[editar | editar código-fonte]
Atualmente o instrumento é essencial para a identidade e valorização do povo nordestino. Ganhou enfoque e representatividade na Festa do Peão de Barretos em São Paulo. O evento anualmente, mobiliza milhares de apaixonados pela tradição nordestina, com concursos de berrante, sendo avaliados 5 toques:
- Toque de saída: usado para a arrumação e saída da tropa.
- Toque de estradão: usado para acelerar a tropa depois de um longo período de viagem (O som desse toque agrada muito a boiada).
- Toque de rebatedouro: situação de perigo.
- Queima do alho: hora do almoço (bóia).
- Floreio: toque livre de todo berranteiro, podendo ser uma música, a fim de promover interação com a comitiva. [2]
Emendas do berrante[editar | editar código-fonte]
Os berrante são feitos da junção dos chifres, sendo a maioria provinda de chifres bovinos, essas junções são chamadas de emendas. Existem 3 (três) tipos de emendas, a de couro, a de chifre e de anéis de chifre. A diferença se dá no design dos produtos como também na produção, já as emendas de chifre são mais raros e complexos para produzir.[2]
Curiosidades[editar | editar código-fonte]
O berrante bem tocado é bastante contagiante e pode ser ouvido a 3km de distância. Músicas brasileiras utilizam o instrumento como tema ou até mesmo personagem para embalar as telenovelas, podendo destacar "Ana Raio e Zé Trovão", "Pantanal" e "O Rei Do Gado". A clássica melodia "O menino da porteira", composição de Teddy Vieira e interpretada posteriormente por ícones da música como: Sérgio Reis, Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho e Daniel, é um exemplos importante da cultura popular brasileira. Outros ícones do cenário cultural e dominadores da arte de tocar berrante são: o famoso Zé Capeta, Costa Berranteiro, Serjão Berranteiro e Pedro Henrique (Atual campeão do concurso na Festa de Barretos). As mulheres também se destacam na arte de tocar, destacando-se a Médica Veterinária Danny Berranteira, Karina Berranteira (Terceiro lugar no Barretão 2018), Rarissa Berranteira a mineirinha de Itapagipe (Segundo lugar no Barretos 2018), Monick Berranteira, Marcela Amorim (atual campeã da Queima do Alho no Barretos 2018), dentre outras feras que mantém a cultura e tradição do povo nordestino.[3]
Ver também[editar | editar código-fonte]
Referência[editar | editar código-fonte]
- ↑ Britto, Aline (2007). A identidade Regional Nordestina (PDF) (Artigo de Especialização). Universidade Federal de Santa Maria
- ↑ a b Oliveira, Paulo (26 de julho de 2018). «Festa do Vaqueiro». Meus Sertões. Consultado em 1 de setembro de 2018
- ↑ Independentes, Barretão (15 de agosto de 2018). «Festa Do Peão de Barretos». Festa do Peão. Consultado em 30 de agosto de 2018