Bertrand de Jouvenel

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Bertrand de Jouvenel
Nome completo Bertrand de Jouvenel des Ursins
Nascimento 31 de outubro de 1903
Paris, França
Morte 1 de março de 1987 (83 anos)
Nacionalidade francês
Cidadania francesa
Progenitores Mãe: Sarah Boas
Pai: Henry de Jouvenel
Ocupação Filósofo, economista, politólogo
Magnum opus O Poder: História Natural do Seu Crescimento

Bertrand de Jouvenel des Ursins, filho de Henry de Jouvenel de Ursins, senador e embaixador da França, mais conhecido como Bertrand de Jouvenel (31 de outubro de 1903, Paris - 1 de março de 1987) foi um escritor, jornalista, jurista, politólogo, economista e diplomata francês. Membro do Clube de Roma, foi um dos fundadores da Sociedade Mont Pèlerin[1]. Pensador liberal, foi ainda um dos pioneiros e teóricos da prospectiva na França. Fundou a revista Futuribles, dedicada à reflexão sobre as possibilidades do futuro. Foi ainda precursor da ecologia política e escritor nos tempos livres sob o pseudónimo Guillaume Champlitte.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Bertrand de Jouvenel iniciou seus estudos de Direito e Ciências na Universidade de Paris. Foi correspondente diplomático, repórter internacional e correspondente especial de vários jornais até o ano 1939. Durante esse período também escreveu diversos livros dedicados à evolução do mundo contemporâneo, atividade à qual se consagrou exclusivamente depois da guerra - da qual participou entre 1939-1940 como voluntário no 126º Regimento de Infantaria.

De Jouvanel lecionou em várias Universidades estrangeiras (Oxford, Cambridge, Manchester, Yale, Chicago, Berkley dentre outras) e também fez carreira na França; foi professor adjunto na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas de Paris (cadeira de Prospectiva Social) de 1966 a 1973, no INSEAD e no CEDEP, a partir de 1973. É doutor honoris causa da Universidade de Glasgow.[3]

Membro de várias comissões econômicas, entre as quais a Comissão de Contas à Nação e a Comissão de Plano sobre "Consumo e Modos de vida", participou de trabalhos de pesquisa de numerosas instâncias internacionais, como o Institute for the Future (Estados Unidos) ou o Social Science-Research Council (Grã-Betanha).

De Jouvanel foi presidente-diretor geral da SEDEIS (Société d´Étude et de Documentation Économique, Industielle et Sociale) que editou, de 1954 a 1974, dois periódicos: Analyse et Prévision e Chorniques d´acutalité. Criou o Comité International Futuribles e fundou a Association Internacionale Futuribles.[4] Foi ainda, por vários anos, membro de destaque da Sociedade Mont Pèlerin, ponto de encontro de importantes pensadores liberais clássicos

Ideias centrais de suas obras[editar | editar código-fonte]

O Poder: História Natural do Seu Crescimento[editar | editar código-fonte]

Na supracitada obra, De Jouvenel destaca o oportunismo histórico que consagrou em dogma a personalização do abstrato, fazendo da “sociedade” o “verdadeiro sujeito” da ação histórica.

O economista Guy Sorman descreve a importância da obra O Poder como:

Na visão do pensador, foi esse o mais importante resultado da Revolução Francesa. Quando a Assembleia Legislativa colocou a França numa aventura militar que a monarquia não teria podido arriscar, percebeu-se que o Poder não dispunha de meios que lhe permitissem fazer frente à Europa. Foi necessário pedir a participação quase total do povo na guerra. Mas não havia como pedir a participação em nome de um rei destituído, então pediu-se em nome "da nação": e, como o patriotismo tomasse desde havia dois mil anos a forma do apego a uma pessoa, a inclinação natural dos sentimentos fez com que a nação assumisse o caráter e o aspecto de uma pessoa, cujos traços foram fixados pela arte popular.

Não é o trono que se derruba, mas sim é o Todo, o personagem nação, que sobe ao trono. Aceitou-se na França, depois disseminou-se na Europa, a crença de que existe um personagem nação, detentor natural do Poder."

