Biltong

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Fatias de carne de biltong
Biltong caseiro 

Biltong é uma forma de carne seca e curada, originária da África do Sul. Diversos tipos de carne são utilizados para produzir a iguaria, como carne bovina, de caça e de avestruz. É normalmente feito a partir de filés crus de carne cortados em tiras seguindo o sentido das fibras do músculo.

O biltong é semelhante ao charque por ambos serem carnes secas e temperadas, mas as carnes usadas, o sabor e os processos de produção são diferentes; o biltong, também, costuma ser muito menos doce que a carne de charque. O nome do prato vem do holandês bil ("cauda") e tong ("tira" ou "língua").[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

A cura de carnes como técnica de sobrevivência data de tempos antigos. Os povos indígenas da África Austral, como os Khoikhoi, conservavam a carne de animais cortando-as em tiras, as curando com sal e deixando-as secar. Colonizadores europeus, da Holanda, França e Alemanha, que chegaram ao sul Africano no início do século XVII, utilizavam vinagre e salitre potássico para fazer a receita. O salitre utilizado era eficiente para matar Clostridium botulinum, a bactéria causadora do botulismo, enquanto a acidez do vinagre inibe o crescimento de bactérias. As propriedades antimicrobianas de especiarias como coentro, pimenta ecravo-da-índia também eram aproveitadas pelos holandeses na produção do biltong.

Ingredientes[editar | editar código-fonte]

Os ingredientes mais comuns para fazer o biltong são carnepimenta-do-reinocoentrosal e vinagre.[2][3] Outros ingredientes que podem ser utilizados para produzir a versão moderna do alimento são vinagre balsâmico ou de malte, açúcar, pimentas chili secas, noz-moscada, páprica, suco de limão, alho, bicarbonato de sódio, molho inglês[4] e cebola em pó.

Carnes[editar | editar código-fonte]

Antes da introdução da refrigeração, o processo de cura era utilizado para a preservação de todos os tipos de carne na África do Sul. No entanto, biltong é mais comumente feito a partir de carne bovina, principalmente por sua avaliabilidade comercial e o seu baixo custo quando comparado às carnes de caça. 

Biltong também pode ser feito de:

Preparação[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente, o biltong era preparado somente durante os meses de inverno, quando o risco de crescimento de bactérias e fungos seria mínimo. Algumas receitas exigem que a carne seja marinada em uma solução de vinagre (geralmente de uva, mas podem ser usados o balsâmico e o de maçã) antes de temperá-la. A carne, então, deve ser deixada para descansar por algumas horas antes de ser posta para secar.

Os temperos usados geralmente consistem em partes iguais de sal grosso, coentro cortado, pimenta do reino e açúcar mascavo.[7] A solução de vinagre e os temperos usados tem fins antibactericidas.[8][9]

Secamento[editar | editar código-fonte]

Biltong secando em um forno elétrico

O biltong tradicional era feito durante os meses de inverno, já que o ar frio e seco era muito mais eficiente em secar a carne de uma forma mais segura. O calor só foi introduzido no processo recentemente, por meio do uso de fornos elétricos.[10] 

O processo clássico de secar a carne demora, em média, quatro dias. Um forno elétrico, com a temperatura entre 40–70 °C, demora aproximadamente quatro horas para secá-las.[11] 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Alimentos semelhantes ao biltong incluem:

Referências

  1. Eric Partridge (20 de setembro de 2006). Origins: An Etymological Dictionary of Modern English. [S.l.]: Routledge. ISBN 978-0-203-42114-7. Consultado em 24 de setembro de 2008. 
  2. Rockland, Louis B.; Beuchat, Larry R. (1987). «Intermediate Moister Foods». Water Activity: Theory and Applications to Food. [S.l.]: CRC Press. 318 páginas. ISBN 978-0-8247-7759-3. Consultado em 29 de setembro de 2008. 
  3. Arora, Dilip K.; Arora, Bharat Rai (1991). «Xerophilic Fungi in Intermediate and Low Moisture Foods». Handbook of Applied Mycology. [S.l.]: CRC Press. 74 páginas. ISBN 978-0-8247-8491-1. Consultado em 29 de setembro de 2008. 
  4. Madikwa, Zenoyise (25 de setembro de 2008). «Making biltong is really simple». The Sowetan. Consultado em 29 de setembro de 2008. 
  5. Wylie, Diana (2001). Starving on a Full Stomach: Hunger and the Triumph of Cultural Racism in Modern South Africa. [S.l.]: University of Virginia Press. 83 páginas. ISBN 978-0-8139-2068-9. Consultado em 23 de setembro de 2008.. Sometimes the food donated as famine relief were memorably bizarre, and surprisingly popular, such as shark biltong (dried shark meat). 
  6. Heemstra, Elaine (2004). Coastal Fishes of Southern Africa. [S.l.]: NISC (PTY) Ltd. pp. 63–64. ISBN 978-1-920033-01-9. Consultado em 23 de setembro de 2008.. [T]he meat [of the soupfin shark] is dried, salted and sold as shark biltong. 
  7. d’Amato, Maria Eugenia; Alechine, Evguenia; Cloete, Kevin Wesley; Davison, Sean; Corach, Daniel (2013). «Where is the game? Wild meat products authentication in South Africa: A case study». Investigative Genetics. 4 (1). 6 páginas. PMC 3621286Acessível livremente. PMID 23452350. doi:10.1186/2041-2223-4-6 
  8. «Botulism». World Health Organization. Consultado em 4 de setembro de 2017. 
  9. «ANTIMICROBIAL EFFECTS OF SPICES AND HERBS». www.hi-tm.com. Consultado em 4 de setembro de 2017. 
  10. «Biltongman - About Us». www.biltongman.com.au. Consultado em 4 de setembro de 2017. 
  11. «Recipe: Homemade Jerky in the Oven». thekitchn.com. Consultado em 4 de setembro de 2017.