Bertrand de Orléans e Bragança

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Pretendente
Bertrand de Orléans e Bragança
Reivindicação
Título Imperador do Brasil
Período 15 de julho de 2022atualidade
Predecessor Luíz Gastão
Último monarca Pedro II (deposto em 1889)
Ligação com o último monarca Trineto
Vida
Nome completo Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach
Casa Orléans e Bragança
(Ramo de Vassouras)
Pai Pedro Henrique de Orléans e Bragança
Mãe Maria Isabel da Baviera
Nascimento 2 de fevereiro de 1941 (81 anos)
Mandelieu, França
Religião Catolicismo

Bertrand de Orléans e Bragança COMM (Mandelieu-la-Napoule, 2 de fevereiro de 1941), é um ativista brasileiro, descendente da família imperial brasileira e pretendente ao extinto trono do Brasil. Sucedeu seu irmão Luiz na chefia da Casa de Orléans e Bragança, em 15 de julho de 2022. Bertrand ainda é relacionado à família real portuguesa e à família real francesa por meio de seu pai, e à família real bávara por sua mãe.[1][2]

Terceiro filho varão de Pedro Henrique de Orléans e Bragança e de sua esposa, a princesa Maria Isabel da Baviera, foi o herdeiro presuntivo do seu irmão mais velho, Luíz Gastão. Também é neto do Príncipe Luís Maria Filipe do Brasil e da Princesa Maria Pia das Duas Sicílias, bisneto da Princesa Isabel do Brasil e do Príncipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, e trineto do último imperador do Brasil, Pedro II. Por parte de mãe ainda é neto do Príncipe Francisco da Baviera e da Princesa Isabel Antônia de Croÿ, sendo, assim, bisneto de Luís III, último rei da Baviera.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach nasceu em 1941, no sul da França, onde sua família morava desde a época do exílio da família imperial brasileira, que havia sido revogado em 1920.[3] Seu nascimento foi registrado no Consulado-Geral do Brasil em Paris.[4] Bertrand passou a primeira parte da infância na França e, por esse motivo, carrega um sotaque francês forte quando se comunica em português.[5][6]

Terceiro filho de Pedro Henrique de Orléans e Bragança[7] da princesa Maria Isabel da Baviera, é o terceiro filho do casal, de um total de treze.[8] Seus irmãos mais velhos são Luíz Gastão e Eudes, sendo que este último renunciou aos seus direitos dinásticos para realizar um casamento morganático.[9][10]

O jovem Bertrand mudou-se com sua família para o Brasil após o término da Segunda Guerra Mundial. Bertrand cresceu e realizou parte de seus estudos secundários no estado do Paraná, ⁣[8] e mais tarde, estudou no Colégio Santo Inácio, na cidade do Rio de Janeiro. Cursou a Faculdade de Direito da USP, ⁣[8] formando-se bacharel em direito em 1964.[9]

Após a morte de seu irmão, Luíz Gastão, no dia 15 de julho de 2022, assumiu a chefia do seu ramo da Casa de Orléans e Bragança, tornado-se pretendente ao extinto trono do Império do Brasil.[11]

Atividades[editar | editar código-fonte]

Abertamente identificado com valores conservadores,[12] Bertrand é de inspiração católica tradicionalista, membro-diretor do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, sucessor da antiga Associação Tradição, Família e Propriedade (TFP).[13][14]

É figura expressiva no cenário do Movimento Monárquico Brasileiro, tanto na época anterior ao plebiscito de 21 de abril de 1993, quanto nos dias que o sucedem. Lidera campanhas em prol da restauração da monarquia no Brasil.[13]

Como figura mais ativa e presente do movimento monarquista, Bertrand sempre concedeu muitas entrevistas às mídias, pronuncia "palestras em todo o Brasil, e mantém um blog na internet e participa ativamente do movimento Paz no Campo (o qual, como grupo de pressão/lobby, defende a propriedade rural e combate o ambientalismo e grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - MST)”.[15][16]

