Biblioteca escolar

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Biblioteca Escolar é uma instituição do sistema social que organiza materiais bibliográficos, audiovisuais e outros meios e os coloca à disposição de uma comunidade educacional. Constitui parte integral do sistema educativo e participa de seus objetivos, metas e fins. A biblioteca escolar é um instrumento de desenvolvimento do currículo e permite o fomento da leitura e a formação de uma atividade científica; constitui um elemento que forma o indivíduo para a aprendizagem permanente, estimula a criatividade, a comunicação, facilita a recreação, apoia os docentes em sua capacitação e lhes oferece a informação necessária para a tomada de decisões em aula. Trabalha também com os pais de família e com outros agentes da comunidade.[1] "O papel da biblioteca escolar é incentivar a leitura reflexiva".[2] Para enfrentar os desafios de não ser taxada como um depósito de livros e não se limitar a esperar que os alunos e a comunidade escolar acessem seu conteúdo por simplesmente estar disponível, podemos considerar que existem três elementos essenciais: acervo bem selecionado e atualizado, ambiente físico adequado e acolhedor; e um mediador, a figura do bibliotecário/professor.[3] Os usuários da BE são divididos entre principais e os que mantêm vínculo com a escola sem frequentá-la e assistir aulas (como pais, ex-alunos). Também é possível ofertar alguns serviços à comunidade em que a escola está localizada, desde que não esquecida que a missão essencial dessa biblioteca é atender seus alunos e colaborar com sua formação.[3]

História no Brasil[editar | editar código-fonte]

A criação das primeiras bibliotecas escolares deu-se no Brasil Colonial com a chegada dos jesuítas que se instalaram no país com o objetivo de catequizar os índios. Assim que os jesuítas chegaram ao Brasil, tiveram como preocupação inicial pedir a Portugal documentos, que, na sua maioria, constituíam-se de obras religiosas, para formar o acervo da biblioteca de seus colégios, o acervo dessas bibliotecas era dirigido a catequese e ao aprimoramento dos religiosos. As obras que constituíam os acervos gerenciados pela igreja eram fundamentalmente litúrgicas ou tendiam a confirmar a interpretação dos fatos defendida por esta instituição. O acesso ao acervo era por vezes dificultado, chegando-se a proibir muitas vezes o acesso a obras não recomendadas.

Objetivos[editar | editar código-fonte]

Os objetivos básicos da Biblioteca Escolar constituem-se em:

  • ampliar conhecimentos, visto ser uma fonte cultural;
  • colocar à disposição dos alunos um ambiente que favoreça a formação e desenvolvimento de hábitos de leitura e pesquisa;
  • oferecer aos professores o material necessário à implementação de seus trabalhos e ao enriquecimento de seus currículos escolares;
  • proporcionar aos professores e alunos condições de constante atualização de conhecimento em todas as áreas do saber;
  • consciencializar os alunos de que a biblioteca é uma fonte segura e atualizada de informações;
  • estimular nos alunos o hábito de frequência a outras bibliotecas em busca de informações e/ou lazer;
  • integrar-se com outras bibliotecas, proporcionando intercâmbios culturais, recreativos e de informações.

A maioria das bibliotecas escolares não desenvolvem diretamente esses objetivos, visto que boa parte das bibliotecas escolares são relacionadas a depósitos de livros e não um espaço de ensino.

Desafios[editar | editar código-fonte]

Para que a biblioteca escolar consiga cativar os leitores, são necessárias inicialmente duas variáveis: seu acervo e o profissional que nela atua. Porém, não é apenas os únicos fatores que irão conseguir desenvolver a formação de um leitor, fazendo-se necessária a ajuda da família para tal ato. Sendo assim um local ao qual tem o papel de acrescentar a um processo iniciado pela família ou círculo social ao qual o indivíduo pertence.

Contudo, mesmo com a existência dessa assistência, ainda acaba sendo um espaço que enfrenta diversas dificuldades nesse processo, tendo em principal contraponto, estímulos mais atrativos, consequentemente digitais; e o aumento do desinteresse do aluno à medida que progridem na escolaridade.

Segundo Edgar Morin, a escola e o ambiente da biblioteca deve ser lugares ao qual o aluno consiga renovar suas expectativas sobre a pesquisa e os modelos usados para obtenção de informação e conhecimento.[4] Uma visão diferenciada da atual, tendo como realidade, locais vítimas do abandono, em que os questionamentos primitivos dos alunos são deixados de lado.

Podendo-se considerar o aspecto de encosto ao qual a biblioteca é remetida, um lugar ao qual os alunos não conseguem se imaginar atuando, por ser considerado um local silencioso e dono de um catálogo que não se assemelha a de uma biblioteca comunitária.

Sendo necessário a inserção deste espaço no meio digital, transformando o contraponto tecnológico antes citado, em um aliado para a reinserção dos alunos e de seu interesse pela leitura novamente no meio escolar, trazendo consigo uma renovação no significado de pesquisa e conhecimento.

Administração[editar | editar código-fonte]

A administração de bibliotecas escolares se deve exclusivamente ao profissional Bibliotecário, ele deve aplicar as funções básicas de toda biblioteca, ligadas a organização e recuperação da informação, contemplando, no contexto especifico da escola, o conhecimento e necessidades de informação dos alunos, professores e demais usuários da biblioteca escolar. O papel do bibliotecário escolar varia de acordo com orçamentos, currículos e metodologias de ensino das escolas, dentro do quadro legal e financeiro do país. Em contextos específicos, há áreas gerais de conhecimento que são vitais se os bibliotecários escolares assumirem o desenvolvimento e a operacionalização de serviços efetivos: gestão da biblioteca, dos recursos, da informação e ensino.

