Binótris

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Binótris
Estatueta no Rijksmuseum de Binótris vestindo roupas cerimoniais
Faraó do Egito
Reinado 43-45 anos
Antecessor(a) Queco
Sucessor(a) Tlas ou Uenegue
 
Dinastia II dinastia
Religião Politeísmo egípcio
Titularia
Nome Lista Real de Abidos
V10AW10AE11R8N35V11A
(B3-nṯr)
Lista Real de Sacará
V10AW10AG29R8X1
D21
G43V11A
(B3-nṯr.w)
Cânone de Turim
HASHHASHR8r
N35
V11AG7
(...nṯr-rn)
Nome de Ouro (Pedra de Palermo)
M22D21
N35
S12
(Rn-nb.w)
Hórus
G5R8n
(Nj-nṯr = "Divino")[1]
Duas Senhoras
G16R8n
(Nj-nṯr-nbt.j)

Binótris (em grego clássico: Binothris), Biófis (em grego clássico: Biophis), Ninetjer ou Banetjer é o nome de Hórus do terceiro faraó da II dinastia. A duração do seu reinado é incerta. O Cânone de Turim sugere difíceis 96 anos[2] e o historiador Manetão sugeriu 47.[3] Os egiptólogos questionam ambos como erros de interpretação ou exageros. Geralmente creditam Binótris com um reinado de 43 anos ou 45 anos. Sua estimativa é baseada nas reconstruções da conhecida inscrição da Pedra de Palermo, relatando os anos 7 a 21, a inscrição da Pedra do Cairo relatando os anos 36-44.[4][5] Segundo diversos autores, governou o Egito a partir de c. 2 850 a 2 760 a.C.[6] ou mais tarde, de c. 2 760 a 2 715 a.C..[7]

Nome[editar | editar código-fonte]

Binótris é um dos faraós melhor atestados arqueologicamente da II dinastia. Seu nome aparece em várias inscrições em vasos de pedra e selos de argila de seu túmulo em Sacará. Vários artefatos com seu nome vem da tumba de Peribessene em Abidos e nas galerias abaixo da Pirâmide de Degraus de Djoser. Contudo, as datações de algumas inscrições, especialmente aquelas feitas de tinta preta, causaram alguns problemas. Especialistas em escrita e arqueólogos como Ilona Regulski apontam que as inscrições de tinta são de data pouco posterior às inscrições de pedra e selos; data as marcas de tinta dos reinados de Boco e Djoser e assume que os artefatos se originaram de Abidos. Na verdade, vasos de alabastro e jarros de barro com inscrições de tinta preta com desenhos muito semelhantes, mostrando o nome de Binótris, foram achados na tumba de Peribessene.[8][9] Seu nome também aparece numa inscrição de pedra perto de Abu Handal, na Baixa Núbia. Isso pode representar uma pista de que o faraó enviou uma expedição militar à região, embora a inscrição forneça apenas informações limitadas.[10]

Identidade[editar | editar código-fonte]

Binótris é comumente identificado com os nomes Banetjer da Lista Real de Abidos, Banetjeru da mesa de Sacará e Netjerrene do Cânone de Turim. Em inscrições de seu período, seu nome é registrado como Ninetjer. Os autores clássicos lhe atribuíram os nomes Binótris (Manetão) e Biófis (Eusébio de Cesareia).[11][12] A inscrição da Pedra de Palermo apresenta o incomum Renebu, que significa "descendentes dourados" ou "bezerro de ouro". Este nome também aparece em artefatos sobreviventes do tempo de Binótris e egiptólogos como Wolfgang Helck e Toby Wilkinson acham que poderia ser algum tipo de precursor do nome de Hórus de ouro que foi estabelecido na titulação real no começo da III dinastia sob Djoser.[13]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Trecho da pedra de Palermo sobre Binótris

Boa parte da informação sobre seu reinado está na pedra de Palermo da V dinastia, sobre a qual se lista:[14]