Pensamento[editar | editar código-fonte]

Bertrand se posiciona, politicamente, no campo do conservadorismo, da propriedade privada, da livre iniciativa e do respeito ao princípio da subsidiariedade.[17][18]

Bertrand é um negacionista das alterações climáticas.[19] Ele defendeu em entrevistas que o aquecimento global é “invenção dos ecoterroristas, incluindo o PT”, e que a proteção das comunidades indígenas previstas pela Constituição brasileira de 1988 seria “uma tática comunista”.[8][9] Em 2012 publicou o livro Psicose Ambientalista em que critica movimentos como o MST e grupos que intitula “ecoterroristas e ambientalistas radicais”.[20]

É também contrário à possibilidade de divórcio e do re-casamento de pessoas divorciadas, por considerar que “como católico não posso ver com bons olhos o casamento de uma divorciada”[21][22], no entanto, não pensa em, num hipotético cenário da volta da monarquia, impor ou perseguir as pessoas que tiverem relações homoafetivas ou sejam divorciadas. Nesse sentido, quando do casamento do príncipe britânico Harry, afirmou que ele jamais teria aprovado o enlace, visto que se Harry se casasse uma princesa ou uma mulher de família nobre, “e não com uma divorciada, a satisfação dos britânicos seria muito maior”.[21]

Em 2017 foi um dos entrevistados no documentário Bonifácio: O Fundador do Brasil, sobre o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva.[23]

Em junho de 2020, em videoconferência realizada entre o Ministério das Relações Exteriores com a Fundação Alexandre Gusmão, organizada pelo Palácio do Itamaraty, discutindo cenários do Brasil em meio à pandemia do COVID-19, Bertrand afirmou que “enquanto certos países têm um problema racial muito violento, aqui nós não temos problema racial. Estão procurando criar esse problema racial, mas não conseguem. […] Aqui no Brasil todos nos damos bem, […] Todo brasileiro tem um pouco de sangue branco, um pouco de sangue negro e um pouco de sangue índio. Isso deu um blend (mistura) absolutamente extraordinário, porque temos o povo brasileiro que é um povo fabuloso. É um povo com um calor humano que nenhum outro povo tem isso”.[24][25] Na mesma conferência, Bertrand deu outra declaração ao tratar sobre a COVID-19, afirmando que “o grande culpado por essa pandemia é a China”.[25][26]

Laudêmio[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Laudêmio de Petrópolis

Em fevereiro de 2022, após um comunicado assinado por Bertrand se solidarizando com as vítimas das enchentes de Petrópolis, ele explicou que o Ramo de Vassouras (descendentes de Luís de Orléans e Bragança, o filho mais novo da Princesa Isabel), do qual ele e seus irmãos e sobrinhos fazem parte, não recebe a taxa de 2,5% sobre as vendas e alugueis de imóveis em Petrópolis, um direito cabível como contrapartida ao uso das terras da fazenda do Córrego Seco, hoje o centro de Petrópolis, comprada por Dom Pedro I com dinheiro próprio em 1830 (era uma propriedade privada do imperador, não sendo um espaço público como os edifícios públicos governamentais ou os terrenos públicos pertencentes a União, ao Estado do Rio de Janeiro ou ao Município de Petrópolis). Ele disse que a taxa é devida apenas ao Ramo de Petrópolis (descendentes de Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, o filho mais velho da Princesa Isabel), que redireciona o laudêmio ao Museu Imperial.[27][28]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Os títulos dos membros da Casa Imperial do Brasil não têm existência legal desde a proclamação da república, entretanto, são considerados títulos de cortesia concedidos pelo pretendente ao trono e tem sido reconhecidos pelas autoridades republicanas constituídas:[29]

  • 2 de fevereiro de 1941 - 5 de julho de 1981 : Sua Alteza Real, o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe do Brasil;
  • 5 de julho de 1981 - 15 de julho de 2022 : Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança;
  • desde 15 de julho de 2022: Sua Alteza Imperial e Real, o Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança.