Acervo da Biblioteca Escolar[editar | editar código-fonte]

"O acervo é a totalidade de material que ela possui".[3] As bibliotecas escolares são semelhantes às bibliotecas públicas, pois contêm livros, filmes, sons gravados, periódicos  e mídia digital. Esses itens não são apenas para a educação, diversão e entretenimento de todos os membros da comunidade escolar, mas também para melhorar e expandir o currículo da escola. O acervo deve conter documentos que atendam os currículos das séries matriculadas na escola, podendo incluir assuntos como atualidades, literatura brasileira e estrangeira. Para cumprir sua função com profundidade, é interessante que os professores participem da seleção de acervo, podendo ser formada uma comissão para isso. Também é interessante que a BE esteja aberta a sugestões que podem ser colhidas via endereço de e-mail, redes sociais (caso a biblioteca possua alguma) ou caixa de sugestões. As modalidades de incorporação ao acervo são: compra, doação e permuta.[3] Observadas as condições de tamanho e orçamentos, é possível atender as exigências legais da Lei nº 12.244 a partir de um livro por aluno e se sugere “a partir de quatro títulos por aluno, não sendo necessário mais do que cinco exemplares de cada título”.[5]

Legislação[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1946 foram instituídas as Leis Orgânicas Federais do Ensino Primário e do Ensino Normal. Ambas pertencem a um conjunto de leis baixadas de 1942 a 1946 que ficaram conhecidas como Reforma Capanema. Com essas Reformas, toda a estrutura educacional brasileira foi reorganizada na tentativa de estabelecer uma política nacional única para a educação no país. A biblioteca escolar também foi contemplada durante o período de reforma educacional que envolveu as décadas de 1930 e 1940, como forma de impulsionar o processo de aprendizagem e estimular o gosto pela leitura. Por sua vez, a década de 1950 pode ser considerada como o marco para a criação das bibliotecas escolares no país.

A principal política de incentivo e criação de biblioteca escolar foi instituída com a promulgação da Lei n. 12.244/2010 que Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país, tendo como prazo máximo de dez anos para sua efetivação, competindo às instituições de ensino desenvolver esforços progressivos pra o seu cumprimento.[6] A publicação da Lei n. 12.244/2010, foi resultado de um esforço da classe bibliotecária que, há longo tempo, vem denunciando a falta de bibliotecas nas escolas e a precariedade das poucas que existem, situação comprovada por diversos estudos.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

ALBERNAZ, Maria Beatriz (2008). Sete desafios da biblioteca escolar. In: BRASIL. Ministério da Cultura. Fundação Biblioteca Nacional. Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler). Brasília: MEC, p. 35-48. (Coleção Cursos da Casa de Leitura)

ARACI, Isaltina de Andrade; HILLESHEIM, Gleisy Regina Bóries Fachin. Conhecer e ser uma biblioteca escolar no ensino-aprendizagem. Revista ACB, 1999. Disponivel em: https://revistaacb.emnuvens.com.br/racb/article/view/340/403 Acesso em: 08 nov. de 2018.

BARROCO, José Alvez (2004). As Bibliotecas Escolares e a Formação de Leitores. Dissertação de Mestrado em Educação - Supervisão pedagógica em Ensino do Português Não pulicada. Instituto de Educação e Psicologia Universidade do Minho, Braga

BRASIL. LEI Nº 12.244, DE 24 DE MAIO DE 2010. Dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País. Brasília, 2010. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2010/lei-12244-24-maio-2010-606412-publicacaooriginal-127238-pl.html Acesso em: 08 de nov. de 2018.

CANDIN, Clarice Fortkamp. Reflexões acerca do bibliotecário de biblioteca escolar. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 10, n. 2, p. 163-168, 2005. Disponível em:http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/431

MAYRINK, Paulo Tarcísio. Diretrizes para a formação de coleções de bibliotecas escolares. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 16., 1991, Salvador. Anais... Salvador: Associação Profissional dos Bibliotecários do Estado da Bahia, 1991. p. 304-314.

VALIO, E.B.M., Biblioteca Escolar. trans-in-formação, 1990. Disponivel em: http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/viewFile/1670/1641 Acesso: 08 de nov. de 2018.

Referências

  1. «Febab Anais:». Consultado em 8 de novembro de 2018 
  2. Santana Filho, Severino Farias. «O papel da Biblioteca escolar na formação do leitor.». Consultado em 6 de dezembro de 2020 
  3. a b c d Côrte, Adelaide Ramos; Bandeira, Suelena Pinto (2011). Biblioteca Escolar. Brasília: Brinquet Lemos 
  4. Albernaz, Maria. «Sete desafios da Biblioteca Escolar». Fundação Biblioteca Nacional. Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler): 1 
  5. Campello, Bernadete Santos (2008). A biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica. [S.l.]: Autêntica. pp. 17–19 
  6. «LEI Nº 12.244, DE 24 DE MAIO DE 2010 - Publicação Original - Portal Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 8 de novembro de 2018