  • Sétimo ano: Escolta de Hórus (terceira contagem do gado) ... (resto foi perdido);
  • Oitavo ano: Aparecimento do rei; "esticando as cordas" (uma cerimônia de fundação) de Horrem. Nível da inundação: 1,57 metros;
  • Novo ano: Escolta de Hórus (quarta contagem do gado). Nível da inundação: 1,09 metro;
  • Décimo ano: Aparecimento do rei do Alto e Baixo Egito; "Corrida do touro Ápis" (pḥrr Ḥp). Nível da inundação: 1,09 metro;
  • Décimo primeiro ano: Escolta de Hórus (quinta contagem do gado). Nível da inundação: 1,98 metro;
  • Décimo segundo ano: Aparecimento do rei do Baixo Egito; segunda celebração da festa de Socáris. Nível da inundação: 1,92 metro;
  • Décimo terceiro ano: Escolta de Hórus (sexta contagem do gado). Nível da inundação: 0.52 metro;
  • Décimo quarto ano: Primeira celebração de Horsebapete (Hórus estrela no céu); Destruição/Fundação das cidades e "Eschem-Rá" (O Sol chegou) e "Ha" (cidade setentrional) (a leitura da passagem está sujeita a discussão, pois o sinal hieroglífico da enxada, como usado aqui, pode significar "Destruição" ou "Fundação"). Nível do solo: 2,15 metros;
  • Décimo quinto ano: Escolta de Hórus (sétima contagem do gado). Nível da inundação: 2,15 metros;
  • Décimo sexto ano: Aparecimento do rei do Baixo Egito; segunda "Corrida do touro Ápis". Nível da inundação; 1,92 metro;
  • Décimo sétimo ano: Escolta de Hórus (oitava contagem do gado). Nível da inundação: 2,40 metros;
  • Décimo oitavo ano: Aparecimento do rei do Baixo Egito; terceira celebração da festa de Socáris. Nível da inundação: 2,21 metros;
  • Décimo nono ano: Escolta de Hórus (nona contagem do gado). Nível da inundação: 2,21 metros;
  • Vigésimo ano: Aparecimento do rei do Baixo Egito; oferenda à mãe do rei; celebração da "Festa da eternidade" (uma cerimônia de sepultamento). Níve da inundação: 1,92 metro;
  • Vigésimo primeiro ano: Escolta de Hórus (décima contagem do gado) ... (resto foi perdido).

Referências

  1. Clayton 1994, p. 26.
  2. Gardiner 1997, p. 15 & Tabela I..
  3. Waddell 2004, p. 37-41.
  4. Emery 1964, p. 105.
  5. Wilkinson 1999, p. 119–126 & 204.
  6. Bierbrier 2008, p. 328.
  7. Hornung 1999, p. 224.
  8. Petrie 1901, p. 12-13; capítulo II; obj. 8.
  9. Regulski 2004, p. 940-970.
  10. Zaba 1974, p. 30-31.
  11. Ottosson 1980, p. 139.
  12. Tyldesley 2006, p. 35.
  13. Helck 1987, p. 116-117.
  14. Schott 1950, p. 59-67.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bierbrier, Morris L. (2008). «Chronology». Historical Dictionary of Ancient Egypt. Lanham, Marilândia; Toronto; Plymouth, RU: The Scarecrow Press, Inc. 
  • Clayton, Peter A. (1994). «Dynasty 2». Chronicle of the Pharaohs (em inglês). Londres: Thames and Hudson. ISBN 0-500-05074-0 
  • Emery, Walter Bryan (1964). Ägypten. Geschichte und Kultur der Frühzeit. Munique: Fourier 
  • Gardiner, Alan H. (1997). The royal canon of Turin. Oxônia: Instituto Griffith de Oxônia. ISBN 0-900416-48-3 
  • Helck, Wolfgang (1987). Untersuchungen zur Thinitenzeit - Ägyptologische Abhandlungen. 45. Viesbade: Otto Harrassowitz. ISBN 3-447-02677-4 
  • Hornung, Erik; Lorton, David (1999). History of Ancient Egypt: An Introduction. Ítaca, Nova Iorque: Imprensa da Universidade Cornell. ISBN 0-8014-8475-8 
  • Petrie, Flinders (1901). Royal Tombs of the Earliest Dynasties. Londres: Fundo de Exploração do Egito 
  • Ottosson, Magnus (1980). Uppsala Studies in Ancient Mediterranean and Near Eastern Civilizations. Upsália: Universidade de Upsália 
  • Regulski, Ilona (2004). «Second Dynasty Ink Inscriptions from Saqqara». In: Hendrickx, Stan; Adams, Barbara. Egypt at its Origins. Lovaina: Peeters Publishers. ISBN 90-429-1469-6 
  • Schott, Siegfried (1950). Altägyptische Festdaten. Mogúncia e Viesbade: Imprensa da Academia de Literatura de Viesbade 
  • Tyldesley, Joyce A. (2006). Chronicle of the Queens of Egypt: From Early Dynastic Times to the Death of Cleopatra. Londres: Thames & Hudson 
  • Waddell, William Gillian (2004). Manetho (The Loeb classical Library, Volume 350). Cambrígia, Massachusetts: Imprensa da Universidade de Harvard. ISBN 0-674-99385-3 
  • Wilkinson, Toby A. H. (1999). Early Dynastic Egypt. Londres e Nova Iorque: Routledge. ISBN 0415186331 
  • Zaba, Z. (1974). The Rock Inscriptions of Lower Nubia. Praga: Instituto Tchecoslovaco de Egiptologia