Bezerra

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Juvenal de Souza, mais conhecido como Bezerra (Altair, 5 de setembro de 1949), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como zagueiro e lateral.

Bezerra começou nas categorias de base da Associação Atlética Altair, de sua cidade-natal, passando depois por Guaraçaí e Barretos, de onde foi, em 1971,[1] para o e Guarani, antes de chegar ao São Paulo, em 1976.[2] Ali, ele foi convertido de lateral esquerdo para zagueiro[1] e conquistou o Campeonato Brasileiro de 1977, sendo, ao lado de Chicão, um dos dois únicos jogadores do elenco a disputar todas as partidas da campanha. Foi dele o último gol são-paulino na disputa de pênaltis da decisão[2]Márcio perderia a última cobrança para o Atlético Mineiro, o que daria o título ao São Paulo.

No início de 1980, foi diagnosticado pelos médicos do São Paulo com cisticercose cerebral, que estaria causando as fortes dores de cabeça que o zagueiro vinha sentindo.[1] Foi, então, recomendado que ele encerrasse sua carreira, mas a diretoria pretendia lhe dar outro cargo no clube.[1] "É realmente uma grande perda, principalmente agora, que ele atravessa a melhor fase de sua carreira, tendo sido até lembrado pelo comissão técnica da seleção brasileira", lamentou o diretor são-paulino José Douglas Dallora.[1] O zagueiro optou por não correr o risco de continuar jogando e pretendia comprar uma fazenda e criar gado: "Depois de conversar com minha mulher e demais familiares, decidi não correr esse risco. É triste ter de encerrar a carreira prematuramente, no momento em que tecnicamente eu me sentia muito bem."[3] O São Paulo prometia seguir renovando seu contrato "tantas vezes quantas [fossem] necessárias" até que saísse sua aposentadoria por invalidez.[3]

Após a divulgação de sua aposentadoria, ele seguiu treinando para a partida de estreia na temporada, um amistoso contra o Flamengo, que serviria como sua despedida.[4] Bezerra atuou no empate com o clube carioca, sendo substituído por Jaime.[5] Jaime, "que [estava] merecendo uma oportunidade", segundo o técnico Carlos Alberto Silva, seguiria sendo o substituto de Bezerra,[6] enquanto o São Paulo não encontrasse alternativa no mercado.[7]

Após dois anos, voltou a jogar e defendeu Fernandópolis, Olímpia, Uberaba e Barretos, embora, segundo a revista Placar, "todos os indícios [apontassem] que [estava] arriscando a vida".[8] "Não há risco nenhum", garantia. "Estou bem outra vez. Do contrário, não jogaria."[8] O médico que cuidou de seu tratamento era reticente: "Sua doença pode apresentar uma evolução totalmente imprevisível, e creio que ele deveria ter um pouco mais de cuidado antes de voltar. Daí a dizer que não pode mais jogar futebol vai uma distância muito grande, e eu não posso afirmar nada a respeito, porque não fui mais procurado por ele."[8] Já o médico do São Paulo era categórico: "Na Medicina não existe meio-termo: ou pode ou não pode. E ele não pode mais jogar futebol."[8]

Bezerra encerrou definitivamente a carreira em 1985.[2]

Referências

  1. a b c d e «Bezerra não pode mais jogar futebol». Folha de S. Paulo (18 551). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 17 de janeiro de 1980. 28 páginas. ISSN 1414-5723 
  2. a b c Marcelo Rozenberg. «Que fim levou? Bezerra». Terceiro Tempo. Consultado em 24 de março de 2013 
  3. a b «Bezerra vai criar gado para esquecer o fim da carreira». Folha de S. Paulo (18 552). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 18 de janeiro de 1980. 28 páginas. ISSN 1414-5723 
  4. «Só Dario faltou à apresentação do novo técnico». Folha de S. Paulo (18 553). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 19 de janeiro de 1980. 24 páginas. ISSN 1414-5723 
  5. «O São Paulo só empatou». Folha de S. Paulo (18 561). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 27 de janeiro de 1980. 28 páginas. ISSN 1414-5723 
  6. «São Paulo passou no teste com 'nota 7'». Folha de S. Paulo (18 563). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 29 de janeiro de 1980. 24 páginas. ISSN 1414-5723 
  7. «O São Paulo procura um novo zagueiro». Folha de S. Paulo (18 564). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 30 de janeiro de 1980. 24 páginas. ISSN 1414-5723 
  8. a b c d Emanuel Mattos (10 de setembro de 1982). «Ele desafia a própria morte». Placar (642). São Paulo: Editora Abril. pp. 19–21. ISSN 0104-1762. Consultado em 5 de maio de 2015