Betelgeuse

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Coordenadas: Sky map 05h 55m 10.3053s, +07° 24′ 25.426″

Betelgeuse
Representação artística da estrela e sua nebulosa
Dados observacionais (J200)
Constelação Orion
Asc. reta 05h 55m 10,31s[1]
Declinação +07° 24′ 25,43″[1]
Magnitude aparente 0,50[2] (0,00 a 1,30)[3]
Características
Tipo espectral M1-M2Ia-Iab[4]
Cor (U-B) +2,06[2]
Cor (B-V) +1,85[2]
Variabilidade semirregular (SRc)[3]
Astrometria
Velocidade radial +21,9 km/s[1]
Mov. próprio (AR) 26,42 ± 0,25 mas/a[5]
Mov. próprio (DEC) 9,60 ± 0,12 mas/a[5]
Paralaxe 4,51 ± 0,80 mas[5]
Distância 720 ± 130 anos-luz
220 ± 40 pc
Detalhes
Massa 14 M
Raio 887 ± 203[6] R
Luminosidade 4.520-14.968 L
Temperatura 3 600 K
Idade 6 × 106 anos
Outras denominações
Alpha Orionis, 58 Ori, HR 2061, BD+7°1055, HD 39801, SAO 113271, FK5 224, HIP 27989
Betelgeuse
Orion constellation map.png

Alpha Orionis (α Orionis), conhecida como Betelgeuse, é uma estrela de brilho variável sendo a 10ª ou 12ª estrela mais brilhante das que podem ser vistas da Terra. É também a segunda estrela mais brilhante na constelação de Orion. Apesar de ter a designação α ("alpha") na Classificação de Bayer, ela não é mais brilhante que Rigel (β Orionis).

Betelgeuse é na verdade mais brilhante do que Rigel no comprimento de onda infravermelho, mas não nos comprimentos de onda visíveis.

Características[editar | editar código-fonte]

Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha, e uma das maiores estrelas conhecidas, sendo de grande interesse para a astronomia. O diâmetro angular de Betelgeuse foi medido pela primeira vez em 1920-1921 por Michelson e Pease, sendo uma das cinco primeiras a serem medidas usando um interferómetro no telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson. O seu diâmetro é de 887±203[6] vezes o do Sol. No diâmetro máximo, a estrela seria maior que a órbita de Saturno se colocada no lugar do Sol. Apesar de ser apenas 14 vezes mais massiva que o Sol, é cerca de algumas centenas de milhões de vezes maior em volume, como uma bola de futebol comparada a um grande estádio de futebol. A sua proximidade à Terra e o seu enorme tamanho fazem dela a estrela com o terceiro maior diâmetro angular vista da Terra [1], menor apenas que o Sol e R Doradus. É uma das 12 estrelas cujos discos reais podem ser visualizados com telescópios atuais. Betelgeuse possui uma temperatura à superfície de cerca de 3.500 K.[7]

Supernova[editar | editar código-fonte]

Como uma estrela massiva próxima do fim de sua vida, é previsto que Betelgeuse exploda como uma supernova de tipo II em algum momento dos próximos 100 000 anos.[6] Isso acontecerá pouco depois de a estrela começar a queimar carbono no seu núcleo, progredindo então para a queima de elementos mais pesados até a formação de um núcleo massivo de ferro, que é instável e sofre o colapso que gera a supernova. O momento preciso em que a supernova vai ocorrer é altamente incerto e depende do estado evolucionário exato da estrela, que é desconhecido devido a incertezas em parâmetros como massa, distância e rotação. As características de Betelgeuse são consistentes com uma estrela no começo da fase de queima de hélio, com a supernova ocorrendo no final da estimativa de 100 000 anos, mas um estado evolutivo mais avançado não está descartado, apesar de ser improvável.[6][8] Estudos de asterosismologia mostram que qualquer sinal acústico do núcleo provavelmente é amortecido pelas camadas externas da estrela, impossibitando a determinação direta do interior da estrela por esse método.[8] Modelos incorporando rotação mostram que se Betelgeuse tiver rotação e massa suficientemente altas, a estrela provavelmente ainda evoluirá para uma fase de supergigante azul antes de explodir, gerando uma supernova similar a SN 1987A.[9]

A supernova de Betelgeuse emitirá cerca de 2×1046 J de neutrinos e produzirá uma explosão com uma energia cinética de 2×1044 J, deixando para trás uma estrela de nêutrons com cerca de 1,5 M. Assumindo que seja uma supernova II típica, vista da Terra ela teria uma magnitude aparente máxima de −12,4.[6] Ela seria mais brilhante que a lua cheia e seria visível mesmo durante o dia. Esse tipo de supernova permanece com um brilho aproximadamente constante por 2–3 meses antes de perder luminosidade rapidamente. A luz visível é produzida principalmente pelo decaimento radioativo de cobalto, e mantém seu brilho devido ao aumento da transparência do hidrogênio ejetado pela supernova.[10] Os raios X e raios gama gerados na supernova não serão suficientes para penetrar a atmosfera terrestre, e a onda de choque gerada pela explosão não deve afetar a Terra.[6]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Nebulosa em torno da Betelgeuse