A obra ainda evidencia que o que Hegel caracaterizou como sociedade civil corresponde à maneira pela qual a Sociedade fora sentida até a Revolução Francesa. Para Hegel, os indivíduos eram essenciais. O que ele chama de Estado, corresponde, ao contrário, o novo conceito de sociedade, herdado da Revolução e perpetuado até os dias atuais.[6]

A ética da redistribuição[editar | editar código-fonte]

Nesta obra, De Jouvenel atribui o corporativismo à necessidade das classes ligadas ao estado de camuflar seus gastos. A parte mais relevante deste trabalho é, certamente, a ideia de que quanto mais se procura redistribuir a fortuna, tanto mais se reforça o poder do estado e daqueles que o controlam.[1]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • 1928 L'économie dirigée. Le programme de la nouvelle génération. P., Valois (194 p)
  • 1929 La Fidélité difficile. Roman. Paris, Ernest Flammarion.
  • 1930 L'Homme rêvé.
  • 1931 Vie de Zola. Paris, 1931.
  • 1933 A Crise do Capitalismo Americano. P., Gallimard.
  • 1934 La Prochaine. Roman com Marcelle Prat. Paris.
  • 1938 Le réveil de l'Europe.
  • 1941 Après la défaite.
  • 1940-1947 D'une guerre à l'autre. três volumes:
    • (I) De Versailles à Locarno. P., Calmann-Lévy1940.
    • (II) La décomposition de l’Europe Libérale: Oct. 1924 - Jan. 1932. P., Plon1941.
    • (III) La dernière année ; choses vues de Munich à la guerre. 1947.
  • 1942 Napoléon et l’économie dirigée. Paris.
  • 1944 L'Économie mondiale au XXe siècle. Cours professé à l’École supérieure d’organisation professionnelle. Paris, 1944.
  • 1945 O Poder: História Natural do Seu Crescimento – Bertrand de Jouvenel, 1945. [3]
  • 1945 Les Français. Roman paru sous le pseudonyme Guillaume Champlitte ; Genève, éd. Constant Bourquin, 1945.
  • 1947 Raisons de craindre, raisons d'espérer.
  • 1947 L'Or au temps du Charles-Quint et Philippe II.
  • 1947 Essai sur la politique de Rousseau 1947.
  • 1947 L'Échec d'une expérience. Problèmes de l'Angleterre socialiste.
  • 1948 L’Amérique en Europe : le plan Marshall et la coopération intercontinentale. P., Plon, 1948.
  • 1948 France: No Vacancies. New York, Foundation for Economic Education, 1948.
  • 1949 On Power: Its Nature and the History of its Growth, 1949.
  • 1951 A ética da Redistribuição[7]
  • 1954 The Treatment of Capitalism by Continental Intellectuals 1954.
  • 1955 De la souveraineté. Paris, 1955.
  • 1955 Money in the Market
  • 1956 L'Épargne. P., éditions de l'Épargne, 1956.
  • 1956 Order versus Organization, On Freedom and Free Enterprise : Essays in Honor of Ludwig von Mises, 1998.
  • 1964 Présentation, in Jean-Jacques Rousseau : Discours sur l’origine et les fondements de l’inégalité parmi les hommes.
  • 1966 Utopia for Practical Purposes. - Utopias and Utopian Thought,
  • 1966 Le Rôle de prévision dans les affaires publiques.
  • 1967 Cours d’histoire des idées politiques à partir du XIXe siècle.
  • 1967 As Origens do Estado Moderno. ISBN 9788576744665
  • 1967 A Arte da Conjectura. ISBN 978-2213003146
  • 1969 Cours d’introduction à la sociologie politique
  • 1976 La civilisation de puissance. P., Fayard, 1976 ISBN 978-2213003146
  • 1978 Vers la forêt du XXIe siècle 1978.
  • 1979 Un voyageur dans le siècle, 1903-1945. Paris, 1979. ISBN 978-2221003947
  • 1980 Émile Zola : La Fortune des Rougon ;
  • 1986 Revoir Hélène. P., Robert Laffont, 1986.
  • 1987 The Nature of Politics. Selected Essays of Bertrand de Jouvenel.
  • 1993 Itinéraire 1928-1976.
  • 1999 Economics and the good life. Essays on Political Economy.

Referências

  1. a b - A Ética da Redistribuição
  2. Bertrand de Jouvenel, pionnier de l'écologie politique por Ivo Rens
  3. a b Neves, Paulo (2010). O PODER: HISTORIA NATURAL DO SEU CRESCIMENTO publicado = PEIXOTO NETO. São Paulo: [s.n.] ISBN 9789788588061 .
  4. http://www.idref.fr/026942011
  5. Guy Sorman, La singularidad francesa, Editorial Andrés Bello, 1996, pág. 28
  6. Bertrand de Jouvenel (2006). Du pouvoir: histoire naturelle de sa croissance (em francês). [S.l.]: Hachette Littératures. p. 91-93. ISBN 2012793061 
  7. Instituto Ludwig, von Mises Brasil (2012). Ética da Redistribuição publicado = Instituto Ludwig Von Mises. São Paulo: [s.n.] ISBN 978-85-8119-009-9 .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]