Caso o Brasil ainda fosse uma monarquia, desde 15 de julho de 2022, o título do Príncipe Dom Bertrand seria:

  • Sua Majestade Imperial, Dom Bertrand I, Pela Graça de Deus, e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

Honras[editar | editar código-fonte]

Como Chefe da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Bertrand é:[30]

Dom Bertrand também recebeu as seguintes honras e distinções

Títulos Honoríficos[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • 2012. Psicose Ambientalista: os bastidores do ecoterrorismo para implantar uma “religião” ecológica, igualitária e anticristã. São Paulo: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. ISBN 9788566041002

Referências

  1. «Dom Luiz de Orleans e Bragança morre aos 84 anos». O Globo. Consultado em 15 de julho de 2022 
  2. Rio, Redação Diário do (15 de julho de 2022). «Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, morreu nesta sexta-feira». Diário do Rio de Janeiro. Consultado em 21 de agosto de 2022 
  3. «DECRETO Nº 4.120, DE 3 DE SETEMBRO DE 1920». Presidência da República. 3 de setembro de 1920. Consultado em 16 de agosto de 2018 
  4. «Dom Bertrand » Monarquia». monarquia.org.br. Consultado em 4 de fevereiro de 2022 
  5. «Herdeiro de trono extinto, Dom Bertrand de Orleans e Bragança mora em casa alugada de 2 quartos». Época Negócios. 5 de julho de 2016. Consultado em 16 de agosto de 2018 
  6. Pearson, Samantha (18 de maio de 2016). «Brazil's would-be king and his two-bed rented home in São Paulo: Dom Bertrand, heir to a defunct throne, awaits the republic's downfall after President Dilma Rousseff's impeachment». Financial Times. Consultado em 16 de agosto de 2018 
  7. «Dom Luiz de Orleans e Bragança morre, aos 84 anos, em São Paulo. "Morreu nesta sexta (15), em São Paulo, aos 84 anos, Dom Luiz de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil (...)"». G1. Consultado em 1 de agosto de 2022  Dom Luiz de Orleans e Bragança
  8. a b c d «Herdeiro de trono extinto, Dom Bertrand de Orleans e Bragança mora em casa alugada de 2 quartos». Época Negócios. 5 de julho de 2016. Consultado em 16 de agosto de 2018 
  9. a b c Pearson, Samantha (18 de maio de 2016). «Brazil's would-be king and his two-bed rented home in São Paulo: Dom Bertrand, heir to a defunct throne, awaits the republic's downfall after President Dilma Rousseff's impeachment». Financial Times. Consultado em 16 de agosto de 2018 
  10. Leonard, Seth B. (28 de fevereiro de 2020). «Eurohistory: The Lost Princess of Brazil: Maria de Orleans e Bragança». Eurohistory. Consultado em 4 de fevereiro de 2022 
  11. Redação (15 de julho de 2022). «Morre Dom Luiz de Orleans e Bragança, bisneto da princesa Isabel». Farol Blumenau. Consultado em 15 de julho de 2022 
  12. Wink, Georg (2021). Brazil, Land of the Past: The Ideological Roots of the New Right (em inglês). Cuernavaca: Bibliotopía 
  13. a b «Tradição e monarquia no apoio a Bolsonaro». Estado de Minas. 9 de junho de 2019. Consultado em 18 de junho de 2020 
  14. Brooke, James; Times, Special To the New York (12 de novembro de 1989). «A Sour Anniversary for Brazil's Monarchists». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 27 de agosto de 2022 