O nome é uma contração do árabe يد الجوزا yad al-jawzā, ou "a mão do (guerreiro, homem) do centro". Jauza, o do centro, inicialmente se referia a Gémeos entre os Árabes, mas a algum momento decidiram referir-se a Orion por este nome. Durante a Idade Média o primeiro caracter do nome , y (, com dois pontos sob ele), foi erroneamente traduzido para o Latim como um b (, com um ponto apenas), e Yad al-Jauza tornou-se Bedalgeuze. Então, durante o Renascimento, alguém tentou derivar o nome árabe deste nome corrompido, e decidiu que ele foi escrito originalmente como Bait al-Jauza. Esta pessoa imaginativa então declarou que Bait seria "braço" em Árabe, para surpresa dos árabes em todo o mundo. O linguista sem nome da Renascença então "corrigiu" a grafia para Betelgeuse e o termo moderno nasceu. Para que Betelgeuse tivesse o sentido do "braço do centro", o original deveria ser ابط Ibţ (al-Jauza).

Outros nomes:

  • Al Dhira (o braço)
  • Al Mankib (o Ombro)
  • Al Yad al Yamma (a Mão direita)
  • Ardra (Hindi)
  • Bahu (sânscrito)
  • Bed Elgueze
  • Beit Algueze
  • Besn (Persa) (o braço)
  • Beteigeuze
  • Beteiguex
  • Betelgeuze (Bet El-geuze),
  • Betelgeza (Esloveno)
  • Betelguex
  • Ied Algeuze (A mão de Orion)
  • Yedelgeuse
  • 平家星 Heikeboshi (Japan)(Bintang klan Heike)[11][12],

Referências

  1. a b c «* alf Ori -- Red supergiant star». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 16 de janeiro de 2020 
  2. a b c Nicolet, B. (outubro de 1978). «Catalogue of homogeneous data in the UBV photoelectric photometric system». Astronomy and Astrophysics, Suppl. Ser. 34: 1-49. Bibcode:1978A&AS...34....1N 
  3. a b Samus, N. N.; Kazarovets, E. V.; Durlevich, O. V.; Kireeva, N. N.; Pastukhova, E. N. (janeiro de 2009). «VizieR Online Data Catalog: General Catalogue of Variable Stars (Samus+, 2007-2017)». VizieR On-line Data Catalog: B/gcvs. Bibcode:2009yCat....102025S 
  4. Keenan, Philip C.; McNeil, Raymond C. (outubro de 1989). «The Perkins catalog of revised MK types for the cooler stars». Astrophysical Journal Supplement Series. 71: 245-266. Bibcode:1989ApJS...71..245K. doi:10.1086/191373 
  5. a b c Harper, G. M.; et al. (julho de 2017). «An Updated 2017 Astrometric Solution for Betelgeuse». The Astronomical Journal. 154 (1): artigo 11, 6 pp. Bibcode:2017AJ....154...11H. doi:10.3847/1538-3881/aa6ff9 
  6. a b c d e f Dolan, Michelle M.; Mathews, Grant J.; Lam, Doan Duc; Lan, Nguyen Quynh; Herczeg, Gregory J.; Dearborn, David S. P. (2016). «Evolutionary Tracks for Betelgeuse». The Astrophysical Journal. 819. 7 páginas. Bibcode:2016ApJ...819....7D. arXiv:1406.3143v2Acessível livremente. doi:10.3847/0004-637X/819/1/7 
  7. «Estrela Betelgeuse». Site Astronomia. Consultado em 16 de dezembro de 2017 
  8. a b Nance, S.; Sullivan, J. M.; Diaz, M.; Wheeler, J. Craig (setembro de 2018). «The Betelgeuse Project II: asteroseismology». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 479 (1): 251-261. Bibcode:2018MNRAS.479..251N. arXiv:1805.10347Acessível livremente. doi:10.1093/mnras/sty1418 
  9. van Loon, J. Th. (maio de 2013). «Betelgeuse and the Red Supergiants». Betelgeuse Workshop 2012. Edited by P. Kervella, T. Le Bertre and G. Perrin. EAS Publications Series. 60: 307-316. Bibcode:2013EAS....60..307V. arXiv:1303.0321Acessível livremente. doi:10.1051/eas/1360036 
  10. Wheeler, J. Craig (2007). Cosmic Catastrophes: Exploding Stars, Black Holes, and Mapping the Universe 2nd ed. Cambridge, UK: Cambridge University Press. pp. 115–17. ISBN 978-0-521-85714-7 
  11. "en:Daijirin" p.2327 ISBN:4385139024
  12. en:Hōei Nojiri"Shin seiza jyunrei"p.19 ISBN: 9784122041288

Ligações externas[editar | editar código-fonte]