  15. Quadros, M. P. R. (janeiro–junho de 2017). «Conservadorismo Coroado: movimentos monarquistas no Brasil atual». (2017). Conservadorismo coroado: movimentos monarquistas no Brasil atual. https://doi.org/10.52780/res.9113. Estudos De Sociologia. v.22 (Estudos De Sociologia, 22(42)): 22 
  16. Godoy, Entrevistadora: Mariana Godoy (maio de 2016). «RedeTV! Em rede com você, Programa Mariana Godoy Entrevista». www.redetv.uol.com.br. Consultado em 3 de agosto de 2022 
  17. Tavares, Joelmir (1 de março de 2018). «'Príncipe brasileiro' acena a Alckmin em reunião do movimento monarquista: Dom Bertrand tem restrição a Bolsonaro, por 'medo de salvador da pátria'». Consultado em 16 de agosto de 2018 
  18. «Ìntegra da entrevista com dom Bertrand | Páginas Azuis | O POVO Online». www20.opovo.com.br. Consultado em 18 de junho de 2020 
  19. Miguel, Jean Carlos Hochsprung (13 de abril de 2022). «A "meada" do negacionismo climático e o impedimento da governamentalização ambiental no Brasil». Sociedade e Estado: 293–315. ISSN 0102-6992. doi:10.1590/s0102-6992-202237010013 
  20. Santos, Renan William dos (2 de outubro de 2020). «Entre o "cuidado da casa comum" e a "psicose ambientalista": disputas em torno da ecoteologia católica no Brasil». Revista Brasileira de Sociologia - RBS (20): 78–101. ISSN 2318-0544. doi:10.20336/rbs.666. Consultado em 27 de agosto de 2022 
  21. a b Barrucho, Luis (18 de abril de 2018). «Casamento real: 'Nunca autorizaria', diz príncipe imperial do Brasil sobre bodas de Harry e Meghan». BBC Brasil. Consultado em 16 de agosto de 2018 
  22. Cordeiro, Tiago (8 de agosto de 2017). «"Somos católicos, graças a Deus", diz Dom Bertrand de Orléans e Bragança: Dom Bertrand de Orléans e Bragança, 76 anos, é o porta-voz do ramo de Vassouras da família imperial brasileira». Gazeta do Povo. Consultado em 16 de agosto de 2018 
  23. «O FUNDADOR – Bonifácio – O Fundador do Brasil». bonifacio.ofundadordobrasil.com.br. Consultado em 7 de junho de 2018 
  24. Conferência virtual "O Brasil na conjuntura internacional do pós-coronavírus". YouTube. Fundação Alexandre de Gusmão. 16 de junho de 2020. Em cena em 1:02:45. Consultado em 19 de junho de 2020 
  25. a b Fernandes, Augusto (16 de junho de 2020). «Príncipe imperial do Brasil diz que não há racismo no país». Correio Braziliense. Consultado em 17 de junho de 2020. Cópia arquivada em 17 de junho de 2020 
  26. «Autoproclamado príncipe imperial do Brasil diz que não tem racismo no país». UOL Notícias. 17 de junho de 2020. Consultado em 19 de junho de 2020. Cópia arquivada em 19 de junho de 2020 
  27. «MENSAGEM DO PRÍNCIPE IMPERIAL DO BRASIL A RESPEITO DAS CHUVAS EM PETRÓPOLIS» Monarquia». monarquia.org.br. Consultado em 18 de fevereiro de 2022
  28. «Príncipe não recebe taxa de propriedades em Petrópolis». O Antagonista. 18 de fevereiro de 2022. Consultado em 18 de fevereiro de 2022
  29. «Dom Bertrand » Monarquia». monarquia.org.br. Consultado em 11 de novembro de 2022 
  30. «Dom Bertrand » Monarquia». monarquia.org.br. Consultado em 11 de novembro de 2022 
  31. «Proj. Lei 2015/2019 - Proj. de Resolução». Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Consultado em 24 de outubro de 2022 
  32. «Nº 27/2009 - Boletim do Exército». http://www.sgex.eb.mil.br 


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